Sobre a definição de cultura – I parte

Definir ”cultura” é uma das tarefas mais complexas da contemporaneidade. Sem cair na tentação de afirmar que “cultura é tudo” – porque não o é -, tende-se hoje a usar “obsessivamente” esta palavra (como o já afirmou José Bragança de Miranda). Há a “cultura empresarial”, a “cultura dos media”, o “multiculturalismo”, a “política cultural”, as “culturas locais”…

flickr-wordsAté ao século XIX, antes de “cultura” ser ampliada no contexto antropológico (E. B. Taylor), esta correspondia em exclusivo às artes, à literatura e à filosofia. Por isso mesmo, era uma cultura de elite (segmento da população que tinha acesso à mesma).

Embora esta cultura “clássica” já tenha sido objecto de transformações significativas, a verdade é que, actualmente, esta noção está ainda muito enraizada em algumas sociedades – incluindo a portuguesa -, o que se torna numa visão cultural do mundo muito redutora, se atentarmos, por exemplo, nas áreas culturais que as novas tecnologias mediáticas encetaram ou nos modos de ser e fazer das várias comunidades.

(Retomarei esta coluna em breve. Para acompanhá-la, siga a “tag” “sobre a definição de cultura”)

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