
Desabafo sobre erros comuns dos jornalistas (culturais e não só)

Um jornalista cultural – ou qualquer outro jornalista – tem de ler… MUITO. Não há teorias da tábua rasa que nos valham. Um jornalista, como qualquer outro criador, tem de ler, ouvir e ver muito, muito e muito. Ultimamente, tenho notado que algumas publicações culturais se retiram dos assuntos da actualidade e da reflexão como se o conteúdo criativo compensasse essa ausência. Não compensa. Como é que o público em geral vai entender que a cultura deve estar na pauta diária do seu quotidiano? Como é que o público vai entender que há diferenças substanciais entre publicações culturais pagas e os blogues culturais gratuitos? Que os segundos não substituem os primeiros, mas, sim, se complementam?
Por fim, não posso deixar de referir que há erros que devem ser mesmo evitados pelos jornalistas (e pelos seus editores). Ninguém domina completamente a língua, mas há alguns considerados “mortais” e, infelizmente, muito comuns ultimamente em algumas publicações. Deixo apenas alguns. Os restantes são facilmente identificados nos prontuários ortográficos, nas gramáticas ou no Livro de Estilo do Público, por exemplo.
- Não há “alternativas”, mas, sim, “a alternativa” (só há “uma alternativa” a um determinado facto).
- Não se “desfolha” uma revista, “folheia-se”.
- A expressão “devem haver artistas” está errada. O verbo “haver” não se conjuga no plural, neste contexto, nem o seu auxiliar.
- O político não “interviu”… “interveio”, tal como “eu intervim” e não “intervi”.
- … E “concerteza” é “com certeza”, tal como “benvindo” é “bem-vindo”.
Fotografia: litografia de Vito Acconci, 1999.



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Germano Almeida says
Completamente de acordo. Bjs.