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Desta vez, compre um livro para si.

(21/05/2012) Na semana passada, estive no Porto no III ICMC e aproveitei um dos intervalos para comprar o livro de João Ricardo Pedro, “O teu rosto será o último“, que venceu o prémio Leya 2011. Entrei numa livraria de média dimensão, peguei no livro e dirigi-me ao balcão para pagar. O diálogo que se segue é o mais fidedigno possível…

“É para oferta?”, perguntou.

“Não”, respondi.

“Mas quer um talão de oferta?”, insistiu.

“Não, o livro é para mim…”, retorqui, já um pouco surpreendida.

“Uhm… Então é melhor guardar o talão caso queira trocar”, afirmou assertivamente.

“Mas eu não vou trocar o livro. É para mim… Porque é que me está a fazer tantas perguntas? É tão surpreendente alguém comprar um livro para si própria?” (Não foi bem isto que disse, não tão assertivamente, pelo menos.)

“Infelizmente, sim!”, respondeu.

 

Bom, tendência ou não, lembrei-me imediatamente de um headline para uma campanha de publicidade (não me importo que alguém lhe pegue): “Desta vez, compre um livro para si”. E, bem a propósito, o livro que comprei mereceu mesmo ser lido.

 

 

 

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Onde encontrar inspiração para criar?

(03/01/2012) No dia-a-dia, tenho um bloco de notas do qual nunca me separo. As ideias para um artigo podem aparecer em qualquer altura: numa esplanada, em conversa com amigos ou na fila do supermercado. No entanto, tenho de admitir que mais de dois terços da inspiração provêm precisamente de outros artigos publicados quer em meios de comunicação quer em blogues e páginas do Facebook.

O difícil não é encontrar as fontes de inspiração. É saber identificá-las e potenciá-las.

A propósito de ideias, alguns criadores de topo de várias indústrias criativas revelaram ao Guardian quais são as suas fontes de inspiração e como as aproveitam ao máximo.

Imagem: é da autoria de Jack e faz parte de uma série de fotografias que retratam o seu pai.

A “minha” Sophia de Mello Breyner Andresen

 

(24/01/2011) Já conhecia os poemas, claro. Mas só descobri a “minha” Sophia de Mello Breyner Andresen (tenho esta ligação possessiva com alguns escritores, confesso) quando andava no segundo ano, penso eu, da minha licenciatura na faculdade. Um amigo ofereceu-me o conto infantil “A Floresta”, editado pela Figueirinhas. De infantil não tem nada, devo dizer. E acabei por me apaixonar por todos estes textos belíssimos: O Cavaleiro da Dinamarca, A Menina do Mar, A Noite de Natal, Os Três Reis do Oriente…

Esta divagação surge a propósito do Colóquio Internacional Sophia de Mello Breyner Andresen, que terá lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, nos próximos dias 27 e 28 de Janeiro, promovido por Maria Andresen de Sousa Tavares (filha), com a colaboração do Centro Nacional de Cultural. O programa é recheado de comunicações sobre a obra da escritora, cujos resumos podem ser lidos aqui.

O evento assinala a entrega do espólio da escritora à Biblioteca Nacional de Portugal, que ocorre um dia antes, data em que é inaugurada a exposição  “Sophia de Mello Breyner Andresen – Uma vida de poeta”, também no edifício da Biblioteca, comissariada por Paula Mourão e Teresa Amado. No dia 28, às 18h30, é lançado o número de Janeiro da revista Colóquio/Letras, dedicado em parte a esta escritora.

A reunião da obra de Sophia de Mello Breyner Andresen foi um trabalho hercúleo, segundo Maria Andresen de Sousa Tavares. A entrevista de Paula Moura Pinheiro à filha da escritora passou na edição do Câmara Clara de ontem, que, como é costume, poderá ser vista brevemente no site do programa.

Hoje, fui comprar um livro.

Hoje, fui comprar um livro. Não foi para estudar. Não foi para trocar uma oferta. Não foi para oferecer. Não foi para fazer um artigo sobre o mesmo. Não foi para me manter actualizada sobre novidades editoriais. Comprar este livro foi um puro acto de prazer – para saborear a sua leitura despojadamente. Sabem há quanto tempo não fazia isto?

(Este é, aliás, o último livro da minha escritora preferida – “Inverness”, de Ana Teresa Pereira. Há um blogue muito interessante sobre a sua obra. Espreitem-no aqui.)

“A literatura não é feita de papel”

Disse Chris Meade na IV Conferência Internacional do Plano Nacional de Leitura,  que teve lugar na Fundação Gulbenkian, dias 15 e 16 de Outubro. Isabel Coutinho descreve na revista Pública de ontem (recortem, por favor, as três páginas e arquivem-nas bem arquivadas ou digitalizem-nas bem digitalizadas, porque este senhor é uma referência) as principais ideias da comunicação do director do if:books (Institute for the Future of the Books), intitulada  “The amplified author and the creative reader”:

“Finalmente, aquilo de que falávamos, quase como uma metáfora, de que ler era uma actividade criativa em que estávamos empenhados, passou a ser uma realidade.”

 

“A primeira vez que se lê um livro num ecrã, como o de um iPad, percebemos intensamente que o livro não é um objecto. É uma experiência, acontece na nossa cabeça e acontece no nosso coração. A literatura não é feita de papel.”

 

“O momento do iPad parece-me muito mais importante do que a chegada dos e-readers que só permitem ler livros electrónicos num ecrã.”

 

Partilho do entusiasmo de Chris Meade em relação às potencialidades que o iPad reserva à poesia e à literatura em geral. Visitem os sites onde escreve regularmente:

Saramago

Eu, o meu pai e Saramago

Quando li pela primeira vez Saramago, ainda tinha na minha mesa-de-cabeceira os livros da colecção “Uma Aventura”. O mesmo aconteceu com outros senhores da literatura, como Eça de Queirós, David Mourão Ferreira ou José Cardoso Pires. A culpa foi do meu pai.

O meu pai sempre foi (e é) um bebedor de livros. E eu, com os meus anos ainda de escola preparatória, sempre que via o meu pai com um livro nas mãos, perguntava-lhe se era giro. O meu pai respondia “Sim, mas ainda não é para a tua idade”. Ora, naturalmente que, mal o meu pai pousava o livro, lá ia eu lê-lo. (Isso também aconteceu com alguns romances que não eram mesmo para a minha idade, como o “O Amante de Lady Chatterley” de D. H. Lawrence, mas isso é outra história.)

Por isso, curiosamente, Saramago está relacionado com a minha infância, uma época muito feliz. Se não gostei tanto de “Memorial do Convento”, “Ensaio sobre a Cegueira” e “Todos os Nomes” são certamente dois dos livros da minha vida. Também por ter tido o primeiro contacto com o escritor ainda nova, li-o despojado de quaisquer conotações marxistas, comunistas, religiosas, etc. E, para mim, Saramago, Nobel da Literatura em 1998 (não convém esquecer), é um grande escritor da língua portuguesa que faleceu. Ponto final.

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Casas-de-banho do mundo em livro

 Os canadianos têm uma “pee tree”. Os franceses gostam dos wc´s turcos. Os australianos preferem as portáteis. “Toilets are bay windows with a view on to a given population”, justificam os autores do livro “Toilets of the World“, Mona E. Gregory e Sian James, uma compilação fotográfica de casas-de-banho de diferentes partes do mundo. Segundo os autores, estes espaços, privados por excelência (embora apenas numa ínfima parte do globo), são um espelho da cultura das diferentes populações.

E são bem variadas, a avaliar pelas imagens abaixo apresentadas. O livro está à venda na Amazon ou nas livrarias disponíveis aqui. 

 

Jimmy´s Thunderbox, Austrália

Os australianos costumam utilizar esta casa-de-banho portátil quando se deslocam àqueles lugares do país sem vivalma (o que não é assim tão invulgar).

 

 

Aire de Pavillion, França

Muitos franceses preferem a casa-de-banho turca, sem assento, à tradicional, porque as consideram mais higiénicas.

 

Canadá

As “pee trees” são comuns nos parques de campismo no Canadá, numa tentativa de aproximação à Natureza.

 

CBGB, Nova Iorque, Manhattan

Uma casa-de-banho pública nova-iorquina por excelência.

 

Limpopo, África do Sul

Estas centenas de casas-de-banho são obra do próprio governo sul-africano, que constrói uma por cada lote de casas que oferece aos mais desfavorecidos (hoje, grande parte da população continua à espera das casas… e dos wc´s).

Os beijos de Nuno Milagre sobrevivem a tudo

A apresentação do seu segundo livro de poemas – “Um Beijo no Meio da Crise” – em Lisboa, no passado dia 22 de Dezembro e, agora, no próximo dia 30 de Janeiro, no Porto (ler detalhes no final da entrevista), foi o mote para uma curta conversa com Nuno Milagre sobre as vantagens das edições de autor, o cinema, as palavras e, incontornavelmente, os “seus” beijos.

“Um Beijo no Meio da Crise” é o teu segundo livro de poemas com edição de autor. Se tinhas receio de arriscar da primeira vez, em 2004, desta é um receio mais contido? O receio é sempre o mesmo. Publicar poemas é um acto de exposição pública, mas se se considera que há algo de novo a comunicar, algo que possa ter interesse para os outros, então vale a pena ultrapassar os receios e tornar os textos públicos.

Tentaste publicar junto de uma editora ou consideras que uma edição de autor traz mais vantagens? Não tentei publicar com uma editora. Sempre achei mais natural ser eu a fazer a edição. Assim publico no momento em que me é mais oportuno sem depender de calendários alheios, escolho os textos de que gosto e produzo o meu próprio livro. Poucas editoras me fariam livros tão bonitos como os que eu produzo, isto no que diz respeito ao desenho da capa, à escolha dos papéis e aos acabamentos. Dá mais trabalho, confronto-me com os obstáculos de todo o processo, o que inclui o lançamento e a distribuição do livro, mas só tenho que responder às minhas questões e não às questões de uma editora.

Estás, há muito tempo, ligado ao cinema, como assistente de realização e produtor. Por outro lado, escreves regularmente em publicações e fazes dos beijos poemas. Afinal, gostas mais da imagem ou da escrita? Que lugares ocupam, respectivamente? Trabalho em cinema há mais de dez anos, essa é a minha actividade profissional principal, é disso que vivo e gosto do meu trabalho. Quando a profissão mo permite, vou escrevendo. Publiquei dois livros em momentos que achei que tinha conjuntos de textos que mereciam ser reunidos num livro, e esporadicamente escrevo para a imprensa. Continuarei a trabalhar em cinema e a escrever, não são actividades incompatíveis e às vezes uma alimenta a outra, o que é uma vantagem. Sempre gostei de escrever e por isso nunca deixei de o fazer independentemente do que isso me possa retribuir em termos financeiros.

Para quem te conhece melhor, és o “Nuno Milagre” do filme “Diamante de Sangue” de Edward Zwick. Como tiveste a oportunidade de ingressar na equipa técnica do filme? Já tinha trabalhado em vários filmes de ficção e documentário em Moçambique e fui alargando a rede de contactos no país. Uns projectos trazem outros e foi assim que me convidaram para integrar a equipa técnica de “Diamante de Sangue”, pela via da direcção de produção moçambicana. Infelizmente, em Moçambique, há várias funções numa equipa técnica de cinema para as quais não há gente com formação suficiente para as desempenhar e têm que ir pessoas de fora.

“Dá-me esse beijo escondido / dá-me esse beijo que foge / dá-me esse beijo lento que ainda quase não é”… é um excerto de um poema do teu primeiro livro, “Irreconhecíveis Vistos do Espaço”. Com a crise, o beijo mudou? Os beijos dependem mais de quem os dá do que de questões exteriores, embora a conjuntura possa influenciar o estado de espírito das pessoas quando se beijam. Os beijos são anteriores à invenção da roda e ao domínio do fogo, sobreviveram e sobreviverão a todas as crises sem grandes alterações. Este livro, “Um Beijo no Meio da Crise”, é precisamente esse momento mágico de partilha em que o mundo e todas as injustiças e problemas deixam de existir. O amor, nem que seja por breves momentos, pode fazer esquecer tudo o resto.

Nuno Milagre é licenciado em Cinema. Tem sido assistente de realização em vários filmes, incluindo publicitários. Colabora regularmente com jornais e revistas. Em 2004, lançou o seu primeiro livro de poemas, “Irreconhecíveis vistos do espaço”, e, em 2009, “Um beijo no meio da crise”.

A próxima apresentação pública do livro “Um beijo no meio da crise” será no Porto, no Café Progresso (www.cafeprogresso.net), dia 30 de Janeiro, às 18 horas, e conta com a participação de António Capelo, Fernando Mariano e Inês Leite. Para já pode ser adquirido em várias livrarias em Lisboa (Pó dos Livros, Poesia Incompleta, Letra Livre, Book House, Trama, Artes e Letras, Carpe Diem, Casa da Achada e a livraria do cinema King) ou através do autor (noussnouss@gmail.com).

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Lançamento do livro "Um beijo no meio da crise" de Nuno Milagre

 

Nuno Milagre apresenta hoje, às 19h, o seu livro de poemas “Um beijo no meio da crise”, em Lisboa, na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio. A sessão de apresentação conta também com Carla Bolito, Carlos Paca e Gonçalo Amorim.

A Casa da Achada – Centro Mário Dionísio fica aqui.

Conversas completas de Nikolai Gógol e leitura de contos clássicos russos, 31 de Outubro, em Coimbra

rui_manuel_amaral_coimbraNo âmbito da comemoração do bicentenário do nascimento de Nikolai Gógol, clássico da literatura russa, a Galeria Santa Clara, em Coimbra, promove uma conversa com os leitores, moderada por Nina Guerra e Filipe Guerra (tradutores e promotores da literatura russa), às 18h00. No mesmo dia, às 22 horas, Rui Manuel Amaral (escritor e coordenador literário da revista Águas Furtadas) lê pequenos contos de grandes clássicos russos, entre os quais “Drama Nocturno” de Tchékhov, “O Pedinchão” de Dostoiévski, e “Vingança” de Nabokov.

Apresentação do livro “Os Guardiões dos Sonhos” de Cristina Montalvão Sarmento, a 9 de Julho

“Jovens americanos recusam fazer a guerra, emergem comunidades marginais, surge uma nova esquerda, despontam outros ritmos musicais e ensaiam-se experiências psicadélicas. Os checos inventam a Primavera na política e os checos contestam. Em Berlim instalam a Universidade Crítica e em Londres a anti-Universidade, acontecimentos potenciados pela crise que desestabiliza a democracia  francesa. Fenómeno globalizado que conflui numa crítica radical, marca dos anos sessenta e do imaginário colectivo, num contexto cujas influências teóricas e práticas políticas são aqui compreendidas à luz da Ciência Política.”

guardioes “Os Guardiões dos Sonhos – Teorias e Práticas Políticas dos Anos Sessenta”, de Cristina Montalvão Sarmento, vai ser apresentado no próximo dia 9 de Julho, quinta-feira, pelas 21h, no Centro Nacional de Cultura (Galeria Fernando Pessoa – Chiado).

 

Cristina Montalvão Sarmento é doutorada em Ciência Política pela Universidade Nova de Lisboa e professora no Departamento de Estudos Políticas da mesma instituição.

Participam no lançamento da obra, editada pela Colibri, os Prof. Doutores João Guerreiro, João Luís Lisboa, José Adelino Maltez e José Esteves Pereira.

Aniversário da morte do Nobel da Literatura Claude Simon, "nouveaux romancier"

simonClaude Simon, escritor francês laureado com o Nobel da Literatura em 1985, morreu há, precisamente, quatro anos, a 6 de Julho de 2005. Pouco conhecido do público português, a sua escrita está ligada à escola do “Nouveau Roman”, um movimento literário informal nascido no pós-guerra, contra o existencialismo.

 

“A literatura, como ele diz, está atrasada um século em relação à pintura. O romancista não representa o real: cria uma matéria de arte autónoma de que representa o real.”

Este excerto faz parte de um artigo de Robert Bréchon – “Claude Simon, Prémio Nobel de Literatura”, publicado na revista Colóquio/Letras, em Janeiro de 1986, no rescaldo da entrega do Prémio Nobel da Literatura a Claude Simon, motivo de espanto para muitos. Leia o artigo integral aqui. 

A única obra que li do autor foi “O Vento – Tentativa de Reconstituição de um Retábulo Barroco” (traduzido por Mário Cesariny de Vasconcelos, editado pela Quasi Edições, na colecção “Metamorfoses”), que recomendo vivamente. É um livro que deixa marca. Infelizmente, não há ou não conheço mais nenhuma obra deste escritor traduzida em português europeu.

Poesia Incompleta

poesiaincompleta1Chama-se Poesia Incompleta e é a primeira livraria dedicada à poesia. Fica na Rua Cecílio Sousa, n.º 11, entre o Príncipe Real e a Praça das Flores e, pelo que já tive ocasião de comprovar, vivem lá centenas de poetas. No entanto, vale a pena folhear a restante oferta editorial e, sobretudo, ler o respectivo blogue, uma abordagem realmente criativa sobre o dia-a-dia do espaço e dos seus visitantes.

 

 

José Saramago entrevistado pela Bravo!

135_li_saramago_gA propósito do lançamento do novo livro A Viagem do Elefante – José Saramago foi entrevistado por Almir de Freitas para a mais recente edição da revista cultural brasileira Bravo!. A entrevista é enriquecida por um extenso “prefácio”, útil para conhecer abreviadamente o percurso deste escritor.

 

Alguns excertos da entrevista

 

“Não concluir o livro seria mau, mas pior seria morrer.”

 

“Os crimes que desde sempre se cometeram em nome dos deuses são, como se dizia dantes, de bradar ao céu… Mas, como já deveríamos saber, o céu é surdo de nascença.”

 

“Quando se anunciou o próximo aparecimento do livro, toda a gente, sem nada saber dele, começou a chamar-lhe romance. Ora, A Viagem do Elefante não é um romance, faltam-lhe os ingredientes que nos habituamos a encontrar no género. Por exemplo, não há história de amor. E também não há uma personagem feminina importante, daquelas a que os leitores dos meus livros se habituaram. Quanto a mim, já desisti de classificações. Entenda cada um o livro como melhor lhe parecer e chame-lhe o que quiser.”

 

“Os sinais de vírgula e ponto, únicos que uso nas minhas ficções, são, como prefiro dizer, sinais de pausa, um mais breve, outro mais longo. Mas não é daí que vem a tal ‘voz’. A ‘voz’ vem do tom narrativo, que é muito mais que a simples oralidade, vem da proximidade com o leitor que é talvez a máxima preocupação do narrador, vem do uso de cadências e ritmos diversificados.”

 

Inúmeras vezes convidado a colaborar na imprensa, sempre me tenho negado, e agora eis-me a escrever grátis com a maior regularidade naquilo a que já chamei a página infinita de internet… [a propósito do seu blogue, que actualiza diariamente ? http://caderno.josesaramago.org].

 

Fotografia: Pedro Loureiro / Ler