O jornalismo não acaba aqui.

O debate em torno do fim do jornalismo tornou-se uma tendência, menosprezando, por vezes, aquilo que verdadeiramente importa nesta problemática.  Não posso concordar com este pessimismo gratuito e superficial que tem contribuído para o aumento da precariedade profissional. É a auto-estima dos jornalistas que baixa e a própria função social da profissão que é posta em causa; são alguns empregadores que se aproveitam disso e da crise para aumentar a precariedade; são também os actores do marketing e da comunicação que tornam supostas fronteiras nublosas.

É, sim, um facto de que o jornalismo “como o conhecemos até agora” pode estar em vias de extinção. Porém, isso não significa que a profissão acabe. É quase um cliché dizer isto, mas, se o advento da internet e das redes sociais tornaram os cidadãos editores e criadores de media, tal não significa que saibam exercer a profissão de jornalista. Claro que os jornalistas têm, cada vez mais – e isto não é uma ironia –, de defender a necessidade de existirem, de praticarem um bom jornalismo e de se adaptarem aos novos modelos comunicacionais. Em vez de debatermos o “final” do jornalismo, por que não centrarmo-nos no “novo” jornalismo?

Aflorei este assunto (voltarei ao mesmo mais tarde) a propósito da preocupação de uma futura jovem jornalista do primeiro ano da faculdade que pensa que a sua profissão vai acabar e de um artigo publicado hoje no Guardian, intitulado “End of Journalism As We Know It”, por Kevin Marsh. “Como cidadãos, parecemos, por vezes, gostar da ideia de o jornalismo estar em crise” é o mote do artigo. De leitura obrigatória.

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