Criadores # entrevista com Joana Ribeiro

 (26/10/2011) A Natureza tem estado sempre presente nas suas criações, conceito que Joana Ribeiro agarrou ainda durante o programa Erasmus, que fez em Antuérpia (Bélgica), no âmbito da licenciatura em Design de Joalharia. A aposta valeu-lhe o prémio de Jovem Criadora 2009, na categoria de Joalharia, com a colecção “Anellus Naturalis”; a presença, em 2010, na Mostra POPs – Projectos Originais Portugueses do Museu Serralves; e o terceiro prémio na categoria Inovação no Concurso Vip Jóias, com o anel “Ruber Folium”, que recebeu em 2011.

 É uma criadora com garra. Como as suas jóias.

 

A Joana venceu o concurso Jovens Criadores’09, na categoria de Joalharia, com a colecção “Anellus Naturalis”. Foi esse prémio que a impulsionou para o mercado?

O concurso Jovens Criadores deu-me motivação para apostar no meu trabalho. Tinha saído meses antes da faculdade e não sabia bem o que fazer. Ao receber o prémio, senti que o meu trabalho talvez tivesse pernas para andar e decidi arriscar. Comecei por participar mensalmente na feira  da Rua da Galeria de Paris, no Porto, para avaliar o impacto do meu trabalho junto do público. Felizmente, as críticas foram positivas e o que começou por ser uma colecção de oito anéis acabou por se tornar numa vasta colecção de brincos, colares, pregadeiras e, recentemente, bandoletes.

Apesar de o concurso Jovens Criadores’09 ter sido o primeiro impulso no crescimento do meu trabalho, foi com o terceiro prémio no Concurso VIPJóias que senti que devia lançar-me verdadeiramente no mercado. Este reconhecimento fez com que o meu trabalho tivesse alguma visibilidade na imprensa. Infelizmente, sinto que muitas pessoas apenas arriscam na compra de novos produtos quando os vêem na imprensa. Antes, ignoram-nos ou são mesmo capazes de os criticar; porém, quando são mais “mediáticos”, o interesse aumenta. 

 

Tem um estilo muito marcado, ligado intimamente à Natureza, ao orgânico… Considera que um criador se deve diferenciar pelo conceito das suas jóias, em vez de tentar agradar a um público mais vasto?

Sou contra as marcas que procuram apenas fazer aquilo que está na moda e tentam agradar a todos, mesmo que isso signifique não ter identidade ou roubar a identidade dos outros. Para mim, um criador ou uma marca tem de ter a sua identidade muito bem definida. Claro que, como designer, sei que por vezes não vendo tanto como gostaria por não me sujeitar a fazer certos trabalhos, mas isso tem que ver com o meu eu enquanto criadora.

A minha imagem como designer de jóias é e será sempre vista como “a menina das plantinhas” como muita gente ainda me chama em exposições ou feiras. Ao perceber o impacto que a minha colecção inicial teve, decidi que estaria sempre ligada ao orgânico, fosse de forma literal fosse em pequenos apontamentos. Hoje, a natureza e o orgânico fazem parte da imagem da minha marca.

 

Que materiais privilegia?

As minhas peças são todas em prata; todavia, não dispenso os apontamentos de cor. Adoro cor! Seja ela dada por pedras, por tintas, acabamentos ou esmaltes, a cor e a mistura de materiais predominarão sempre no meu trabalho.

 

Como começou a sua aventura pelo design de joalharia?

Desde muito nova que me senti vocacionada para as artes plásticas. Em miúda criava os meus próprios acessórios e vendia-os, inclusive. No ensino secundário, estive indecisa entre Design de Moda e Design de Joalharia, mas após um curso de Verão no CITEX, decidi que a Moda não era bem o que queria… Assim, inscrevi-me na Licenciatura de Design de Joalharia na Esad [Escola Superior de Artes e Design] e, posteriormente, fiz o Mestrado em Produto na mesma instituição.

 

Consegue fazer dele a sua actividade principal?

Infelizmente, não. Volta e meia, arranjo trabalhos de curta duração para conseguir investir na minha marca. Este ano fui recenseadora nos CENSOS 2011 e, mais recentemente, trabalhei numa loja de joalharia e relojoaria como colaboradora. Esse tipo de trabalhos não me incomoda, mas revolta-me um pouco ver pessoas a comprar peças fracas, pelas quais dão valores astronómicos, e a subestimarem o que é nacional. Lamentavelmente, os portugueses ainda acham que o que é estrangeiro é bom. Embora invistam valores astronómicos em peças decorrentes de campanhas agressivas de marcas, são os primeiros a considerarem “caro” uma peça de autor por 65 Euros, chegando mesmo a pedir um desconto!

 

Em que colecção se encontra a trabalhar?

Actualmente, estou a realizar a colecção “Lapidum Natura, que alia o brilho das pedras a delicados detalhes da Natureza. É uma colecção mais minimalista, para mulheres mais delicadas, que procuram peças mais discretas mas, mesmo assim, com impacto.

 A minha colecção anterior foi criada para mulheres com garra, mulheres que gostam de falar em público, que apreciam anéis grandes e vistosos e gostam de ser vistas. “Lapidum Natura começou pela desconstrução da colecção “Anellus Naturalis”. Desta forma, procuro ter uma colecção com mais força e outra mais delicada e com brilho. 

 

A Joana aposta muito na comunicação da sua marca (uma marca de autor) e nas redes sociais, inclusive. Acha que um maior envolvimento do criador no processo de divulgação da sua obra é essencial para o reconhecimento do público?

Acho fundamental comunicar a nossa marca. Na minha perspectiva, as pessoas são bombardeadas actualmente por tanta informação, os jornalistas já tropeçam em tantos acontecimentos e em tantas pessoas… Por que não fazer com que tropecem em nós? Nas redes sociais, todos temos uma voz. Podemos divulgar as nossas tristezas, as nossas músicas favoritas… Por que não mostrar jóias? Eu gosto de estar próxima das minhas clientes, de poder falar com elas sobre a sua encomenda em particular, explicar detalhes, tirar dúvidas… Claro que isso exige tempo e disponibilidade; contudo, acho fundamental para marcarmos a diferença e sermos “escolhidos” como marca por alguém. Todo o meu crescimento como marca e a minha divulgação na imprensa escrita têm tido como base as redes sociais. Sei que posso fazer mais e vou continuar a investir nas ferramentas digitais.

 

Onde podemos encontrar as suas jóias?

Possuo peças em Esposende, na loja Projecto Contrário; em Santa Maria da Feira, na loja IvoMaia Designers; em Lisboa, no espaço Original Lisboa. Também aceito encomendas através do e-mail designer@joanaribeirojoalharia.com.

 

As peças de Joana Ribeiro podem ser admiradas no seu site ou no facebook.

 

Nota: todos os créditos das imagens estão associados a Joana Ribeiro Joalharia.

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