litografia

Um jornalista cultural – ou qualquer outro jornalista – tem de ler… MUITO. Não há teorias da tábua rasa que nos valham. Um jornalista, como qualquer outro criador, tem de ler, ouvir e ver muito, muito e muito. Ultimamente, tenho notado que algumas publicações culturais se retiram dos assuntos da actualidade e da reflexão como se o conteúdo criativo compensasse essa ausência. Não compensa. Como é que o público em geral vai entender que a cultura deve estar na pauta diária do seu quotidiano? Como é que o público vai entender que há diferenças substanciais entre publicações culturais pagas e os blogues culturais gratuitos? Que os segundos não substituem os primeiros, mas, sim, se complementam?

Por fim, não posso deixar de referir que há erros que devem ser mesmo evitados pelos jornalistas (e pelos seus editores). Ninguém domina completamente a língua, mas há alguns considerados “mortais” e, infelizmente, muito comuns ultimamente em algumas publicações. Deixo apenas alguns. Os restantes são facilmente identificados nos prontuários ortográficos, nas gramáticas ou no Livro de Estilo do Público, por exemplo.

 

  • Não há “alternativas”, mas, sim, “a alternativa” (só há “uma alternativa” a um determinado facto).
  • Não se “desfolha” uma revista, “folheia-se”.
  • A expressão “devem haver artistas” está errada. O verbo “haver” não se conjuga no plural, neste contexto, nem o seu auxiliar.
  • O político não “interviu”… “interveio”, tal como “eu intervim” e não “intervi”.
  • … E “concerteza” é “com certeza”, tal como “benvindo” é “bem-vindo”.

 

Fotografia: litografia de Vito Acconci, 1999.

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Como pensar a fotografia de forma diferente? “Reunindo na mesma plataforma on-line três conceitos-base – a de uma publicação mensal sobre fotografia, a de um espaço de formação contínua à distância orientado por profissionais e a de um portal associativo onde se divulgam projectos fotográficos individuais ou colectivos”, afirma Susana Paiva, coordenadora do The Portfolio Project, uma iniciativa pioneira em Portugal.

Fundado no princípio deste ano, o projecto tem, no entanto, um currículo excepcional, tendo realizado parcerias com diversas entidades para promover um discurso coerente sobre a fotografia. Actualmente, os contactos desenvolvidos com a associação cultural Casa da Esquina permitirão, já no próximo ano, a organização de oficinas de fotografia e exposições fotográficas, bem como a realização de residências artísticas para fotógrafos e editores fotográficos na cidade de Coimbra.

 As galerias dos fotógrafos que integram a plataforma estão disponíveis no site do projecto, em www.theportfolioproject.org.

O trabalho fotográfico de Susana Paiva assume um cariz documental, no qual o imaginário se cruza com a realidade, como se de uma narrativa ficcional se tratasse. Depois de 15 anos a colaborar com diversas publicações nacionais, foi agenciada pela prestigiada agência de fotógrafos austríaca, Anzenberger. Em Janeiro 2009, fundou o The Portfolio Project.

Fotografia: Susana Paiva, “Marrakech Color – A Tribute to Costa Manos”

apordocAcabam na próxima quinta-feira, dia 12, as inscrições para a Panorama – 4.ª Mostra do Documentário Português. Organizada pela Apordoc – Associação pelo Documentário e a EGEAC, a mostra, não-competitiva, constitui um espaço de observação e reflexão sobre o documentário feito em Portugal ou por portugueses. As inscrições estão abertas a filmes produzidos depois de Novembro de 2008. Consulte toda a informação aqui.

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Emanuel Ungaro no Estoril Film Festival

Emanuel Ungaro, um dois maiores criadores de moda do mundo, está hoje presente no Estoril Film Festival, no Centro de Congressos do Estoril. A sua intervenção,  prevista para as 21h00, é subordinada ao tema “Quem dita a moda: Os criadores ou as revistas de moda?”. O mote é dado por September Issue de R.J. Cutler, o polémico documentário que retrata a edição da Vogue de Setembro de 2007 pela editora Anna Wintour. Estreia em Portugal, hoje, às 19h30, no mesmo espaço.

 Aceda ao programa do Estoril Film Festival aqui.

premio_industrias_criativasAs inscrições para a segunda edição do Prémio Nacional de Indústrias Criativas decorrem até ao próximo dia 8 de Dezembro. A iniciativa promovida pela Unicer, em parceria com a Fundação de Serralves, tem por objectivo estimular, apoiar e acompanhar a concretização de modelos de negócio na área das indústrias criativas (artes visuais, design, publicidade, arquitectura, rádio, artes performativas, software, música, cinema, televisão, editorial, vídeo e  património) e potenciar a cooperação entre os sectores empresarial e criativo. O vencedor receberá um prémio pecuniário de 25.000 euros e a oportunidade de ver o seu projecto de negócio desenvolvido e concretizado.

 

Aceda a todas as informações no site do concurso, www.premioindustriascriativas.com.

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Garlardoado com o prémio “Popular Science Inventions of the Year” e exibido no MOMA (Museu de Arte Moderna de Nova Iorque), o filtro de ar Andrea utiliza plantas verdadeiras para purificar os ambientes. Criado pelo designer Mathieu Lehanneur com a colaboração de David Edwards (professor em Harvard), Andrea é um exemplo da intersecção perfeita entre design ecológico e tecnologia. Depois de um protótipo criado há dois anos, está agora para venda online.

nietzsche

Organizado pelo Instituto da Filosofia de Linguagem, o colóquio “Nietzsche: Instinto e Linguagem” decorrerá nos próximos dias 09 e 10 de Novembro, no auditório 2 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A entrada é livre. O programa está disponível aqui.

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Foi com a publicação da sua tese sobre “As estruturas Elementares do Parentesco” (1949), que coloca o “parentesco” no centro da Antropologia, estudando o Homem na sua dimensão social, que o antropólogo francês Lévi-Strauss (falecido na madrugada de Sábado para Domingo) lançou as bases da antropologia moderna e do estruturalismo, método por ele usado para estudar o comportamento dos índios americanos, ao qual dedicou grande parte da sua vida. À eterna questão “Em que diferem as culturas?”, Lévi-Strauss respondeu que há uma estrutura, uma ordem que suporta as diferenças culturais.

Lévi-Strauss tinha também um lado muito pessimista, nomeadamente em relação à população excessiva do mundo, manifestando-o regularmente em público. Em 2005, com 97 anos, disse, ao receber o 17.º Prémio Internacional Catalunha: “O meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele – isso é algo que deveríamos ter presente”.

Artigos importantes para conhecer Lévi-Strauss

Foto: Éric Brochu (Paris, 1998)

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Arquitecto: António Sérgio Koch
Local: Porto, Portugal
Programa: Casa privativa
Área: 1,275 m2
Área de construção: 655 m2
Anos do projecto: 2006-2009
Fotografia: FG + SG – Fernando Guerra, Sérgio Guerra

Fonte: Archdaily

cofee_potA revista “Nós” (sai na edição de fim-de-semana do jornal “i”) desta semana é inteiramente dedicada ao ciúme, o que me fez recordar as diferenças entre cafés supostamente iguais, dado que a estava a ler no “meu” Coffee & Pot.

Os cafés, concordem ou não, tornaram-se inevitavelmente espaços culturais. São espaços de partilha, consumo, leitura e de desfile de variados comportamentos humanos. Com a expansão do franchising surgiram os chamados cafés de marca, supostamente iguais em todos os sítios. Contudo, por muito semelhantes que sejam na decoração, no conceito e na oferta, são as pessoas e o ambiente que os rodeiam os verdadeiros criadores da sua identidade.

Um exemplo: o meu Cofee & Pot (um franchising, lá está) do Largo Machado de Assis tem diariamente velhinhas lindas com trajes domingueiros, os putos que saem da escola e vão para lá estudar, as miúdas que fazem olhinhos aos rapazes que estão atender, as mães e os pais que vão lá buscá-los, e pessoas como eu, que gostam de estar na esplanada a observar tudo isto. É um misto de modernidade, familiaridade e bom atendimento. Já o Coffee & Pot de outras bandas (como o do Marquês de Pombal) é um espaço semi-escuro, com música de mau gosto e a abarrotar de miúdos insuportáveis.

É por isso que nunca confio nas reviews de restaurantes e cafés baseadas apenas nas suas marcas nacionais, ou seja, “opiniões” suportadas em press releases, sem contextualizar esses espaços nos ambientes em que se inserem. É que, neste caso, o meu Coffee & Pot é mesmo melhor do que o teu.

Nota: não tenho qualquer declaração de interesse.

A nova Direcção do jornal Público disseminou por e-mail o editorial publicado na edição de 1 de Novembro de 2010, como forma de marcar o seu novo (velho) posicionamento. Sublinhei abaixo as frases que merecerão reflexão futura, em particular sobre o papel dos editoriais nas publicações periódicas.

O PÚBLICO inicia hoje uma nova etapa da sua história. Quase 20 anos depois do primeiro dia, uma nova direcção, um novo começo. Um tempo mais difícil, também.

Há 20 anos, tivemos a ousadia de em Portugal seguir os paradigmas da grande imprensa europeia e conseguimos ser hoje uma referência sem paralelo na imprensa diária portuguesa.

Os ideais originais estão vivos – qualidade e rigor, distanciamento, independência e integridade. Olhamos para o jornalismo como parte nuclear da democracia e da liberdade e vamos exercê-las informando, questionando e investigando. Podemos escolher as palavras justas em nome da convicção com que as sustentamos – convicção num jornalismo forte, profundo e livre. Isso é fácil. A confiança no jornalismo, no entanto, já viveu melhores dias.

O fundador deste jornal, Vicente Jorge Silva, disse num texto recente que a credibilidade da imprensa de referência ficou seriamente afectada pelos incidentes que rodearam a última campanha para as legislativas. Um balanço duro, mas uma conclusão lúcida.

Não temos nada a acrescentar a uma polémica sobre a qual tudo está dito e da qual não ficaremos reféns. A razão de estarmos aqui hoje é anterior a tudo isso. Mas não escamoteamos o facto de ser nossa primeira obrigação repor essa credibilidade ameaçada, conscientes que estamos da percepção pública de um excesso de peso ideológico no jornal. Acreditamos num jornalismo culto e responsável, que desafia o sensacionalismo e as agendas informativas cada vez mais estreitas.

O leitor encontrará a partir de hoje pequenas diferenças através das quais queremos exprimir este novo começo. Não mudaremos a linha gráfica apenas para dizer que chegámos e somos diferentes – acreditamos mais na substância das coisas do que na forma; é pela substância que queremos afirmar-nos.

Os editoriais, a partir de hoje, deixarão de ser assinados. Os editoriais expressarão o pensamento desta direcção e deste jornal sobre o mundo que procuramos descrever, compreender e analisar página a página. Não queremos doutrinar nem vender receitas. Queremos interrogar o mundo. Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos. Os editoriais serão escritos pelo novo Gabinete Editorial, composto pela direcção e mais cinco jornalistas do PÚBLICO – Teresa de Sousa, Jorge Almeida Fernandes, Margarida Santos Lopes, Ricardo Garcia e Vítor Costa. Há 20 anos, quando nascemos, foi decidido que os editoriais seriam assinados com base em duas ideias: seriam mais acutilantes e comprometeriam apenas o seu autor. Hoje sabemos que essa ideia original se tornou utópica e que um editorial compromete todo o jornal – é a cara do jornal – e não pode, por isso, ser veículo da opinião de uma só pessoa. Acreditamos, também, que é possível escrever editoriais incisivos, com pontos de vista corajosos e provocadores, que questionem e mobilizem a sociedade. Os novos editoriais do PÚBLICO, são, portanto, textos de opinião do jornal como instituição. A mesma filosofia será aplicada à secção Sobe e Desce.

Não serviremos governos, nem procuraremos certificados de bom comportamento. Prosseguiremos uma nova etapa do caminho, no respeito pelos valores que nos guiam desde o primeiro dia.

Queremos garantir a sustentabilidade do PÚBLICO como projecto de referência, desenvolver novas plataformas de intervenção editorial, trabalhar para elevar os padrões e sermos líderes no rigor, na reportagem, na análise, na crítica cultural e na opinião. Vamos estar obcecados com a isenção, a investigação, a profundidade e os temas de proximidade (e para isso vamos criar um caderno Cidades, que sairá aos domingos).

Não queremos inflacionar as expectativas, queremos corresponder aos leitores. Sabemos que o PÚBLICO é o jornal dos leitores exigentes, curiosos e atentos, das pessoas que pensam e que querem que o seu jornal seja um instrumento para pensar mais. Os nossos leitores – 250 mil por dia – são pessoas que sabem e que querem saber mais. São os melhores – e os mais severos – leitores.

 

19-nov

Portugal está representando pela primeira vez no Paris Photo com a galeria Pente 10. Considerado um dos mais importantes certames de fotografia do mundo, a edição 2009 decorre no Carrousel du Louvre, entre 19 e 22 de Novembro, tendo como pano de fundo a fotografia árabe e iraniana.

A galeria Pente 10 exibe neste evento o trabalho de 10 fotógrafos: Rita Barros, João Cutileiro, Flor Garduño, Aleksandr Glyadyelov, Inês Gonçalves, Paulo Nozolino, Victor Palla, Miguel Santos e Guillaume Zuili.

Fotografia: © Paulo Nozolino, Courtesia Galeria Pente 10

david_parrishDa autoria de David Parrish, consultor britânico em economia criativa, este livro é fundamental para todos os criadores que têm (ou pretendem ter)  projectos ou empresas na área das indústrias criativas. Escrito de uma forma muito clara, é, ao mesmo tempo, um guia de boas práticas e uma fonte de recursos sobre as temáticas mais importantes a ter em conta. Contém também boas definições de termos relacionados com a área.

Mais: a versão ebook do livro “Tshirts and Suits – A guide to the business of creativity” está disponível aqui.

transparent-toilet2-420x340A casa-de-banho pública está em plena Skopje, capital da República da Macedónia, e foi descoberta por Dragan Saldziev, um dos Cool Hunters da rede Science of Time. Trata-se de uma pequena maravilha do design: um cubo espelhado, em que se pode ver o exterior a partir do interior… mas não ao contrário.

silenciopinturaApós a Segunda Guerra Mundial, o questionamento e a incerteza em torno do lugar do Homem na cultura contemporânea levaram artistas a quererem “sair” do silêncio da pintura e a desenvolverem um género novo, no qual a palavra escrita ou o som estivessem presentes. Essas obras foram agora reunidas na exposição “Silêncios”, comissariada por Marin Karmitz, que estará patente no Museu de Colecção Berardo entre 3 de Novembro e 10 de Janeiro de 2010.

convites04A Artistlevel, dedicada à promoção e divulgação dos artistas portugueses, inaugura amanhã, 31 de Outubro, uma exposição colectiva de criadores que representa, na Fabrica Features (último andar da Benetton Megastore no Chiado). Até 24 de Novembro, a mostra reúne trabalhos de 18 artistas, transversais a várias áreas como o vídeo, a fotografia, a pintura e o design de jóias: Cláudia Barradas, Diana Mestre, De Matos, Elsa Labistour, Eduardo Bragança, Fátima Mateus, Filipa Silveira, Francisca Menezes Ferreira, Isabel Mourão, Joana Lobo Anta, Joana Pinho Morgado, João Teixeira, Maria Celeste, M Lowndes, Natália Barros, Rita Carvalho Marques, Rita Fernandes e Vanessa Teodoro.

 

Convite VQ front

O designer de jóias Valentim Quaresma apresenta hoje entre as 19h30 e as 22h00 a colecção Primavera-Verão 2010 no Zpazio Dual, numa organização deste espaço com a associação Art in Parq.

“True Love” é o tema da colecção deste designer, conhecido pelo seu seu trabalho com Ana Salazar e, sobretudo, pela irreverência das suas criações.  Para quem não conhece o Zpazio Dual, esta é uma boa oportunidade de passar por este espaço, situado na Avenida da República, n.º 41, em Lisboa, que reúne criatividade, venda de automóveis e cozinha gourmet. Além de um showroom de automóveis do grupo Fiat, o espaço  inclui o City Caffè, dirigido pelo Chef italiano Michael Guerrieri, e um open studio do colectivo de artistas “Art in Park” (nos pisos -1 e -2), composto por Ana Fonseca (pintura), Inês Norton de Matos (pintura), Paula Guerreiro (joalharia), Pedro Batista (pintura), Ricardo Quaresma Vieira (fotografia), Rogério Narciso (joalharia), Valentim Quaresma (joalharia), Ricardo Preto (moda), Salomé (pintura) e Daniela Ribeiro (artes plásticas).

inutil

Há revistas que ganham a categoria de livro. Que, quando emprestadas, têm um “V” maiúsculo de “Volta mesmo”. E penso que quem me emprestou a nova revista “Inútil”, acabadinha de ser dada à luz, pensará o mesmo. É pena. Ainda não consegui comprá-la – e ter esse exemplar só para mim sem o mostrar desprotegido a ninguém. Como se faz com os bons livros.

Um jornalista cultural tem de cobrir, analisar e reportar áreas culturais muito diversas, como a dança, as artes plásticas, o teatro, a música, o cinema, a Internet ou o design. Além disso, tem de saber contextualizá-las de acordo com os países ou regiões de onde provêm. Essa complexidade de competências e saberes é “agravada” com o advento das novas tecnologias (ciberarte, Internet, blogues), que obriga o jornalista a estar permanentemente actualizado. No entanto, a urgência do próprio mecanismo de construção de notícias, as pressões do mercado e até mesmo a pouca qualificação dos jornalistas acabam por ser obstáculos à qualidade do seu desempenho.

Para Rodriguez, o jornalista cultural tem de possuir “uma cultura geral que o permita identificar e correlacionar fenómenos, épocas, autores e obras significativas nas vertentes local e universal, segundo uma forte dose de observação e criatividade, e uma capacidade para sistematizar e sintetizar processos complexos numa fórmula comunicacional”. Neste contexto, é visto como um antropólogo social.

Isabelle Anchieta de Melo identifica três desafios para a formação de futuros jornalistas: a abordagem de temáticas clássicas, como a política e a economia através de uma óptica cultural, a inclusão de novas temáticas culturais – design, culinária e moda, por exemplo – que ganharam esse status recentemente, e o tratamento “sem preconceito” das indústrias culturais. A este desafio acrescentamos o tratamento das indústrias criativas.

Cabe também ao jornalista cultural ultrapassar (e fazer ultrapassar na mente das pessoas) a fronteira entre “alta” e “baixa” cultura e a limitação temática de lançamento de bens culturais, fruto da agenda de eventos. Há que ter mais competências (e vontade) para a análise e interpretação da cultura, sendo exigido, neste contexto, uma perspectiva aberta, sem paradigmas dominantes – além do referido, acresce a distinção entre indústrias culturais e cultura erudita, entre arte e mercado.

Uma formação básica de jornalistas culturais deverá incluir:

  • a problematização dos conceitos de cultura e jornalismo cultural;
  • leituras reflexivas sobre produtos culturais;
  • desenvolvimento do sentido estético para a observação e descrição das obras culturais,
  • apresentação do processo produtivo e dos géneros culturais;
  • compreensão e exploração das potencialidades dos diferentes meios na cobertura noticiosa cultural.

 

Esta formação permite que o jornalista cultural cumpra três características definidoras desta especialidade já abordadas em capítulos anteriores: o papel social, como mediador da obra cultural, o que o obriga a ter a capacidade de a compreender; o papel de responsabilidade social, veiculando a cultura a partir de uma abordagem aberta, sem paradigmas dominantes; o papel reflexivo, cumprindo simultaneamente uma função informativa e crítica.

prlja1Numa entrevista dada a Stefan Szczelkun do jornal Mute, a cineasta Nada Prlja fala da evolução da ex-Jugoslávia comunista para uma cultura de consumo, onde se assiste, agora, ao “retorno da burguesia vermelha”. Para ler na íntegra aqui, pela “beleza” e realismo do testemunho.

Fotografia: “Workers’ production line”, 2008.

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