8a7fc0ac86dc9af6e4e9d1138cd729c1

Onde encontrar inspiração para criar?

(03/01/2012) No dia-a-dia, tenho um bloco de notas do qual nunca me separo. As ideias para um artigo podem aparecer em qualquer altura: numa esplanada, em conversa com amigos ou na fila do supermercado. No entanto, tenho de admitir que mais de dois terços da inspiração provêm precisamente de outros artigos publicados quer em meios de comunicação quer em blogues e páginas do Facebook.

O difícil não é encontrar as fontes de inspiração. É saber identificá-las e potenciá-las.

A propósito de ideias, alguns criadores de topo de várias indústrias criativas revelaram ao Guardian quais são as suas fontes de inspiração e como as aproveitam ao máximo.

Imagem: é da autoria de Jack e faz parte de uma série de fotografias que retratam o seu pai.

quadrado preto

As artes e ofícios portugueses estão de luto

Era presidente da Federação Portuguesa de Artes e Ofícios e da Associação de Artesãos da Região do Norte, designer e um grande, grande amigo. Os criadores portugueses devem-lhe muito e merece ser lembrado pela sua entrega total (a troco de poucas horas de sono, muito tabaco, porventura fatais para o seu coração, e um ordenado injusto) às artes e ofícios portugueses. Miguel Oliveira faleceu Domingo à noite, de ataque cardíaco.

Conheci-o há cerca de oito anos. Tinha trinta e poucos anos e estava a tentar entrar no ensino superior. Eu dava, na altura, formação em técnicas de expressão escrita, e o Miguel frequentou o curso para se candidatar ao exame ad hoc. Conseguiu ingressar em Design na ESAD de Matosinhos. Um ano mais tarde, encontrei-o por acaso e começou aí uma parceria de trabalho que durou mais de dois anos, com o objectivo de divulgar o artesanato e apoiar os criadores portugueses, através de fundos comunitários. Eu apenas contribuí com competências editoriais – apenas, porque foi durante esse período que tive o privilégio e a tristeza de experienciar o quanto a dedicação extrema a uma causa pode gerar em sofrimento. Miguel deu tudo: projectou as artes e ofícios internacionalmente, contribuiu para a legalização dos artesãos, potenciou a Artesanatus (feira internacional de artes e ofícios do Porto), fez das histórias dos artesãos livros… E, em troca, recebia, por vezes, a incompreensão de pessoas, que exigiam ainda mais… Entretanto, os apoios decresciam e a crise do país encostava as artes e ofícios à porta de uma sala de arrumos.

Por isso tudo, nos últimos anos, estava muito cansado. Queria desistir não dos criadores, mas das politiquices culturais. Abriu um atelier de design com dois colegas de faculdade, estava a tirar o mestrado em design ecológico e a sua motivação actual era construir um abrigo nocturno reciclado para os sem-abrigo. Há cerca de um mês, quando fui ao Porto em trabalho, confidenciou-me novamente que ia desistir do associativismo cultural. Como já mo tinha dito tantas vezes, nem lhe dei conversa. Agora, foi obrigado a desistir.

lenco_1950

Quero (mais) um destes, por favor

Se é para oferecer prendas no Dia de São Valentim, então que contem uma história. Os Lenços dos Namorados são tipicamente portugueses (da região minhota) e remontam aos séculos XVII e XVIII. Eram bordados pelas raparigas enamoradas que pretendiam conquistar determinado rapaz. Os motivos e as inscrições verbais eram muito variados, mas acabavam sempre por representar o amor, a felicidade e a amizade. Se os “conversados” exibissem publicamente o lenço por cima do seu casaco domingueiro, isso significava a oficialização da ligação amorosa ou do namoro.

Não é fácil encontrar estes Lenços dos Namorados em Lisboa. Descobri-os, por acaso, no Atelier 55, uma loja na rua do Teatro São Luís (R. António Maria Cardoso), que reúne artesanato tradicional e contemporâneo. Vale uma visita pela qualidade e diversidade de criadores representados.

Artesanatus 2009 – 5 a 23 de Dezembro, na Praça D. João I (Porto)

A edição 2009 da Artesanatus – uma das feiras de artes e ofícios mais importantes do país – está patente desta vez durante 19 dias, entre 5 e 23 de Dezembro, na Praça D. João I, no Porto. Este certamente anual é reconhecido pela qualidade dos criadores presentes e pelo equilíbrio entre artesanato tradicional e contemporâneo, promovido pela entidade organização – AARN.

Expositores (por organização de stands): Carla Mota (cerâmica), Bbbicho (bordados), Manuel Graça (registos), Ecolã (vestuário), Atelier S. Miguel (cerâmica figurativa), Iolanda (cerâmica), Dionísio (pasta de papel), Cor Mel (velas e acessórios), Perfumeu (sabonetes e perfumes), Júlia e Gabriel (brinquedos em madeira), Com Torno (mobiliário em madeira), Cousas em Couro (artigos em couro), Madalena Nogueira (bordados), Floris’bela (pasta de porcelana), Art. Castelo Daire (linho, lã e burel), Olaria Bulhão (cerâmica alentejana), José Santos / José Sousa (filigrana e talha em madeira), Sofia Ribeiro (esmaltes), Carlos Reis (marionetas em madeira), Loja da Villa (bordados de Castelo Branco), Atelier de Burel (burel), Delfim Manuel (cerâmica figurativa), Isilda Parente (bordados de Viana), Liliana Guerreiro (joalharia de autor), Guida Fonseca (tecelagem), C. M. Lousã (escultura em madeira), Olga Barradas (bordados e trapologia), Inventarte.com (mobiliário infantil), Tito Quitério (calçado em pele), Vânia Kosta (trapologia), Tapetes Beiras (tapeçaria), A Oficina (bordados / cerâmicas), Evaristo Silva (cerâmica pintada), Sr.ª Carica (acessórios de moda), Arca do Mosquité (cerâmica contemporânea), Art & Fusing (vitrofusão), Delfina Salvadores (lãs poveiras), Júlia Ramalho (cerâmica figurativa), Assis Rego (bordados da Lixa), Beatriz Sendim (trapologia), Projecto A 2 (cerâmica contemporânea), Arminda Mendez (acrílicos), Lima. Xana (cerâmica contemporânea), Arte de Feltro (feltros e lãs), Art. Mirandês (burel), Isabel Lacerda (cerâmica contemporânea), Sílvia Carola (artigos em pele), Leriprata (ourivesaria).

Artesanatus 2008 V – Júlia Ramalho (figurado cerâmico)

julia_ramalhoEx-libris do artesanato tradicional, em particular do figurado de Barcelos, Júlia Ramalho, neta da conceituada Rosa Ramalho, é uma referência nacional e internacional (é entusiasmante o interesse que os coleccionadores estrangeiros têm pela sua obra). As suas peças reflectem uma visão metafórica e hiperbólica de um ambiente popular, impregnado de mitos regionais, detalhes do quotidiano e versões religiosas. É um imaginário libertador, onde é possível conjugar o divino e o profano, as crenças e os sonhos.

 

Modeladas em barro branco (faiança), as personagens de Júlia Ramalho têm um acabamento vidrado que oscila entre os tons de mel e castanho, manifestação estética sua, por excelência.

 

 

Júlia Ramalho está presente na Artesanatus 2008, até 21 de Dezembro, na Praça D. João I, no Porto.

Artesanatus 2008 IV – Projecto A2 (Cerâmica e Azulejaria Contemporâneas)

projectoa2_serie_murosSão artesãos-designers que expressam a relação entre os sentidos e o mundo através da cerâmica. Cristina Vilarinho e Alberto Azevedo apostam na versatilidade enquanto elemento criativo diferenciador quer nos materiais usados quer na sua execução. Resultam, assim, peças de azulejaria clássica e contemporânea, objectos em porcelana ou grés, murais cerâmicos e séries submetidas à ilustração, à serigrafia ou ao design enquanto disciplina conceptual.

 

 

projectoa2_serie_gresO Projecto A2 está presente na Artesanatus 2008, até 21 de Dezembro, na Praça D. João I, no Porto.

 

 

Foto 1: série “muros”

Foto 2: série “grés”

Artesanatus 2008 III – Isilda Parente (bordados de Viana)

imagem21Japoneiras (camélias estilizadas com centro em crivo), silvas e corações. Apontamentos de azul e vermelho. Este é o mundo de Isilda Parente, bordado a linho e a algodão.

 

Os bordados tradicionais de Viana do Castelo são apreciados em todo o mundo (mais do que no nosso país) pelo seu legado histórico, pela minúcia dos pontos e pela aplicação destes nos famosos lenços dos namorados, que as raparigas ofereciam aos rapazes quando o namoro “se tornava sério”.

 

Alguns dos bordados que Isilda Parente executa desfilaram já nas passerelles das principais capitais da moda, através das criações do estilista portuense Nuno Gama.

 

(Isilda Parente vai estar presente na Artesanatus 2008, entre 12 e 21 de Dezembro, na Praça D. João I, no Porto.)

Artesanatus 2008 (e o começo de uma viagem)

artesanatus-2008As artes e ofícios portugueses integram não só as expressões tradicionais (como o figurado de Barcelos, os bordados de Castelo Branco, a latoaria de Vila Real ou o mobiliário de Évora), mas também as criações contemporâneas de artesãos – denominados, actualmente, ceramistas, designers de jóias, ou, simplesmente, criadores, por uma questão de mercado e, compreensivelmente, para combater a noção errada que o público tem dos artesãos (sem o domínio da técnica, agarrados ao passado e às suas oficinas de aldeia, o que está cada vez mais longe da realidade).

 

Este apontamento surge a propósito da próxima Feira de Artes e Ofícios – a Artesanatus 2008 – que decorrerá entre 12 e 21 de Dezembro na Praça D. João I, no Porto. Este evento – um dos principais da área no país – é da responsabilidade da Associação de Artesãos da Região Norte. A sua crescente dimensão (a par com a participação portuguesa em certamees internacionais) deve-se ao esforço de poucos  ? em particular do presidente desta iniciativa, Miguel Oliveira ? para desenvolver as Artes e Ofícios, aos quais têm sido feitos sucessivos cortes orçamentais.

 

Aproveitando este certame, divulgarei neste blogue alguns trabalhos de artesãos, os quais tive oportunidade, nos últimos anos, de entrevistar ou, simplesmente, conhecer. Siga, para isso, a tag “Artes e Ofícios”.