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5 cidades. 366 dias. 366 mulheres. 366 filmes.

(22/02/2012) “All the Women – A Film Experience” é uma narrativa multimédia criada por Pablo Maqueda para celebrar as mulheres do século XXI. Lançado no dia 1 de Janeiro, o projecto está dividido em 366 curtas de um minuto, que vão sendo colocadas diariamente no Facebook e no Twitter, preenchendo todos os dias de 2012. Cada curta é dedicada a uma mulher anónima de uma das cinco cidades percorridas por Maqueda em 2011 (Tóquio, Londres, Madrid, Nova Iorque e Paris).

Vejam o trailer aqui…

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Onde encontrar inspiração para criar?

(03/01/2012) No dia-a-dia, tenho um bloco de notas do qual nunca me separo. As ideias para um artigo podem aparecer em qualquer altura: numa esplanada, em conversa com amigos ou na fila do supermercado. No entanto, tenho de admitir que mais de dois terços da inspiração provêm precisamente de outros artigos publicados quer em meios de comunicação quer em blogues e páginas do Facebook.

O difícil não é encontrar as fontes de inspiração. É saber identificá-las e potenciá-las.

A propósito de ideias, alguns criadores de topo de várias indústrias criativas revelaram ao Guardian quais são as suas fontes de inspiração e como as aproveitam ao máximo.

Imagem: é da autoria de Jack e faz parte de uma série de fotografias que retratam o seu pai.

Livros # Cinema Português – Um País Imaginado

(5/12/2011) “Cinema Português – Um País Imaginado”, de Leonor Areal, faz uma abordagem diacrónica do cinema português da segunda metade do século XX, incidindo exaustivamente nos filmes das décadas de 50, 60 e 70, e estendendo alguns ramos pelos anos 80 e 90. A sessão de apresentação dos dois volumes realiza-se na próxima sexta-feira, dia 9 de Dezembro, às 18h00, na livraria Babel da Cinemateca Portuguesa.

Kilombos: um filme-resgate sobre o Brasil quilombola

(22/11/2011) Filmado no Brasil, na Guiné-Bissau e em Cabo Verde, o documentário “Kilombos”, realizado por Paulo Nuno Vicente, transporta-nos pela memória oral das raízes africanas das comunidades quilombolas, cruzando-as com o território das suas manifestações culturais contemporâneas. A estreia do filme está agendada para 7 de Março de 2012, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Até lá, é possível aceder aqui a um apontamento escrito e fotográfico criado pelo realizador.

Paulo Nuno Vicente é bolseiro de Doutoramento do Programa UT Austin | Portugal – Digital Media e autor dos documentários “Construir o Paraíso Aqui” (2009), “Triângulos Imperfeitos” (2010) e “Kilombos” (2012).

Curta-metragem é o tema da nova edição da revista Drama

(01/03/2011) [Via Indústrias Culturais] A Drama, revista semestral de cinema e teatro, acaba de disponibilizar on-line a sua terceira edição, dedicada à curta-metragem. Destacam-se as entrevistas com  Richard Raskin, autor do livro The Art of the Short Fiction Film: A Shot by Shot Study of Nine Modern Classics, Paul Wells, estudioso do cinema de animação, e Miguel Dias, director do Festival de Curtas de Vila de Conde. João Nunes, Gonçalo Galvão Teles e Ricardo Oliveira assinam artigos muito interessantes.

Estudo Obercom: “Cinema nos Múltiplos Ecrãs”

(04/02/2011) O consumo de cinema pelos portugueses não mudou muito nos últimos dois anos, de acordo com o mais recente relatório do Observatório de Comunicação, intitulado “Cinema nos Múltiplos Ecrãs”.

Os respectivos indicadores confirmam as tendências já antes evidenciadas na edição de 2008: a televisão continua a ser a plataforma mais utilizada para consumo de filmes, seguida pelo DVD e pelas salas de cinema. Mantêm-se assimetrias no consumo de cinema que se evidenciam no cruzamento com a escolaridade, a idade e a região, e também com o género. Os filmes de produção nacional apresentam maior taxa de consumo na televisão e, nessa plataforma, pelas faixas de público com menor grau de escolaridade – dado que parece sugerir a importância de factores facilitadores combinados (tecnológicos e linguísticos) no acesso deste segmento da população aos filmes. Os resultados do inquérito sugerem ainda a pertinência de se explorar futuramente as relações entre a actividade cinematográfica e outros sectores da cultura e da economia, em particular o do turismo.

Fonte: Obercom

Recomeçou a minha corrida aos Óscares:”Biutiful”

(31/01/2011) Há uns meses  tive a ousadia de dizer que “Origem” era o fime do ano. No entanto, agora que estamos numa das minhas épocas preferidas para ir ao cinema, porque há de facto um leque de bons filmes para ver (não só por cauda dos Óscares, mas devido ao próprio calendário cinematográfico), começo a ver, com prazer, que “Origem” tem adversários à altura.

A minha “corrida” aos Óscares recomeçou neste Sábado, com Biutiful. Javier Barden está igual a si próprio, isto é, genial (tão bom como em “Mar Adentro“). Mas a quase genialidade do filme é outra. Há algum tempo que não via um filme tão “completo”: um argumento que explora, naturalmente, sem pressões ou artifícios, o conceito de família e de perda, as vidas marginais de Barcelona, a exploração dos trabalhadores imigrantes, os meandros das vendas ilegais, a homossexualidade entre chineses, a bipolaridade, o cancro da próstata, a habilidade de ouvir os mortos, mas, acima de tudo, o submundo de Babel, aquele que sufoca e não deixa quem dele quer sair –  a lei do caos.

Acho, no entanto, que faltou à criatividade de Alejandro González Iñárritu o elo asifixiante que o argumentista Guillermo Arriaga imprimiu em todos os filmes que fizeram juntos, como “Amor Cão“, “21 gramas” e “Babel“, a começar pelo próprio título. Como já vem sendo hábito, encontrei no blog Ante-Cinema uma das críticas mais eficientes ao filme.

Próximos filmes a ver: “127 Horas“, “O Discurso do Rei” e “Cisne Negro“. Fora do circuito dos óscares, não se esqueçam de que há filmes  a não perder, em Fevereiro, na Cinemateca, entre os quais Liebelei, de Max Ophuls (dia 4, às 15h30), e El Angel Exterminador, de Luis Buñuel (dia 15, às 21h30).

 

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Alvalade Cultural no Cinema City

Já era um dos meus cinemas de eleição (tem um cartaz interessante, uns pequenos-almoços apetecíveis e está a 10 minutos a pé de casa); agora, o Cinema City Alvalade está a apostar também numa agenda cultural diversificada: às quartas-feiras (começa já amanhã, dia 28 de Julho, às 22h00) são projectadas curtas-metragens seguidas de debates entre os realizadores e o público; às quintas-feiras, há espectáculos de Stand Up Comedy (começa no dia 5 de Agosto); as terças e as sextas são dedicadas, respectivamente, à leitura e à música ao vivo.

A entrada é livre.

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A Origem (Inception) – Este é o filme do ano

Será o filme do ano. Sem dúvida. E já estou com as mãos no fogo.

Christopher Nolan reinventa novamente o cinema. A complexidade do argumento (escrito pelo próprio) e a tarefa bem-sucedida de pegar num conceito fantástico e conseguir agarrá-lo, sem falhas, até o final, são, só por si, razões para que, no futuro, “A origem” se torne num fenómeno de culto.

Leiam aqui a melhor crítica (e na qual me revejo totalmente) do filme publicada até agora. Não a encontrei num jornal de referência. Encontrei-a numa publicação online “indie” de referência.

Ponto fraco: a tradução do título de filme é um tremendo acto falhado.

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Óscares 2010: sem surpresas

Já se esperava a vitória de Kathryn Bigelow (a primeira mulher a ganhar o óscar para melhor realização) e a consequente derrota do seu ex-marido, James Cameron (os Bafta 2010 lançaram o isco há cerca de um mês). As grandes surpresas para mim foram precisamente nas categorias de “Melhor actor principal” e “Melhor actriz principal”: esperava que ganhasse Colin Firth, num papel extraordinário em “Um Homem Singular”, e Carey Mulligan pelo filme “Um outra educação”.

Melhor Filme
Estado de Guerra
Melhor Actor
Jeff Bridges, Crazy Heart
Actriz Secundária
Mo’Nique, Precious
Argumento Adaptado
Geoffrey Fletcher, Precious
Filme de Animação
Up, Pete Docter
Melhor Guarda-Roupa
The Young Victoria
Melhor Maquilhagem
Star Treck
Melhor Cinematografia
Avatar
Efeitos Visuais
Avatar
Edição de Som
Estado de Guerra
Mistura de Som
Estado de Guerra
Edição de Filme
Estado de Guerra

 

Melhor Actriz
Sandra Bullock, The Blind Side

Melhor Realizador
Kathryn Bigelow, The Hurt Locker

Melhor Filme Estrangeiro
El Secreto de Sus Ojos, Argentina

Actor Secundário
Christoph Waltz, Sacanas Sem Lei

Argumento Original
Mark Boal, Estado de Guerra

Direcção Artística
Avatar

Melhor Documentário
The Cove

Banda-sonora Original
Up

Canção Original
The Weary Kind, Crazy Heart

Fotografia: epa

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É hoje.

É hoje. Não estou a falar daquelas decisões do tipo “É hoje que vou sair a horas do trabalho” ou “É hoje que vou parar de comer açúcar”. É hoje que vou ver “Alice no País das Maravilhas”.

Esta altura do ano é, na minha opinião, a que estreia os melhores filmes. E começa hoje o rol (não, não começou com Shutter Island, um pouco abaixo das minhas expectativas modestas).

BAFTA

Vencedores dos Bafta Awards

Não é à toa que os BAFTA Awards, prémios britânicos de cinema, têm alcançado protagonismo. Realizam-se duas semanas antes dos Óscares de Hollywood, têm uma máquina mediática eficaz, consagração internacional e o apoio da família real britânica. A BAFTA (The British Academy of Film and Television Arts) tem cerca de 6.500 membros, cujos decisores são considerados expoentes máximos do cinema, da televisão e dos videojogos. Além dos prémios de cinema, são realizadas anualmente mais quatro cerimónias de entrega de prémios para melhores videojogos, melhores produções televisivas, melhores produções de cinema e televisão para crianças e melhores criadores para televisão (ou “craft television”, um prémio que premeia os que estão nos bastidores da TV).

Neste Domingo, o filme “Estado de Guerra” de Kathryn Bigelow foi o grande vencedor dos BAFTA 2010, ao arrecadar seis prémios – melhor filme, realização, argumento original, fotografia, montagem e som (tem nove nomeações para os Óscares).

Colin Firth foi eleito o melhor actor principal em “Um homem singular” e Carey Mulligan recebeu o BAFTA para melhor actriz principal por “Uma outra educação”. Os BAFTA para melhores actores secundários foram para Christoph Waltz (“Sacanas sem Lei”) e Mo´Nique (“Precious”). “Avatar” arrecadou apenas dois BAFTA em categorias técnicas.

 Kristen Stewart, protagonista da saga de vampiros “Twilight”, foi eleita pelo público a actriz revelação. Vanessa Redgrave recebeu o prémio carreira.

Fotografia: www.bafta.org

Morreu Éric Rohmer

O realizador francês Éric Rohmer, um dos fundadores da Nouvelle Vague, morreu hoje, aos 89 anos.

À semelhança dos grandes cineastas franceses desta época, os seus filmes são odiados ou amados. É quase impossível gostar “mais ou menos”. “A Inglesa e o Duque” (2001), odiado por muitos, e os seus “contos” das quatro estações do ano são os meus filmes preferidos.

A filmografia integral pode ser consultada aqui.

The Portfolio Project promove ciclo de cinema e fotografia

 William Klein, Raymond Depardon, Agnès Varda e David LaChapelle são alguns dos cineastas – também fotógrafos – que integram o primeiro trimestre do ciclo de cinema e fotografia “5.ª de imagens”, promovido pelo The Portfolio Project e a Casa da Esquina ao longo de 2010. O evento arranca no próximo dia 7 de Janeiro, às 22h, com a projecção do filme “Le Messie” de William Klein.

Os meses seguintes incluem documentários sobre consagrados fotógrafos internacionais, entre os quais Henri-Cartier Bresson, Robert Doisneau, Annie Leibovitz, Leni Riefenstahl, Nobuyoshi Araki e James Nachtwey. As sessões decorrem sempre às quintas-feiras, na Casa da Esquina, em Coimbra. Aceda à programação aqui.

4.ª edição da Panorama – inscrições até 12 de Novembro

apordocAcabam na próxima quinta-feira, dia 12, as inscrições para a Panorama – 4.ª Mostra do Documentário Português. Organizada pela Apordoc – Associação pelo Documentário e a EGEAC, a mostra, não-competitiva, constitui um espaço de observação e reflexão sobre o documentário feito em Portugal ou por portugueses. As inscrições estão abertas a filmes produzidos depois de Novembro de 2008. Consulte toda a informação aqui.

Hoje, apetecia-me ver isto…

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Emanuel Ungaro no Estoril Film Festival

Emanuel Ungaro, um dois maiores criadores de moda do mundo, está hoje presente no Estoril Film Festival, no Centro de Congressos do Estoril. A sua intervenção,  prevista para as 21h00, é subordinada ao tema “Quem dita a moda: Os criadores ou as revistas de moda?”. O mote é dado por September Issue de R.J. Cutler, o polémico documentário que retrata a edição da Vogue de Setembro de 2007 pela editora Anna Wintour. Estreia em Portugal, hoje, às 19h30, no mesmo espaço.

 Aceda ao programa do Estoril Film Festival aqui.

Em “bom português”: “Um amor de perdição” não está nomeado para os Óscares

um-amor-de-perdicao-foto-150x150Ao contrário do que adiantaram algumas notícias, o filme de Mário Barroso – Amor de Perdição – não está nomeado para os próximos Óscares. É, sim, o filme proposto por Portugal à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos a uma nomeação para o Óscar de “Melhor Filme Estrangeiro”.

Tal como acontece todos os anos, Portugal elege um filme entre a produção nacional estreada, neste caso, entre Outubro de 2008 e Setembro de 2009, para submeter ao primeiro escrutínio dos Óscares. No entanto, há a possibilidade de o novo filme de Joaquim Leitão, “A esperança está onde menos se espera”, não ter ainda sido apreciado pelo júri, o que pode alterar a decisão.

Mário Barroso já viu outro filme seu ser escolhido para representar Portugal na candidatura aos Óscares – “O Milagre segundo Salomé”, em 2004.

3.º MOTELx ? 5 motivos para assistir aos 5 dias do festival

motelx09_cartaz_sTrace um “x” em todos os compromissos lúdicos dos próximos 5 dias (nem mesmo o Dinamarca-Portugal se sobrepõe, embora exista a possibilidade de se transformar numa longa-metragem de terror) e alugue um quarto no MOTELx, “ex”-Cinema São Jorge, em Lisboa, entre 2 e 6 de Setembro, para assistir à III edição deste Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa.

 Alcançada a fase de maturidade, este ano arrisca-se a ser o melhor da curta vida do MOTELx, organizado pelo CTLX – Cineclube de Terror de Lisboa. Secções novas, 24 filmes inéditos em Portugal, as presenças de Stuart Gordon e de John Landis, realizador de “Thriller” (bem a propósito) e um cine-concerto compõem o cartaz. Como não faltam motivos para assistir, escolho os 5 melhores, com base nas sugestões de João Monteiro, um dos organizadores do festival.

 

1. “Serviço de Quarto” com 24 filmes inéditos no país

A secção principal do festival apresenta 24 longas-metragens inéditas em Portugal, produzidas entre 2007 e 2009, com forte representação da produção europeia e asiática. Destacam-se Rogue, de Greg MacLean, que inaugura o festival, quarta-feira, às 21h45, o tailandês 4BIA (sexta-feira, 24h00), o indonésio Macabre (Sábado, 24h00) ou o polémico The Children (Domingo, 19h00). 

2. “A dança dos paroxismos” ao som de Legendary Tiger Man e Rita Redshoes  

A nova secção do MOTELx – “Quarto Perdido” – resulta de uma extensa pesquisa levada a cabo pela Organização na Cinemateca dos melhores filmes portugueses de terror. Uma dessas relíquias é “A dança dos paroxismos”, realizado por Jorge Brum do Canto em 1929, que, segundo João Monteiro, pode ser considerado o primeiro filme experimental de terror nacional. Baseado numa lenda nórdica, o filme retoma o poema “Les Elfes” de Leconte de Lisle. É apresentado numa sessão especial, quinta-feira, às 21h45,  com a interpretação ao vivo da dupla Legendary Tiger Man e Rita Redshoes, que compõs a banda sonora original para esta longa-metragem (muda).

 3.  “Fazer rir e meter medo” com John Landis e Stuart Gordon

Mais conhecido do público em geral por ter realizado o videoclip de Michael Jackson “Thriller” (1981), John Landis, um dos convidados do MOTELx, é para os aficcionados do género o homem do clássico “Um lobisomem americano em Londres”. A versão remasterizada tem exibição no sábado, às 21h45. A secção “O Culto dos Mestres Vivos” conta também com outro convidado de honra, Stuart Gordon, criador do arrepiante “Re-Animator” (1985), que decorre na sexta-feira, às 21h45.

4.  Viva la Muerte! Autopsie du Nouveau Cinéma Fantastique Espagnol 

Uma investigação do jornalista Yves Montmayeur sobre a tendência do cinema de terror em Espanha culminou no filme “Viva la Muerte! Autopsie du Nouveau Cinéma Fantastique Espagnol” que estreia mundialmente no MOTELx, sexta-feira, às 19h30. A sessão, integrada na secção “Doc Terror”, conta com a presença de Yves Montmayeur. 

5.  Competição de curtas-metragens portuguesas

O 1.º Prémio Motelx para a Melhor Curta de Terror Portuguesa 2009, outra novidade do Festival, tem 14 curtas em competição, exibidas nos últimos três dias, às 15h. A Melhor Curta de Terror Portuguesa 2009, escolhida por um júri composto por António de Macedo, Tiago Guedes e Yves Montmayeur, recebe o valor pecuniário de 1.500 Euros e encerra o festival, Domingo, às 21h45.

Consulte

Site oficial do MOTELx

Blogue do MOTELx

Programação (.pdf)

Horários (.pdf)

As praias de Agnès (em exibição no CinemaCity de Alvalade)

c-plages01-g“Conheci” Agnès Varda através do seu documentário “Respigadores e Respigadora”, um dos mais belos do género. Provavelmente por isso fiquei à espera de mais neste seu filme autobiográfico, uma collage de vários momentos da sua vida enquadrados em intermezzos bem ao seu estilo. Não deixa de ser precioso  – afinal, é Agnès Varda e parece quase sacrilégio discordar dos melhores críticos de cinema portugueses que lhe atribuíram nota máxima. Este documentário prova, no entanto, que a sua formação é mesmo fotográfica e muitas sequências privilegiam a imagem à narrativa – os espelhos assim o reflectem logo no início.

 Será que Lauro António pensa o mesmo? Vi-o na última fila, ontem, no único cinema que está a exibir o filme (Cinema City Alvalade) e não tive oportunidade de o cumprimentar. Fica um abraço.

Para saber mais sobre Agnès Varda, leia estes artigos publicados no Ípsilon e no Cinecartaz, ambos do Público.

Cinema português na Magnética Magazine

magnetica_6Só ontem tive oportunidade de “folhear” (há que arranjar um verbo português que exprima a sensação de folhear virtualmente) a edição de Maio da Magnética Magazine, dedicada ao cinema português.

De uma forma “light” ou, melhor, “lite” (a propósito da cultura “lite”, está no prelo o n.º 6 da revista Comunicação & Cultura, uma publicação da Universidade Católica Portuguesa, editada pela Quimera Editores, dedicada inteiramente a este tema), a Magnética Magazine fez “dez escolhas subjectivas” do que se filmou em Portugal nos últimos cem anos, mas, poder-se-á dizer, paradigmáticas. A ler também a reportagem sobre a Conserveira de Lisboa.

João Bénard da Costa (1935-2009)

blackRecordo Bénard da Costa com algum carinho, pela sua dedicação à Cinemateca, e, sobretudo, pela atenção que dava aos seus espectadores. Eram frequentes as vezes que os bilhetes para certos filmes esgotavam (principalmente aqueles sugeridos pelo Prof. João Mário Grilo na cadeira de “Filmologia”, já lá vão dez ou onze anos), e o próprio João Bénard da Costa abria as portas da sala e nos deixava entrar para assistir na mesma, sentados ao longo da escadaria.

Foi graças à Cinemateca, a Bénard da Costa e ao João Fagundes, que continuou a frequentar as escadas, que comecei a “apreciar” cinema.

Faleceu hoje. O funeral é amanhã, sexta-feira à tarde, no Cemitério dos Olivais.

11 a 20 de Maio :: Ciclo de cinema Arnaud Desplechin no Instituto Franco-Português

conto_natalPor ocasião da estreia em Portugal do mais recente filme de Arnaud Desplechin – “Um Conto de Natal” – no próximo dia 21 de Maio, o Instituto Franco-Português dedica-lhe um ciclo de cinema, até 20 de Maio, que inclui alguns filmes inéditos no nosso país, como “La Sentinelle”, “Comment je suis disputé” e “L’ Aimée. As sessões são às 21h00 e a entrada é gratuita.

 Considerado um realizador incontornável do cinema de autor francês, Arnaud Desplechin “disse um dia que tinha rodado La Vie des morts para dizer mal da sua família, La Sentinelle para dizer mal do seu país, Comment je me suis disputé… (ma vie sexuelle) para dizer mal das suas antigas namoradas. Em Un conte de Noël o cineasta diz mal de si próprio.”

Segunda-feira, 11 de Maio
LA VIE DES MORTS
França, 1991, 51′, VO FR, ficção – INÉDITO
Semana da Crítica do Festival Internacional de Cannes 1991
Numa casa de campo, membros de uma família reúnem-se. Aguardam notícias do primo que está entre a vida e a morte no hospital.

Terça-feira, 12 de Maio
LA SENTINELLE
França, 1992, 140′, VO FR, ficção – INÉDITO
Selecção Oficial do Festival Internacional de Cannes 1992
Mathias vive em Alemanha e decide regressar a França. No comboio, cruza-se com um homem que o ameaça, insulta e depois desaparece. No dia seguinte, descobre na sua mala uma cabeça humana reduzida à maneira dos Índios jivaros.

 

Quarta-feira, 13 de Maio
COMMENT JE SUIS DISPUTÉ… (MA VIE SEXUELLE)
França, 1996, 178′, VO FR, ficção- INÉDITO
Selecção Oficial do Festival Internacional de Cannes 1996
As histórias de amor e as peripécias de Paul, de 29 anos de idade, professor assistente de Filosofia na Universidade de Nanterre, em Paris onde se aborrece.

Segunda-feira, 18 de Maio
ESTHER KAHN
França/Grande Bretanha, 2000, 145′, VO Inglês, ficção
Selecção Oficial do Festival Internacional de Cannes 2000
No Século XIX em Londres, nos bairros pobres de East End. Esther Kahn é uma jovem rapariga de 20 anos completamente selvagem, apagada, recusando qualquer comunicação. Até ao dia em que assiste a uma peça de teatro…

Terça-feira, 19 de Maio
ROIS ET REINE (Reis e Rainha)
França, 2004, 150′, VO FR, ficção
Selecção Oficial do Festival Internacional de Veneza 2004
Nora, aparentemente radiosa, está prestes a casar-se. Ismael, internado à força num hospital psiquiátrico, está prestes a tocar o fundo do abismo. Em tempos amaram-se apaixonadamente. Hoje ela propõe-lhe que se torne o pai adoptivo do seu filho, nascido de uma primeira relação…

Quarta-feira, 20 de Maio
L’AIMÉE
França, 2007, 65′, VO FR, documentário íntimo – INÉDITO
Prémio do Melhor Documentário do Festival Internacional de Veneza 2007
Durante a mudança da casa de família, o realizador interroga o seu pai a propósito da mãe que nunca conheceu.
Numa casa de campo, membros de uma família reúnem-se. Aguardam notícias do primo que está entre a vida e a morte no hospital.

A MONSTRA está aí (e quase me pregou um susto)

monstraA Monstra – Festival de Animação de Lisboa começou ontem, dia 9, e estende-se até ao próximo Domingo. Habituada a receber este festival em Maio, confesso que foi com alguma surpresa que dei conta dele. Contudo, o programa promete: o tema central é o futurismo, a Bauhaus é homenageada, as noites são dedicadas ao movimento dadaísta e a Suíça é o país convidado desta edição. Por ser ano ímpar, há também competição de longas-metragens.

 

O programa, que é muito diversificado (e se desdobra pelo cinema São Jorge, Museu do Oriente, Museu de Etnologia, Teatro Meridional e Escola Secundária Dom Dinis) está disponível no site oficial (infelizmente, o respectivo menu não é muito intuitivo e não reflecte essa riqueza temática, aspecto, aliás, comum a quase todos os programas de festivais).

O Estranho Caso de Benjamin Button ou “um dos mais belos filmes dos últimos tempos”

cartaz_benjamin_buttonForam quase 3 horas de entrega total a este filme, no cinema Londres. Desde a realização perfeita de David Fincher (tal como foi a de “Se7en”) às actuações e belezas “ravishing” (uma palavra inglesa cuja tradução lusitana lhe tiraria a magia fonética) de Brad Pitt e Cate Blanchett.

Todos os elementos parecem interpenetrar-se numa simbiose perfeita: a adaptação do conto de F. Scott Fitzgerald (pode ser lido aqui), a visão das palavras de Eric Roth, o legado de Taraji Henson… e uma das salas de cinema emblemáticas de Lisboa.

No final, na habitual troca de emoções e opiniões, retive uma de uma pessoa muito próxima: “este filme fez-me encarar o envelhecimento com maior tranquilidade”.

Ravishing.

Valsa com Bashir

waltz_with_bashirEste documentário de animação (que ontem ganhou o Globo de Ouro na categoria de “Melhor Filme Estrangeiro” e está nomeado para o Óscar congénere) consegue ser mais real do que muitos filmes do género. No entanto, no final, não pude deixar de sentir um desconforto perturbador… São todos vítimas, é certo, soldados israelitas e palestinianos… Porém, a vontade de perdoar os primeiros perdurou sobre a compaixão pelos segundos… Quem são os “maus”, afinal? Os cristãos falangistas? A religião?  O Homem?… Quem são os “maus” e os “bons” em qualquer conflito?

W. e Guantanamera

bushJá se disse tudo sobre o filme W., desde a sua luta pela “iluminação” pessoal e política às constantes gafes semânticas e ao desejo de, afinal, dedicar-se a um desporto típico americano (o que poderá explicar tudo, mesmo tudo). Houve, neste contexto, uma que me chamou (mais) a atenção: quando Bush se refere, por lapso, a  “Guantanamera” em vez de a “Guantánamo”. Ora, se Guantanamera é o nome que se dá a uma rapariga de Guantánamo e o título de uma célebre música cubana, o que levou Bush, inconscientemente, a trocar as últimas letras? Penso que foi o desejo (que, aliás, emerge subtilmente ao longo do filme) de agarrar uma parte da letra dessa música e fazê-la realmente sua…

“Y soy un hombre sincero, de donde crece la palma

(…)

Cultivo una rosa blanca, en julio como en enero

Para el amigo sincero, que me da su mano franca”