
Sobre a definição de cultura – II parte
No século XIX, a noção de cultura humanista clássica é questionada por Edward B. Taylor. Este antropólogo cultural defende que todas as obras humanas, independentemente de serem intelectuais ou artísticas, fazem parte da cultura, numa perspectiva evolucionista. Cultura é, assim, “o complexo unitário que inclui o conhecimento, a crença, a arte, a moral, as leis e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.
Mais tarde, Malinowsky define-a como o “todo integral que compõe os instrumentos e os bens de consumo, as castas constitutivas dos vários reagrupamentos sociais, as ideias, as artes e os costumes” e J. B. Thompson como “o conjunto de crenças, costumes, ideias e valores, bem como dos artefactos, objectos e instrumentos materiais, que são adquiridos pelos indivíduos enquanto membros de um grupo ou sociedade”.
Ainda na perspectiva antropológica, e dada a complexidade em definir o termo, a cultura tem sido, ao longo do tempo, estudada e interpretada de várias formas: como sistemas de padrões de comportamento socialmente transmitidos, como sistema de conhecimento, percepção e crenças, como sistema estrutural (amplamente desenvolvido por Lévi-Strauss) e ainda como um sistema de símbolos e sentidos.
Fotografia: Gregory Miller
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João Leitão says
Aparte quaisquer conotações políticas (que a meu ver são um pequeno desvio egocêntrico da natural e lógica evolução cultural e sociológica da sociedade) lembro-me, há uns anos, de ver na parede da Biblioteca do Operário, uma frase: Quanto mais culto, mais livre.
Pequena e poderosa. E verdadeira.
Beijo
Dora Santos Silva says
E, sobretudo, a-política. Obrigada pelo teu comentário. Beijo.