O que ainda não tenho a dizer sobre o jornal “i”

iJORNAL_11MAI09Confesso que estou a comprar os números do jornal “i” desde o primeiro número e fá-lo-ei até quarta-feira. Aí, depois de um ciclo semanal de edições (tendo tido estas muito mais tempo de concepção do que as que vêm aí, como me lembrou muito bem um jornalista meu amigo), terei dados para comprovar as minhas hipóteses:

a)     a de que o jornal não corresponde ao posicionamento divulgado (há muita informação não essencial no jornal e, sobretudo, na capa);

b)     a de que o jornal não aposta, infelizmente, na cultura (tendo tão bons jornalistas culturais a trabalhar lá);

c)     a de que o amarelo e o design editorial em geral (sobretudo algumas montagens e as ilustrações) não me convencem;

d)     a de que a edição de sexta-feira não faz jus ao preço e muito menos faz concorrência ao Público;

e)     a de que a revista Nós promete (o primeiro número deixou-me, de facto, sedenta de mais);

f)       a de que o conceito editorial é uma mistura de Time Out, Correio da Manhã e Diário Económico;

g)     a de que alguns textos são mesmo, mesmo muito bons (não seria de esperar outra coisa da equipa), mas estão arrumados com outros completamente sensacionalistas (“Perca peso com a Al-Qaeda”???).

No entanto, é um produto das indústrias culturais e, em contexto de crise, é mais que bem-vindo. Emprega uma equipa de quase uma centena de jornalistas e criativos. Só tem de encontrar o seu público-alvo e assumir-se como um media complementar e não concorrente de outros diários impressos de referência.

Mas, por enquanto, como disse, ainda são só hipóteses.

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3 thoughts on “O que ainda não tenho a dizer sobre o jornal “i”

  1. Tirando o facto de ser pago, tudo no “i” é completamente gratuito. “I”nfelizmente.

  2. Muito boa análise. Concordo com quase tudo o que escreveste.

    Desconfio quem seja esse jornalista amigo que te falou nessa questão do tempo anormalmente grande que tiveram para preparar os primeiros números 🙂

    Esse conjugação de DE, CM e Time Out é curiosa, não me lembraria de fazer essa junção, mas pensando bem é perto disso, embora me pareça um pouco injusto colocar aí o CM.

    No global, a qualidade editorial e jornalística do que lá é publicado é muito aceitável. Por vezes, chega mesmo ao patamar de «muito bom». O problema, o enorme problema, é que o todo parece não fazer ainda sentido. Há um grande amigo, jornalista que respeito muito, que diz por piada que «os novos jornais deviam começar para aí no número… 10»!

    As primeiras edições são complicadas, até porque as pessoas apontam expectativas demasiado elevadas. Mas concordo: também eu esperava mais, atendendo aos nomes envolvidos. Darei, no entanto, mais um tempo de benefício da dúvida — certamente mais do que semana.

    Beijinhos.