digi-winners

O melhor do design digital no âmbito jornalístico

(16/04/2012) O anúncio dos vencedores do SND33 – Society for News Design’s Best of Digital News Design Competition já foi feito há algumas semanas, mas só agora tive tempo de os ver em pormenor. A lista é de consulta obrigatória na íntegra, porque os premiados constituem quase todos bons case-studies do uso do design e das tecnologias digitais na construção de narrativas jornalísticas, mas partilho abaixo os meus preferidos. Recorde-se que o BostonGlobe.com arrecadou o prémio mais importante do evento (na categoria “World’s Best Designed Website”).

1. At the Metropolitan Museum, a New Wing,  a New Vista por The New York Times

(Medalha de Ouro na categoria “single-subject project – more than 50 million)

2. The Reckoning por The New York Times

(Medalha de Prata na categoria “single-subject project – more than 50 million)

3. The Oscars p0r The New York Times

(Medalha de Prata na categoria “series or events – more than 50 million”)

4. Crisis Guide: Iran por Council on Foreign Relations

(Prémio de Excelência na categoria “series or events – less than 50 million”)

5. Japan and Haiti: Picturing the Unimaginable por NPR

(Prémio de Excelência na categoria “series or events – more than 50 million”)

6. Steve Jobs’ Patents por The New York Times

(Prémio de Excelência na categoria “Data-Driven Projects – more than 50 million”)

7. DC Going Out Guide por The Washington Post

(Prémio de Excelência na categoria “Mobile Experience”)

8. 50 Greatest Photographs of National Geographic por National Geographic

(Prémio de Excelência na categoria “Tablet Experience”)

 

cimode

Call for Papers # I Congresso Internacional de Moda e Design

(03/04/2012) Está aberto até 15 de Abril o prazo de submissão de artigos para o I CIMODE – Congresso Internacional de Moda e Design, que vai ter lugar em Guimarães, entre 5 e 7 de Novembro de 2012.

O CIMODE é organizado pelo Departamento de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho em conjunto com a ABEPEM – Associação Brasileira de Estudos e Pesquisa em Moda.

pops2012

Serralves procura POPs até 16 de Março de 2012

(23/02/2012) A Loja Serralves lançou a quarta edição POPs – Produtos Originais Portugueses, que dá a oportunidade a jovens criadores de exporem e comercializarem as suas obras. Até 16 de Março, podem ser submetidos projectos nas áreas de Mobiliário, Objectos de Decoração, Acessórios Pessoais e Joalharia de Autor.

Mais informações aqui.

 

8a7fc0ac86dc9af6e4e9d1138cd729c1

Onde encontrar inspiração para criar?

(03/01/2012) No dia-a-dia, tenho um bloco de notas do qual nunca me separo. As ideias para um artigo podem aparecer em qualquer altura: numa esplanada, em conversa com amigos ou na fila do supermercado. No entanto, tenho de admitir que mais de dois terços da inspiração provêm precisamente de outros artigos publicados quer em meios de comunicação quer em blogues e páginas do Facebook.

O difícil não é encontrar as fontes de inspiração. É saber identificá-las e potenciá-las.

A propósito de ideias, alguns criadores de topo de várias indústrias criativas revelaram ao Guardian quais são as suas fontes de inspiração e como as aproveitam ao máximo.

Imagem: é da autoria de Jack e faz parte de uma série de fotografias que retratam o seu pai.

O potencial do iPad para divulgar exposições: os irmãos Bouroullec

(19/10/2011) Sinto borboletas no estômago (no bom sentido) quando descubro estes exemplos de utilização do iPad para visualizar e interagir com conteúdos multimédia na cultura. Por ocasião da primeira retrospectiva do trabalho dos irmãos designers Ronan & Erwan Bourollec (estiveram em Lisboa, em 2001, na Experimenta Design), que está patente no Centro Pompidou – Metz, na cidade de Metz, em França, até Julho de 2012, foi desenhada uma aplicação que apresenta mais de 200 imagens desta dupla que é já uma referência mundial na área do design industrial, com desenhos e esboços originais, de forma muito intuitiva e imersiva.

A aplicação pode ser descarregada aqui. Quem não tiver iPad (mesmo em tempos de crise, é um óptimo investimento profissional e académico), poderá deliciar-se com este vídeo.

 

cercles – iPad app by Ronan&Erwan Bouroullec from Ronan & Erwan Bouroullec on Vimeo.

 

Relatório de tendências “Design + Culture – A Return to Fundamentalism?”

(22/03/2011)

A return to cultural fundamentalism is essential if we are to reengage our tribal past and work toward a a collective local global future. The measure of a civilisation is the strength of its culture. The desire to reclaim a more long lasting cultural integrity is to create memorable experiences, and emotionally rewarding objects

 O novo relatório de tendências do site David Report é de leitura obrigatória para os jornalistas culturais. Está disponível aqui.

Criadores # As impressões digitais de Kevin Van Aelst

(17/01/2011)  Kevin Van Aelst cria impressões digitais a partir dos objectos mais comuns do dia-a-dia, desde a fita de uma cassete ao açúcar. Mas se foi a série “Fingertips” que me chamou a atenção (ver galeria), a exploração das obras  deste artista plástico nova-iorquino foi ainda mais interessante. Façam-na também aqui!

Começar 2011 com os calendários mais criativos

(11/01/2011) Apontar planos, tarefas e reuniões num calendário original é meio caminho andado para andarmos inspirados 365 dias por ano. A selecção destes calendários foi feita por mim, inspirada nos artigos da Design Milk e da CoolHunting (usem as setas da galeria acima para visioná-los).

1. Wanderkalendar Este calendário minimalista desenvolvido por Populäre Produkte é reversível (um lado é em inglês e o outro em alemão) e vem acompanhado de 100 post-its. Custa 14,50 euros e está disponível aqui.

2. Dot to Dot Calendar Quando era mais nova, adorava fazer desenhos a partir da união de linhas entre os números. Este calendário, criado por Dan Usiskin recupera este imaginário: cada mês tem um cenário londrino que é revelado depois de todos pontos serem unidos. Está à venda aqui por 12 libras.

3. Pantone O designer escocês Derek Bowers  usou a roda de cores e 1440 imagens para mostrar as mais importantes festas religiosas e culturais dos mais variados pontos do mundo, juntamente com o significado cultural de cada cor. O calendário ainda não está em comercialização, mas a sua produção pode ser apoiada aqui.  

4. 2011 Sirio Calendar Inspirado nas bonecas matrioskas, este calendário assume a forma de uma caixa que, por sua vez, contém no seu interior 11 caixas correspondentes a cada mês. Infelizmente, não está à venda em Portugal.

5. Dot On Os círculos são o ponto de partida para tudo neste calendário. Está disponível por 19,90 euros aqui.

moleskine

Moleskine para iPad e iPhone

De todas as capas que tenho visto para o iPad e iPhone, estas são, sem dúvida, das mais funcionais, porque incoporam um bloco de notas e seguem o design clássico dos moleskine (além de incluírem protecções específicas para estes gadgets).

As capas podem ser pré-encomendadas aqui(iPad) e aqui(iPhone).

Há poucos dias, a Moleskine lançou também uma edição limitada para comemorar o 30.º aniversário do videojogo lendário Pac-Man, com direito a vídeo.

muji-store-nyc-exterior

Muji chega ao meu bairro criativo preferido

Passei pela Rua do Carmo (63-75), em Lisboa, e confirmei que falta pouco tempo para a abertura da loja Muji, uma marca japonesa de artigos para o lar e escritório. Já a tinha visto em Londres e em Barcelona e desejado há algum tempo que viesse para Portugal por duas razões: em primeiro lugar, porque se trata de um conceito inovador, como explicarei a seguir; em segundo, porque há algum tempo um colega de trabalho me dissera que gostaria de criar mobiliário em cartão para as massas, uma ideia original segundo o próprio, a quem eu tive de responder que já havia aos “magotes” na Muji. Como, na altura, ninguém conhecia a loja, a minha intervenção caiu um pouco em “saco roto”. Fico contente por poder retomar, agora, esta conversa.

Muji é a abreviatura de Mujirushi Ryohin que significa “produtos de qualidade sem marca”; curiosamente, é hoje uma marca com 460 pontos de venda em todo o mundo. Para sustentar esta premissa, a marca não está visível em nenhum dos produtos que vendem, desde peças de mobiliário e artigos de escritório a roupa, acessórios e produtos de beleza.

Gosto particularmente do design dos produtos: linhas muito simples e extremamente elegantes, que funcionam como tábuas rasas ou telas em branco para poder criar a “minha” identidade decorativa. A qualidade e a protecção do ambiente são outros dos itens da filosofia da marca que valorizo.

Gostei ainda mais do local escolhido para a primeira loja: o Chiado e não um centro comercial sufocante. Aliás, nos últimos tempos,  o Chiado (nomeadamente a Rua do Carmo e a Rua Nova do Almada) tem acolhido algumas das marcas mais cosmopolitas, como a Miss Sixty, a WeSC e a Custo Barcelona.

Meados de Novembro é a data prevista para a abertura.

IMG_5386

Computer Arts Projects: design editorial

A última edição da revista Computer Arts Projects é dedicada ao design editorial. Em 100 páginas, percorre alguns dos melhores exemplos actuais desta área e as equipas que os suportam. O jornal “i” também lá está.

Sei que só há em algumas livrarias/papelarias (como a Barata, por exemplo), mas vale a pena a procura.

 

Imagens: Magculture.com

Click Here!

are_you_obessed_with the right things

Anda obcecada pelas coisas certas?

Talvez seja o melhor conceito de sensibilização que já vi nos últimos tempos para o cancro da mama, numa campanha promovida pela Breast Cancer Foundation de Singapura. Os anúncios sugerem que as mulheres devem focalizar-se na saúde, nomeadamente nos testes de rastreio do cancro da mama, em vez de andarem obcecadas pelas borbulhas, coxas grandes ou “bad hair days”.

Agência: DDB

Ilustrador: Andy Yang Soo

Fotógrafo: Allan Ng

 

colher

COLHER – inside the portuguese graphic design

O site Colher, criado por Eurico Sá Fernandes, funciona como plataforma de divulgação de designers e ateliers portugueses, o que é sempre uma iniciativa de louvar. Até à data, o directório reúne trabalhos de 31 criadores portugueses, desde a tipografia, ao design editorial e à ilustração. Pela qualidade do projecto, espero que este número aumente.

mairajoaovinagre

Como é a Europa vista pelos seus designers?

A  Europe by Designers é um projecto internacional da galeria HUG United lançado em Outubro de 2008 com o objectivo de reunir diferentes visões culturais e políticas da Europa expressas através do design, da ilustração ou da fotografia. Dos 600 candidatos de 47 países europeus, o júri escolheu 52 trabalhos, dos quais cinco são portugueses. A galeria online com todos os trabalhos está disponível aqui.


[dica da designer Patrícia Silva]

Ana Areias

Emanuel Pereira


Emília Franco, César Augusto e Hélder Mota


João Belo, Maria João Vinagre e Ricardo Ayres

Rita Mendes

ecoove5

Casas-de-banho para mulheres indianas – e o problema social que se esconde a céu aberto

Entre as 06 e as 08h da manhã, 23 mulheres que normalmente “vão” à casa-de-banho em pleno campo testaram em Março a Ecoloove, uma casa-de-banho ecológica e móvel concebida por uma organização não governamental sueca (chama-se Rättighetsföreningen Henna). E gostaram, contra todas expectativas cépticas.

Na Índia rural, 665 milhões de pessoas fazem as suas necessidades fisiológicas a céu aberto, contaminando os rios e outros corpos de água. Parece um problema menor, mas se multiplicarmos a produção diária por pessoa de urina e fezes pelos dias do ano, então os níveis de poluição atingem proporções gravíssimas.

No entanto, a falta de casas-de-banho é particularmente nefasto para as mulheres: com vergonha ou medo de serem violadas, só fazem as suas necessidades à noite ou de manhã, enquanto é escuro. Esse hábito tem como consequências infecções urinárias, doenças renais e outras complicações, além de as deixar totalmente dependentes a nível laboral.

Foi para ultrapassar estes dois problemas – as necessidades sanitárias das mulheres e a poluição – que uma ONG sueca criou  a Ecoloove, uma solução sanitária ecológica móvel, que separa a urina e que permite aproveitar o que geralmente é considerado desperdício em fertilizantes para as terras. Assim, as famílias rurais indianas que investirem nesta unidade sanitária móvel recuperam esse dinheiro porque não necessitam de comprar fertilizante, ao mesmo tempo que ajudam a ultrapassar um gigantesco problema social.

Como é que esta ideia se processa? É simples: as mulheres indianas são convidadas a criar um negócio financiado com microcrédito, que implica a aquisição da Ecoloove e a sua rentabilização, através da cobrança das visitas à casa-de-banho a qualquer mulher e da recolha dos desperdícios para fertilizantes.

Os protótipos destas casas-de-banho foram já testados nas aldeias de Gujarat e Maharashtra.

Saiba mais sobre esta história aqui e aqui.

Imagens: Annamaja Segtnan

time_to_rethink_design

Tornou-se o design uma nova forma de poluição?

É este o mote da 12.ª edição do David Report, intitulada “Time to rethink design”. Já tem algum tempo, mas só agora consegui lê-la na totalidade. A partir do diagnóstico das tendências contemporâneas do design, responsáveis pela crise desta área, o autor sugere uma redefinição dos seus valores e funções. A leitura é imprescindível.

rebeliao

“Rebelião dos Signos. A Alma da Letra.” – Entrevista aos autores do livro

Trata-se de um livro sobre design, mas ultrapassa em larga escala a mera análise estética comum nas obras desta área. Trata-se de um livro sobre design, mas foi escrito por um português e um espanhol, rompendo com o monopólio anglo-saxónico.

Porque as letras são cultura e estão em toda a parte, os autores da obra “Rebelião dos Signos. A Alma da Letra.”, recentemente lançada no mercado português, fazem questão de defender as suas almas. A entrevista a Daniel Raposo, designer e professor universitário português, e Joan Costa, designer espanhol e autor da primeira enciclopédia de design do mundo, também serviu para isso.

As letras têm alma? É por isso que os signos linguísticos se revoltam? As letras têm alma. Sentem. Palpitam. Estão vivas, porque nós, quando as desenhamos, escrevemos ou lemos, lhes damos alento. Pobre do designer que pense que as letras são coisas mortas! Se aceitarmos esta metáfora, todos os signos de escrita da história humana sentem verdadeiramente o instinto da rebelião. Não se esqueça de que as letras foram criadas individualmente, desenhadas com minúcia uma por uma, e que no seu interior ambicionam fortemente a independência original que as torna símbolos, todos eles bem diferentes. A sujeição imposta a estes signos face a um código tão rigoroso e dominante como o da escrita e a submissão das letras ao totalitarismo da linha tipográfica implicam a escravidão do seu destino funcional.

No entanto, se a subordinação das letras conduz à diluição da identidade formal de cada signo é também motivo para um impulso imparável na direcção da liberdade absoluta.  Assim, a letra sente, fere, é formal ou informal, silenciosa ou ruidosa no testemunho dos desejos e pensamentos humanos, ingredientes essenciais para a sua liberdade como signo plástico e linguagem própria.

O livro reflecte sobre a evolução da letra e a sua influência na vida quotidiana. Podem dar alguns exemplos? É evidente que a letra cumpre uma função social. A letra é cultura. É por isso que está em todas as partes, que é omnipresente, ubíqua e intemporal, enquanto se transmuta constantemente como todos os seres vivos. Por vezes fá-lo de modo subtil, discreto, enquanto outras se torna divertida, vistosa, e até vociferante, como nos anúncios ou nos graffiti urbanos. Há letras lapidárias e solenes que invocam a história; outras são gráceis como as de escrita manual ou caligráfica; por vezes, formam páginas e páginas de texto literário, enquanto noutras ocasiões são meras abreviaturas repletas de significado como SOS, IA, SMS, FM, ADSL, PDF, JPG, etc.; podem ainda ser puras siglas comerciais nas quais dois ou três signos mínimos são capazes de invocar mundos bem diferentes e diversos como IBM, TAP, GALP, BMW, M&M, A&T, etc…

Como surgiu esta vossa parceria, Daniel? O Daniel mora em Castelo Branco, o Joan Costa em Barcelona…   Quem já conheceu o Joan Costa pode atestar que é uma pessoa extremamente generosa e sempre pronta a partilhar a sua experiência e conhecimentos. Tem ainda a particularidade de ser uma pessoa bastante culta, perspicaz, experiente e atenta ao mundo. É importante ter esta questão esclarecida para entender como surge este livro. Comecei por conhecer e admirar o Joan Costa pelo seu trabalho e sobretudo pelos livros que tem escrito ao logo de anos. Foi na qualidade de entusiasmado estudante de mestrado que o contactei e questionei. Aliás, tal como fiz com outras pessoas portuguesas ou estrangeiras. Não só o Joan Costa me respondeu como foi dos poucos que me disponibilizou tempo para pensar e debater temáticas da área do design, mesmo que por via e-mail.

Enquanto terminava a dissertação de mestrado, fui um dos formandos do curso online “Diplomado internacional de Diseño, Creación y Gestión de Marcas”. Creio que terá sido a minha forma de estar, o trabalho de dissertação e o meu desempenho no curso referido que motivaram o Joan Costa a estender-me o convite para um livro conjunto.

Neste processo, a internet foi fundamental e permitiu que duas pessoas com cerca de cinquenta anos de diferença de idade partilhassem e debatessem ideias. As fronteira deixaram de existir ao primeiro e-mail e em vez disso cimentou-se uma amizade que perdura, muito embora a distância. 

Como decidiram quem escrevia o quê? Ao iniciarmos o projecto, o Joan Costa apresentou-me um esboço de uma estrutura geral composta por sugestões de capítulos em redor do tema da letra. Fomos trocando impressões até chegar a uma proposta de índice bem diferente da inicial e que mesmo ao longo do tempo se foi ajustando. Começámos por dividir os capítulos em função da facilidade no acesso a recursos bibliográficos ou dos nossos interesses particulares.  Já redigidos, os capítulos deveriam trocar-se para correcções, acrescentos ou melhorias. Mas, na verdade, os contributos e partilha de ambos foi de tal ordem, que é difícil dizer o que escreveu cada um de nós. Por exemplo, eu comecei por escrever em português e traduzir em paralelo para espanhol, mas depois de alguns meses passei a escrever directamente em castelhano. No geral, a elaboração dos conteúdos seguiu um método fluido e construtivo repleto de conversas, partilha de pontos de vista e conhecimentos.

Esta obra saiu há um ano no mercado espanhol e argentino. A adesão dos leitores foi positiva?  Sim, na verdade, para o mercado de língua espanhola o livro foi uma surpresa, tanto na América Latina como em Espanha, e estamos convictos de que o êxito se deve à originalidade do enfoque e pertinência do conteúdo, já que, de modo geral, a letra tem sido encarada da perspectiva da tipografia (caracteres) e não da forma ou da vida social dos símbolos. O rigor da investigação desenvolvida por mais de três anos foi também um contributo essencial.

Contudo, falta outro facto: o elemento gráfico, quer ao nível da selecção das ilustrações quer da sua abundância na obra. Ainda neste capítulo, o design editorial teve um contributo de primeira ordem.

Curiosamente, na sua versão espanhola, editada na Argentina, o livro foi o primeiro de uma colecção original dedicada ao design, facto que volta a repetir-se na versão portuguesa, já que é o título inaugural da colecção de design editada pela Dinalivro.  

2010_02_joia_espelho-da-sociedade_g

"Jóia, Espelho da Sociedade", 25 de Fevereiro, às 15h

Enquanto objecto de uso ao longo dos séculos, a jóia traduz a filosofia, o gosto, as crenças, as necessidades dos povos e das épocas. Ao longo dos últimos cinquenta anos, a Joalharia surge no quadro das artes também enquanto veículo de expressão plástica, com um papel que ultrapassa e transcende os clichés da jóia de ostentação, estatuto e poder a que esteve associada no passado.

O encontro-debate franco-português subordinado ao tema “Jóia, Espelho da Sociedade” terá lugar no Instituto Franco-Português, no próximo dia 25 de Fevereiro, às 15h. A entrada é livre. O evento conta com a participação de artistas joalheiras Brune Boyer-Pellerej, Ana Cardim, Ana Campos, Monika Brugger, Cristina Filipe e Sophie Hanagarth, das sociólogas Cristina Duarte e Cécile Michaud e da historiadora Luísa Penalva.  

 

Reconhece-os?

Estes mupis poderão ser vistos por estes dias no aeroporto e em locais estratégicos de Copenhaga. A capital da Dinamarca acolhe a Cimeira Climática até 18 de Dezembro, na qual se pretende chegar a um acordo para a redução das emissões de CO2. Barack Obama, Nicolas Sarkozy, Zapatero e Angela Merkel são alguns dos representantes oficiais de 192 países presentes na cimeira e que foram “envelhecidos” nesta campanha promovida pela Greenpeace.

 “I’m sorry. We could have stopped catastrophic climate change… We didn’t” foi o headline escolhido para pressionar estes líderes e veicular a mensagem-chave “Act now – change the future”.

 A cimeira pode ser acompanhada online aqui.

 Fotos: http://www.greenpeace.org

Eco Design: um filtro de ar com “vida”

andrea2-450x300

Garlardoado com o prémio “Popular Science Inventions of the Year” e exibido no MOMA (Museu de Arte Moderna de Nova Iorque), o filtro de ar Andrea utiliza plantas verdadeiras para purificar os ambientes. Criado pelo designer Mathieu Lehanneur com a colaboração de David Edwards (professor em Harvard), Andrea é um exemplo da intersecção perfeita entre design ecológico e tecnologia. Depois de um protótipo criado há dois anos, está agora para venda online.

"Timeless – menos é melhor" na Experimenta Design 09

low cost housing projectComo pode o design ajudar-nos a viver com menos, isto é, com menos recursos ambientais, cobiça ou impulsos consumistas? A exposição “Timeless”, patente no Museu do Oriente, tenta dar-nos soluções através de um showcase experimental de projectos originários da índia, de Portugal, de África do Sul e do Reino Unido, nos quais designers de cada país tentam reflectir nos seus trabalhos a expressão de ordem “menos é mais”.

A forma como o design pode valorizar a intemporalidade do trabalho artesanal indiano, reconciliando a velocidade avassaladora em que vive a Índia do Século XXI com a necessidade de reflexão, é respondida por 10 artistas e designers indianos. Por sua vez, na área de Portugal, duas gerações de artistas desafiam a nossa necessidade de querer sempre mais, reflectindo sobre o conceito de “valor acrescentado”.

As soluções criativas dadas pelos designers sul-africanos descem ao nível da subsistência como resposta aos problemas prementes da actualidade: HIV, acesso à água e habitação. Na área preenchida pela criatividade do Reino Unido, é reflectida a urgente necessidade de fazer mais com menos enquanto processo para evitar fazer coisas novas.

Desde a reciclagem de peças decorativas à satisfação de necessidades básicas, o conjunto das obras e dos projectos expostos permite reflectir na capacidade interventiva  e  efectiva que o design tem nas várias esferas da vida pessoal e em sociedades tão díspares como as do Oriente e do Ocidente.

O menos da exposição: é demasiado pequena para um tema que suscita muitas expectativas.

Fotografia: 10 x10 Low Cost Housing Project LUYANDA MPAHLWA (ZA) / © WIELAND GLEICH

Experimenta Design 2009 – O tempo urge a partir de hoje

exd09New! Now! Wow!

“It´s about time” ou “está na hora”. A Experimenta Design inicia hoje o seu olhar sobre os múltiplos impactos do tempo no design, na arquitectura e nas práticas criativas contemporâneas. Entre 09 de Setembro e 08 de Novembro, Lisboa acolhe quatro exposições, uma mão-cheia de conferências e debates, um Louging Space, oito projectos especiais e 59 Tangenciais.

 No entanto, esta semana será o período mais intenso: hoje, entre as 11h e as 13h, Nuno Artur Silva inaugura os Open Talks, com “O Design das Ficções Contemporâneas”, no Mercado de Santa Clara, e as Conferências de Lisboa contam com Alejandro Aravena e Julien Smedt, no Teatro Camões. Ao fim da tarde, é inaugurado um dos projectos especiais, no Jardim de Santos, e o Lounging Space, no Plácio Braancamp. O programa dos restantes dias pode ser lido aqui.

 

Exposições

 “Quick, Quick, Slow”, “Pace of Design”, “Lapse in Time” e “Timeless” são os temas das quatro exposições inseridas no programa da EXD09. A primeira, patente no Museu Colecção Berardo, acompanha o percurso de movimentos pioneiros do século XX, no cinema, nos videoclips e na televisão, finalizando com o meio digital actual e a sua relação com o tempo. “Pace of Design”, patente noAntigo Picadeiro do Colégio dos Nobres (Museus da Politécnica), constitui um olhar sobre o ritmo do trabalho quotidiano de vários designers e ateliers do mundo. Por sua vez, a Sociedade Nacional de Belas Artes acolhe a exposição “Lapse in Time”, que revela trabalhos alternativos de designers, e o Museu do Oriente expõe um showcase experimental sob o tema “Menos é Melhor” (“Timeless”).

 

Conferências e ciclos

 Estão incluídos nesta secção as Conferências de Lisboa, que ocupam o Teatro Camões entre 09 e 11 de Setembro, contando com designers de prestígio internacional como o britânico Peter Saville, o americano Ben Fry ou o italiano Giulo Cappellini, os Open Talks, no Mercado de Santa Clara, o ciclo de cinema “Contar o Tempo”, integrado na Cinemateca Portuguesa, e o primeiro documentário da série em desenvolvimento “Emergent Megalopolis”, dedicado a Luanda.

 

Projectos especiais

 Num total de oito, os projectos especiais envolvem, por exemplo, a reabilitação urbana do Jardim dos Santos, um projecto editorial internacional e uma linha de produtos de design para comercialização em Portugal e no estrangeiro, sob o tema “Design para a Diferença”.

 

Lounging Space

O Lounging Space pretende ser um espaço de descontração e informação, assumindo-se na semana inaugural como o interface da EXD09 com o grande público e a comunicação social.

 

Tangenciais

Como o próprio nome indica, a EXD09 acolhe 59 projectos independentes, que estarão espalhados por diversos locais da cidade de Lisboa, entre os quais “Losign Values”, uma colecção de “objectos perturbados”, “Dois Tempos”, uma instalação tipográfica sobre a fachada da Ermida da Nossa Senhora da Conceição, em Belém, e o “Le Coq Tuguese Market”, uma mostra de trabalhos criativos nacionais.

 

Consulte o programa global aqui.

O “Menino da Lágrima”, a Coca-Cola e a Experimenta Design 2009

Quem é o “Menino da Lágrima”? Por que é trocado por uma Coca-Cola Light? O que tem tudo isto a ver com a Experimenta Design 2009?

 

meninomonstroff2O “Menino da Lágrima” é o protagonista de uma campanha publicitária da Coca-Cola Light, disseminada nos últimos dias por mupis, televisão e internet. Trata-se da celebração dos 21 anos de existência deste produto em Portugal, numa iniciativa original que conta com a Experimenta Design 2009 para “concluir” o desafio.

Que racional criativo está na base desta campanha? É simples: as últimas gerações foram marcadas por objectos representativos das suas culturas – entre eles o quadro “Menino das Lágrimas”, o naperon, o par de meias brancas, a fita do Senhor do Bonfim, as unhas de gel, a gravata”alternativa”, a t-shirt com o nome do sítio onde se foi passar férias, o bibelot, os chinelos de borracha com salto e o embelezador de retrovisores -, e, segundo a Coca-Cola Light, está na altura de trocar esses objectos por uma lata especialmente criada para ser um elemento decorativo dos tempos modernos.




Assim, os portugueses podem trocar um dos objectos mencionados por uma lata Coca-Cola Light de coleccionador num dos pontos de troca assinalados no site http://cocacola.pt/gostadeti (vale a pena ler a brochura do projecto). Esses objectos serão posteriormente recriados e apresentados na Experimenta Design 2009, que decorre em Lisboa, entre 9 de Setembro e 8 de Novembro.

Quem é este menino?

O “Menino da Lágrima” é um elemento icónico dos anos 1980, período em que quase todas as famílias tinham uma reprodução do quadro em casa. Contudo, a história sobre o “menino” tem várias versões, nenhuma delas confirmada: umas atribuem a sua autoria a Bragolin, pintor italiano; outras, a Franchot Seville, espanhol. Há quem conte que o menino era um órfão sem-abrigo, acolhido pelo pintor, contra a vontade da aldeia que acusava o miúdo de ser a encarnação do Diabo; anos mais tarde, o atelier arde sem qualquer explicação, deixando o pintor na ruína. Outra versão conta que o pintor terá feito um pacto com o Demónio para conseguir vender os quadros. Por último, há ainda quem diga que, afinal, o menino era português e se chamava Rogério (leia a história aqui)!…

EXD 09 – “Está na hora”

exd091“It´s about time” é o tema da próxima edição da Experimenta Design 2009, que decorrerá em vários espaços de Lisboa, entre 9 de Setembro e 8 de Novembro. Segundo a organização,  “há duas formas de pensar o tema: num sentido literal, tudo se relaciona com tempo. O tempo é um factor omnipresente. Mas enquanto expressão idiomática, ‘It’s About Time’ remete para uma ideia de urgência: ‘está na hora de fazer alguma coisa, de tomar uma atitude’”. É nesse sentido que, em 2009, a Experimenta Design vai olhar para o tempo “enquanto material, recurso e desafio: tempo para pensar, tempo para colaborar, tempo para reflectir”. O programa provisório está disponível em http://www.experimentadesign.pt.

Mensagens subliminares em logótipos famosos

Uma dica do meu amigo e director de arte Diego Freitas levou-me a pesquisar logótipos com mensagens escondidas, verdadeiras perólas do design e da criatividade aliada à funcionalidade (e ao marketing…). Deixo aqui uma selecção dos melhores que encontrei e de outros fornecidos por ele.

 

1. Amazon

 amazoniu4A seta do célebre logótipo da Amazon tem duas mensagens associadas, que escapam à primeira vista: esta liga o “a” ao “z”, representativo da possibilidade de encontrar todos os artigos de “a” a “z”, e forma um sorriso, reflexo da satisfação dos seus clientes.

 

2. Toblerone

toblerone_logoAlém de deliciosos, os chocolates Toblerone têm uma história engraçada: se reparar na imagem da montanha – referência aos Alpes Suíços -, esta faz também alusão à cidade de Berna, terra-natal dos Toblerones, também conhecida como “A cidade dos Ursos”… Já reparou, agora, que a montanha esconde a imagem de um urso?

 

3. FedEx

fedex1Esta empresa de serviços de expedição quis valorizar no próprio logo a velocidade e outros atributos valorizados pelos clientes. Já reparou na seta que é formada entre o “E” e o “x”?

 

4. Baskin Robins

logo_baskinrobbinsEsta marca de gelados quis passar no próprio logótipo que tem 31 sabores à escolha… Ainda não percebeu? Então repare nas formas a cor-de-rosa das iniciais “B” e “R”.

 

5. Yahoo.com

yahoo

Para perceberem a mensagem, vão ter de a ouvir… Acedam a www.yahoo.come cliquem no ponto de exclamação do logótipo. Fabuloso, não? (E ainda é mais engraçado o facto de os sotaques variarem conforme o país.)

 

6. Galerias Lafayette

lafayette

Visita obrigatória para compras em Paris, as Galerias Lafayette fizeram uma homenagem à Torre Eifeel no próprio logo (nos dois “tt”).

 7. Yoga Austrália

yoga_australiaÀ primeira vista pode parecer uma rapariga numa posição de yoga, mas a sua postura define o próprio mapa de Austrália.

 

8. Horror Films

horror-filmsOs mais simples são os mais brilhantes. O designer usou a própria bobina dos filmes para criar um fantasma.

 

9. Sun Mycrosystems

 sun1

 

Este logo é um exemplo de um ambigrama, ou seja, as letras “U” e “N” criam, juntas, um “S”.

 

10. Google 2008

Google%20Secrete%20Message%201

Esta deixo para vocês descobrirem. E não é uma… São duas mensagens escondidas!

Provocação: o design editorial tem vindo a assumir uma importância crescente nos media. Infelizmente, muitos jornalistas e editores ainda não se aperceberam da mais-valia do “bom” design e da importância em intrusar de forma criativa e funcional mancha de texto e imagem ou símbolos visuais. Por outro lado, alguns designers “publicitários” ainda olham para a paginação como um trabalho menor da área, esquecendo-se de que o design editorial participa na criação dos produtos editoriais que mais têm marcado a cultura nos últimos dois séculos.


Festival Offf 2009

offfA edição 2009 do Festival Offf – International Festival For The Post-Digital Creation Culture irá realizar-se nos próximos dias 7, 8 e 9 de Maio, na Fundição de Oeiras, divulgando, mais uma vez, alguns dos melhores trabalhos de design e artes digitais, nas vertentes web, print, interactive, motion, entre outras.

 

Considerado um dos melhores festivais internacionais de Arte Digital e Multimédia e criador de tendências globais, o evento conta com projectos tão versáteis e díspares quanto os de Arisu Nomura, Adam Chang ou do português Cláudio Reis, assim como conferências, workshops e instalações.

 

Criado em 2001, o Festival decorreu no Centro de Cultura Contemporânea em Barcelona até 2008, data em que imigrou para a LX Factory, em Lisboa.

 

Como já é hábito nos eventos culturais, o Offf tem site, está no twitter e no facebook.

“Clouds”

214_bouroullec_jp060109_a

 

Vencedores na categoria “Best use of textiles” pela Wallpaper Design Awards 2009 (edição de Fevereiro), os irmãos Ronan e Erwan Bourollec juntaram mais um projecto modular e orgânico ao seu portefólio reconhecido internacionalmente, fruto de uma parceria com a Kvadrat, marca dinamarquesa de têxteis. Trata-se de “Clouds”, uma série de montagens de peças geométricas em tecido, que podem ser usadas como painéis decorativos tridimensionais, instalações ou elementos decorativos. Vale a pena ver a série completa.