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Onde encontrar inspiração para criar?

(03/01/2012) No dia-a-dia, tenho um bloco de notas do qual nunca me separo. As ideias para um artigo podem aparecer em qualquer altura: numa esplanada, em conversa com amigos ou na fila do supermercado. No entanto, tenho de admitir que mais de dois terços da inspiração provêm precisamente de outros artigos publicados quer em meios de comunicação quer em blogues e páginas do Facebook.

O difícil não é encontrar as fontes de inspiração. É saber identificá-las e potenciá-las.

A propósito de ideias, alguns criadores de topo de várias indústrias criativas revelaram ao Guardian quais são as suas fontes de inspiração e como as aproveitam ao máximo.

Imagem: é da autoria de Jack e faz parte de uma série de fotografias que retratam o seu pai.

Criadores # Laetita Morais e, já agora, Bas Jan Ader

(25/01/2011)

I Parte

É portuguesa (desenganem-se os que se deixaram levar pelo nome próprio) e acabou de ganhar a Bolsa Ernesto de Sousa 2010/2011, que se destina a premiar um projecto inédito no âmbito da arte experimental intermedia, numa iniciativa conjunta da Fundação Luso-Americana e da Fundação Calouste Gulbenkian, com o patrocínio do BES.

Laetitia Morais propõe-se desenvolver em Nova Iorque a instalação vídeo/performance “Missing for 10 Years”, um projecto de interacção de imagem, som e movimento. O projecto é uma homenagem ao desaparecido artista Bas Jan Ader e a artista apresenta-o como uma alegoria sobre o estado da ansiedade provocado pela carência de vínculo, ou de habitat – Ader terá morrido em pleno Atlântico, a bordo de um pequeno barco à vela, em 1975.   

Os trabalhos de Laetita Morais podem ser vistos aqui.

II Parte

São estas coisas que me dão gozo. Fui pesquisar o tal artista desaparecido Bas Jan Ader e deparei-me com um jovem que queria experimentar os diversos limites  a todo o custo através da fotografia, do vídeo e da performance, e cuja obra merece, de facto, ser conhecida (mais do que o facto de ter desaparecido). A própria viagem no Oceano Atlântico (presume-se que morreu na costa de Cape Cod) constituiria uma performance que desafiaria os limites entre a arte e a vida. Aliás, grande parte dos artistas norte-americanos dos anos 1970 (Ader era holandês, mas foi viver para Los Angeles com 21 anos) estava interessada em explorar a relação entre a arte e a vida, conceito no qual Ader se enquadrou perfeitamente.

Explore o site dedicado ao autor, leia os livros e veja os DVDs sobre a sua obra.

Criadores # As impressões digitais de Kevin Van Aelst

(17/01/2011)  Kevin Van Aelst cria impressões digitais a partir dos objectos mais comuns do dia-a-dia, desde a fita de uma cassete ao açúcar. Mas se foi a série “Fingertips” que me chamou a atenção (ver galeria), a exploração das obras  deste artista plástico nova-iorquino foi ainda mais interessante. Façam-na também aqui!

REMADE

Remade in Portugal 4.0 – Exposição de Design Ecológico e Artes Plásticas

(05/12/2010) A quarta edição da Remade – Exposição de Design Ecológico e Artes Plásticas desenvolve-se como se fosse um jogo, dividindo-se em 8 níveis/plataformas que o visitante deverá percorrer. É, assim, dentro deste conceito que surge o lema “Game Over – Press Start”, que “significa não desistir e continuar a agir para melhorar o nosso Planeta”. Está patente ao público no Museu da Electricidade, em Lisboa, entre 6 de Dezembro de 2010 e 2 de Janeiro de 2011.

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Workshop de Arte Pública I – Contentor Interferido

“Os recipientes que guardam os resíduos de construção e demolição são o objecto deste workshop. Estes conhecidos contentores espalhados por toda a cidade são os grandes recipientes de todo o tipo de entulho, lixo e de objectos que já deixaram de ter utilidade ou interesse. No entanto, acreditamos que este símbolo, tão frequentemente relacionado com o lixo que o ser humano pode criar, pode vir a ter uma nova utilidade.”

Promovido pela S.P.O.T., o workshop de Arte Pública I tem como objectivo criar uma intervenção artística utilizando o contentor como suporte. Decorre nos dias 25, 26 e 27 de Novembro de 2010, no Porto (espaço Lófte). Tem como convidado principal o artista britânico Oliver Bishop – Young, mentor do projecto “Skip Conversions”. 

Mais informações aqui.

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O Olho Biónico de Daniela Ribeiro

A exposição Olho Biónico – Ensaio de Comunicação, de Daniela Ribeiro, patente no Museu das Comunicações até ao próximo dia 31 de Julho, resultou de um desafio lançado pela Fundação Portuguesa de Comunicações a esta artista plástica. Objectivo: perspectivar uma tendência evolutiva da comunicação futura. Resultado: um projecto composto por 14 olhos biónicos, criados a partir de componentes electrónicos de cerca de 2000 telemóveis, combinando fotografia e tecnologia, ligados entre si pela Internet.

Daniela Ribeiro é fundadora da ArtinPark, uma associação cultural que proporciona ateliers a 12 jovens artistas, localizada desde 2008 na Spazio Dual (Av. Da República, 41, Lisboa), um espaço que combina um showroom de automóveis das marcas Alfa Romeu e Lancia, um restaurante e 800 metros quadrados da associação transformados em ateliers, loja e galeria.

Duas visitas a fazer.

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Os Gémeos – Das paredes devolutas para o Museu Berardo

São duas das figuras mais importantes do graffiti ou arte da rua. E é também a primeira vez que um museu português de grande dimensão acolhe uma exposição de artistas oriundos desta área criativa (embora a transição do graffiti para as paredes de uma galeria não seja nova). A dupla Os Gémeos, composta pelos irmãos brasileiros Otávio e Gustavo Pandolfo, é conhecida pelo uso do amarelo, do roxo e do vermelho em figuras fantásticas de proporções desmedidas, inseridas num imaginário sonhador, mas crítico.

Embora estes artistas façam questão de separar o graffiti como expressão artística de rua, que utiliza os muros e os prédios devolutos como telas, e esse mesmo conceito numa galeria, a verdade é que é precisamente essa transição que torna a exposição “Pra Quem Mora Lá o Céu É Lá” no Museu Berardo, patente até 19 de Setembro, um evento a não perder.

Próximas exposições fora de Lisboa

O circuito cultural expositivo em Lisboa acaba por ter maior mediatização do que as restantes do país. Estas, que decorrem fora da capital, valem a pena.

 Error

 10 de Março a 10 de Abril | Teatro Avenida, Aveiro

Por que vale a pena: o conceito é original – “Error” como expressão da incapacidade humana de evitar o erro – e o jovem artista plástico Tiago Margaça utiliza precisamente as paredes interiores do antigo Teatro Avenida como a sua tela.

 

60 anos de pintura de Eurico Gonçalves

 Até 12 de Março | Galeria Municipal de Abrantes

Por que vale a pena: Eurico Gonçalves foi um dos precursores da “pintura gestual” (ou pintura de acção) em Portugal. Aderiu ao surrealismo em 1949, ilustrando numerosas narrativas de sonhos e manifestando-se através do improviso.

 

Pintura de Manuel Caeiro

Até 28 de Março | Palácio Vila Flor | Guimarães

Por que vale a pena: Manuel Caeiro esforça-se por questionar a pintura através da criação de novas ordens, detalhes e módulos.

 

Manuel Oliveira, José Régio – Releituras e Fantasmas

Até 13 de Março | Centro de Memória de Vila do Conde

Por que vale a pena: a exposição apresenta a influência do escritor José Régio no cinema de Manuel Oliveira.

Victor_Palla

Lisboa tem Histórias

O Museu da Cidade lançou uma campanha original para assinalar o seu centenário. Chama-se Lisboa tem Histórias e pretende recordar as vivências, os costumes e as histórias de vinte personagens míticas, anónimas ou pouco conhecidas, caricaturadas por João Fazenda, que, pela suas singularidades, contribuíram para a história da cidade de Lisboa. São os casos de Luciano das Ratas, da estanqueira do Loreto ou do arquitecto e designer Victor Palla.

A campanha desenvolve-se até finais de Março, através de acções pontuais nas principais artérias da cidade, e da respectiva exposição no Pavilhão Preto do Museu da Cidade (Campo Grande).

“For Nothing” de Pedro Torres

Pedro Torres apresenta a instalação sonora “For Nothing”, hoje, às 19h, no espaço Round The Corner (Teatro da Trindade, Lisboa). A exposição estará patente até 17 de Janeiro e pode ser visitada diariamente entre as 17h e as 21h.

Tendo tido como ponto de partida a obra “Textos para Nada” de Samuel Beckett, Pedro Torres pretende levar-nos a ouvirmos vozes que mergulham num vazio, sons inaudíveis, sopros vocais murmuriados e vozes interiores. “For Nothing” é a primeira exposição em Portugal deste artista brasileiro que trabalha com vídeo, som, instalação e fotografia.

A vontade de “sair do silêncio da pintura” no CCB

silenciopinturaApós a Segunda Guerra Mundial, o questionamento e a incerteza em torno do lugar do Homem na cultura contemporânea levaram artistas a quererem “sair” do silêncio da pintura e a desenvolverem um género novo, no qual a palavra escrita ou o som estivessem presentes. Essas obras foram agora reunidas na exposição “Silêncios”, comissariada por Marin Karmitz, que estará patente no Museu de Colecção Berardo entre 3 de Novembro e 10 de Janeiro de 2010.

Exposição colectiva da ArtistLevel na Fabrica Features

convites04A Artistlevel, dedicada à promoção e divulgação dos artistas portugueses, inaugura amanhã, 31 de Outubro, uma exposição colectiva de criadores que representa, na Fabrica Features (último andar da Benetton Megastore no Chiado). Até 24 de Novembro, a mostra reúne trabalhos de 18 artistas, transversais a várias áreas como o vídeo, a fotografia, a pintura e o design de jóias: Cláudia Barradas, Diana Mestre, De Matos, Elsa Labistour, Eduardo Bragança, Fátima Mateus, Filipa Silveira, Francisca Menezes Ferreira, Isabel Mourão, Joana Lobo Anta, Joana Pinho Morgado, João Teixeira, Maria Celeste, M Lowndes, Natália Barros, Rita Carvalho Marques, Rita Fernandes e Vanessa Teodoro.

 

Le Coq Tuguese – Mostra criativa portuguesa no Mercado da Ribeira

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Integrada nos eventos tangenciais da Experimenta Design ’09, a Le Coq Tuguese é a primeira mostra de profissionais portugueses juniores e seniores nas áreas do design, ilustração, webdesign, arquitectura, acessórios de moda, fotografia, entre outras. É bom para os profissionais, que trocam contactos e experiências, e é bom para o público, que pode conhecer e comprar trabalhos de criativos emergentes e consagrados do país.

A mostra irá decorrer nos dias 29, 30 e 31 de Outubro, no Mercado da Ribeira, em Lisboa. Além da exposição, o programa conta com outras atracções: um painel de oradores, entre os quais Carlos Coelho (“O poder das marcas”) e os editores da revista Umbigo (“Umbigo e o seu percurso”), workshops sobre design e o colectivo Super Gorrila.

O Le Coq Tuguese é organizado pela Nutkase, Napron.Love e Caffeine.

Depois conto como foi.

Concerto visual “Transfronteiras”, pela OrchestrUtopica, quinta-feira, na Culturgest

transurbana_luis_camposO mundo imagético do artista Luís Campos cruza-se com a música contemporânea, quinta-feira, na Culturgest. O concerto visual “Transfronteiras”, proposto pela OrchestrUtopica, integra-se na sua linha de programação para esta temporada, dedicada à interacção.

Este fenómeno, potenciado pela emergência das plataformas digitais, é entendido pela OrchestrUtopica como “cruzamentos e ligações mais puras ou mais impuras, experiências de contaminação, de explosão de limites e fronteiras entre artes”. O concerto visual é, pois, um exercício de exploração dos limites do formato da recepção musical e de novas possibilidades.

 Transfronteiras | 17 de Setembro | Culturgest | 21h30 | 10 Euros (Jovens: 5 Euros)

Foto: Transurbana de Luís Campos

Festival de Artes Performativas em Vila do Conde, entre 19 e 26 de Setembro

HeaderV1Que a associação cultural Circular é um dos principais agentes de dinamização cultural de Vila do Conde já ninguém contesta (ou ousa). O Festival de Artes Performativas é um exemplo paradigmático. Já na 5.ª edição, o programa deste ano, entre 19 e 26 de Setembro, inclui duas partes da trilogia “Clean/Décline” do coreógrafo Marco Berrettini, a estreia da performance musical “1999” de Kurdian e as novas criações “Utopias, Ciborgues e Outras Casas nas Árvores” de Cláudia Cruz.

O Festival acolhe ainda trabalhos de Joclécio Azevedo, da companhia de teatro Mala Voadora e de Sónia Baptista. Uma mostra editorial sobre artes performativas em Portugal e um conjunto de debates completam o programa, que pode ser lido aqui.

Festival Silêncio! traz poetry slam a Lisboa e discute mercado do audiolivro

festival_silencioDivulgar e discutir as novas tendências artísticas que cruzam a música com a palavra são os objectivos do Festival Silêncio!, que fará de Lisboa a “capital da palavra”, entre os dias 18 e 27 de Junho, no Instituto Franco-Português, no Goethe-Institut Portugal e no Music Box.

 

Estas expressões culturais, preponderantemente urbanas, têm já uma dinâmica própria em “capitais” criativas, como Londres e Nova Iorque. No nosso país, estão a dar os primeiros passos. Trata-se de fenómenos inseridos na indústria livreira, discográfica e de vídeo, como o poetry slam (estão abertas as incrições para o respectivo concurso até 19 de Junho) , o rádio-arte, a leitura encenada, o audiolivro ou o vídeo-arte.

 

Destaco do programa deste festival, desenvolvido pela editora 101 Noites, o MusicBox, o Goethe-Institut Portugal e o Instituto Franco-Português, dois cenários: o conjunto de debates em torno do audiolivro e do mercado radiofónico e as iniciativas “Absolut Poetry” – a não perder a de 19 de Junho, no Music Box, o espectáculo “Estilhaços” com Adolfo Luxúria Canibal, António Rafael e Henrique Fernandes.

 

Vale a pena aceder ao site http://www.festivalsilencio.com.

 

 

“Identidade e Simulacro” – Junho das Artes em Óbidos até dia 28

70_Logo“Identidade e Simulacro” é o tema da segunda edição do Junho das Artes, na vila de Óbidos, a decorrer até ao próximo dia 28 de Junho. Durante este período, cerca de 50 artistas contemporâneos promovem uma interacção com vários espaços interiores e exteriores de Óbidos, com o objectivo de “criar uma fusão entre o património construído de origem histórica e a produção criativa, cenografando o ‘corpo’ criativo da própria vila”.

Comissariada por Luís Serpa, a iniciativa reúne um conjunto de artistas consagrados – Baltazar Torres, Carlos Correia, Diann Bauer, João Vilhena, Lidija Kolovrat, Luís Campos, Roberto Barni e Susanne Themlitz – e dezenas de novos criadores, entre eles Bárbara Assis Pacheco, Ana Anacleto e Samuel Rama. Os trabalhos estarão expostos no Centro de Design de Interiores, nas galerias de arte, nas igrejas, nos museus e nas próprias ruas de Óbidos.

"O maior poema da cidade"

pA Salomé Pinto escreveu-me sobre a última iniciativa da associação cultural a que preside, “Teia dos Sentidos”. Trata-se da criação do maior poema de São João da Madeira, a partir de versos subordinados ao tema “Primavera”, enviados por qualquer pessoa ligada de alguma forma a esta cidade. O projecto poderá ser acompanhado através do blogue http://omaiorpoemadacidade.blog.pt.

 

Tomo a liberdade de sugerir um exercício hipertextual: seria interessante transformar o poema numa teia de intra e inter-remissões.