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Petiscaria Ideal: tudo português, menos a Coca-Cola

(16/04/2012) Na sexta-feira, lá fui à Petiscaria Ideal, na zona de Santos. Não ia com muitas expectativas, porque, na minha opinião, as últimas tentativas de elevar o saloio e tradicional português a chique e gourmet não resultaram em conceitos muito bons na restauração. No início, quando me sentei num banco desconfortável (têm, contudo, uns ganchos por baixo das mesas onde se pode pendurar a mala e o casaco, um detalhe óptimo), vi que a água era servida em garrafas de vinho, os guardanapos tinham sido substituídos panos tradicionais da louça  e o uniforme das empregadas era uma bata à avozinha, confesso que tudo me pareceu um pouco… forçado. No entanto, esse sentimento dissipou-se num ápice perante a simpatia da Inês (uma das empregadas) e os petiscos tradicionais portugueses  que nos aconselhou, todos a roçar a perfeição no sabor e na apresentação. Experimentei a tiborna de azeite e alho, os ovos mexidos com cogumelos, a batata-doce de Aljezur e o ensopado de carne. Tudo extremamente saboroso. O bolo de chocolate com molho de amendoim fechou a refeição com chave de ouro.

A Petiscaria Ideal fica ao lado da Taberna Ideal (restaurante das mesmas proprietárias, Susana Felicidade e Tânia Martins), na Rua da Esperança, 100-102 (Santos). Tudo o que é servido é português (com excepção da Coca-Cola) e não há pratos principais, apenas petiscos para partilhar.

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Eric Kaiser. Que pão.

(05/03/2012) Se há alimento que me faz andar quilómetros à procura do melhor para comprar é o pão.  O do supermercado ao pé de casa é “fast-bread”, o da padaria ao fundo da esquina é honesto, mas não me enche as medidas. No entanto, neste Sábado, tudo mudou. E a culpa é toda minha. Por não ter ido lá mais cedo.

Fica no Amoreiras Plaza e parece ser uma das mais conceituadas padarias artesanais francesas do mundo. A Eric Kaiser chegou no Verão de 2011 a Portugal, via capital, pelas mãos enfarinhadas de Laurent D’ Orey (que também gere a cadeia Monceau Fleurs no nosso país) e Julien Letartre, que me atendeu com um delicioso sotaque francês. A ideia era implementar um novo conceito de panificação, porque o português é “muito industrial” (eu já andava farta de dizer isso, mas ninguém me ouvia).

São mais de 20 os tipos de pão que têm para oferecer. Eu já experimentei a baguete de sementes de papoila, o pão de cereais e o pão Ekmek (comprei um de cada para fazer uma pequena degustação). A oferta de pastelaria  tem o seu savoir faire francês, onde não faltam os croissants, as tartelettes, as madeleines, os macarons ou os brioches.

Fiquei com a certeza de que irei lá voltar brevemente para experimentar o brunch parisiense (e comprar mais pão). Custa 9 Euros e é composto por meia baguete Amoreiras; croissant ou pão com chocolate; sumo de laranja natural; compota e manteiga; café, galão, meia de leite ou chá; e ovos mexidos com tomate confitado e salmão fumado ou presunto.

A Padaria Artesanatal Eric Kaiser tem uma página no Facebook. Espreitem e dêem-me razão.

Se um bom pão vos dá borboletas no estômago, visitem também A Padaria Portuguesa (na Av. João XXI, em Campo de Ourique ou na Rua Pascoal de Melo, em Lisboa). Os Pães de Deus são deliciosos e vale a pena levar para casa os pãezinhos de centeio e os gémeos com sementes de papoila.