Indústrias culturais – A Perspectiva de David Hesmondhalgh

9781412908085As indústrias culturais passaram por grandes transformações desde os anos 80, revelando uma crescente importância nas sociedades e na economia:

·   já não são consideradas como “actividades secundárias”, estando no centro da acção económica de muitos países;

·   a sua organização mudou radicalmente, pois as empresas mais fortes actuam em diferentes indústrias culturais e não apenas numa específica, como a produção televisiva ou a edição;

·   ao mesmo tempo, crescem as pequenas empresas na área da cultura, estabelecendo-se relações e parcerias entre pequenas, médias e grandes empresas;

·  os produtos culturais circulam além-fronteiras;

·    os conteúdos são marcadamente híbridos, misturando imagens, som e texto;

·   houve uma proliferação de novas tecnologias de comunicação, como a Internet e novas aplicações das tecnologias existentes;

·   a forma como as indústrias culturais entendem os seus públicos mudou, havendo uma preocupação nos inquéritos de consumo, no marketing cultural e na caracterização dos nichos de mercado;

·  há uma crescente preocupação com as políticas culturais e com aquelas relacionadas com os direitos de autor;

·  as audiências e os hábitos culturais são cada vez mais complexos;

·  os textos sofreram alterações radicais, com novos estilos, inserção crescente da criatividade e de materiais publicitários.

Por que são importantes as indústrias culturais? David Hesmondhalgh justifica com três ordens de razão: porque criam e fazem circular textos; porque gerem e fazem circular a criatividade; porque são agentes de mudanças económicas, sociais e culturais. (2007: 4-7).

 

1.        As indústrias culturais criam e fazem circular “textos”

David Hesmondhalgh afirma que, mais do que qualquer tipo de produção, as indústrias culturais criam e divulgam produtos, que o autor designa de textos, que influenciam a nossa percepção do mundo. Os filmes, a televisão, a rádio, a música e os videojogos fazem representações do mundo que contribuem para aquilo que somos, fantasiamos e sentimos; constroem a nossa identidade enquanto mulher, homem, africano, português, europeu, americano, homossexual, punk, etc.

Posto isto, as indústrias culturais têm uma influência decisiva na nossa vida e, consequentemente, nas sociedades contemporâneas. Importa referir que a maior parte dos textos é produzida por grandes empresas que têm em vista o lucro, o que levanta questões sobre as necessidades do público versus as aspirações económicas. Aliás, há uma grande concorrência entre as indústrias culturais, particularmente entre grupos de comunicação, o que influencia decisivamente os produtos culturais que são veiculados.

 

2.        As indústrias culturas gerem e fazem circular a criatividade

Segundo este teórico norte-americano, as indústrias culturais preocupam-se com a gestão e venda da criatividade simbólica. Ao longo da História, a arte foi sendo considerada uma das formas mais nobres da criatividade humana. Ora, a criação de histórias, músicas, imagens, poemas, argumentos, reportagens, etc., envolve um tipo particular de criatividade – a manipulação de símbolos, com os propósitos de entreter, informar e esclarecer. Daí que o autor prefira chamar a estes trabalhos “criatividade simbólica” (em vez de arte) e criadores simbólicos (em vez de artistas). Importa relevar que os jornalistas também são, naturalmente, criadores simbólicos, uma visão importante para compreender os capítulos que se seguem.

Estes criadores simbólicos são os criadores dos textos de toda a espécie das indústrias culturais e estes não existiriam sem eles, mesmo que as indústrias se caracterizem pela reprodução, distribuição e marketing. A forma como as indústrias culturais organizam e divulgam a criatividade simbólica reflecte algumas injustiças e ambivalências presentes nas sociedades contemporâneas, principalmente na forma precária como os criadores simbólicos trabalham e a dificuldade em arranjar audiências para os seus textos.

 

3.        As indústrias culturais são agentes de mudanças económicas, sociais e culturais

Não há dúvida de que as indústrias culturais são fontes de riqueza e emprego em muitas economias: basta pensar na importância da indústria cinematográfica e discográfica nos Estados Unidos da América, no papel dos jornais e das revistas em todo o mundo… O advento das marcas (Coca-Cola, Nike, Disney, entre milhões de outras) fez crescer as indústrias culturais, pela publicidade, pelos filmes, pela influência na forma como entendemos o mundo. As sociedades modernas são sociedades do conhecimento e da informação e isso basta para provar o papel que as indústrias culturais têm na economia e na cultura.

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