Prémios ÑH para Jornal de Leiria e “i”

Já são conhecidos os vencedores dos prémios ÑH 2013, promovidos pela Society for News Design, que reconhecem as publicações periódicas com o melhor design editorial na península ibérica.

O jornal português “i” foi o vencedor na categoria de jornais diários com tiragem superior a 50 mil exemplares e arrecadou também o prémio para melhor capa (5 de Dezembro de 2012); o Jornal de Leiria foi considerado o melhor jornal diário, na categoria de jornais com menos de 15 mil exemplares; o publico.pt venceu na categoria de sites; a “Esquire” espanhola arrecadou o primeiro prémio na categoria de revistas e uma das capas da  revista madrilena “Metropoli” (12 de Outubro de 2012), foi considerada a melhor do ano.

Call for Papers # III Congresso Internacional de Ciberjornalismo

(31/05/2012) A organização do III Congresso Internacional de Ciberjornalismo, marcado para 06 e 07 de dezembro de 2012 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, convida os investigadores interessados a remeter, até 15 de Julho de 2012, propostas de comunicações a apresentar no Congresso.

As comunicações deverão versar sobre Ciberjornalismo, com especial preferência pelo tópico deste III Congresso, Convergência, nas diferentes dimensões do conceito associadas ao ciberjornalismo (profissional, empresarial, tecnológica e cultural):

As propostas devem ser enviadas para obciber@gmail.com, em Português, Espanhol ou Inglês. Cada proposta deve contemplar uma descrição de 400 a 500 palavras, que inclua, designadamente, o tópico e relevância do mesmo, hipótese ou argumento, moldura conceptual e metodológica, resultados previstos e até 5 palavras-chave. Cada proposta deve ser acompanhada de uma folha de rosto separada, para blind-review, apenas com nome(s), filiação institucional e endereços postal e eletrónico do(s) autor(es).

O texto acima foi retirado daqui.

Livros # Data Journalism Handbook

(07/05/2012) O jornalismo de base de dados (ou “jornalismo digital em base de dados”, termo cunhado por Susana Barboza) é baseado em grandes quantidades de dados que são curados, analisados e interpretados pelos jornalistas e publicados geralmente através de infografias e modelos visuais digitais dinâmicos (em geral, como elementos centrais ou como suporte a um texto). O Guardian mantém um blogue sobre jornalismo de base de dados e tem alguns exemplos interessantes de artigos neste âmbito.

É, neste contexto, de leitura indispensável o livro “The Data Journalism Handbook“, uma iniciativa do European Journalism Centre e a Open Knowledge Foundation. A obra é publicada pela O’Reilly Media, mas está também disponível gratuitamente online através de uma licença Creative Commons.

 

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“Jornalismo em Tempo de Crise” – resumos das principais intervenções

(03/04/2012) As duas primeiras sessões da série de conferências “Jornalismo em tempos de crise”, organizadas pelo Fórum de Jornalistas, tiveram lugar no Sábado passado, na Casa da Imprensa. Quem não teve oportunidade de ir pode aceder aos principais tópicos debatidos aqui.

Na próxima sessão, a 14 de Abril, serão debatidos os novos desafios do jornalismo, nomeadamente na vertente  online. Já os resultados do inquérito “Jornalismo e o futuro”, realizado pelo Fórum de Jornalistas e pela Universidade Católica, serão apresentados na última sessão das conferências “jornalismo em tempos de crise”, a qual terá lugar no final de Maio.

Prémios de Jornalismo “Direitos Humanos & Integração”

(22/02/2012) O Gabinete para os Meios de Comunicação Social (GMCS) e a Comissão Nacional da UNESCO (CNU) vão atribuir este ano, pela 7.ª vez, os Prémios de Jornalismo “DIREITOS HUMANOS E INTEGRAÇÃO” destinados a galardoar os melhores trabalhos jornalísticos sobre direitos humanos e integração que tenham sido publicados ou difundidos, em 2011, nos órgãos de comunicação social portugueses, em suporte tradicional ou eletrónico.
As candidaturas terminam a 30 de Abril de 2012. Mais informações aqui.

10 coisas que todos os jornalistas deviam saber em 2012

(03/01/2012) 1. Learn from Leveson | 2. Curate and share | 3. Invite others in | 4. Know your niche | 5. Think multimedia on multiplatform | 6. Data is not just for geeks | 7. Focus on what works – do less to do more | 8. Look to new off-site audiences | 9. Add value | 10. Online communities are no substitute for offline communities.

Não vale ficar pelos títulos que enumerei. Além destes conselhos para 2012, vale a pena recordar os de 2010 e 2009.

Dica: Ponto Media

Duas publicações essenciais para jornalistas empreendedores

(03/11/2011) Uma partilha uma experiência. A outra reúne casos de sucesso. Ambas, promovidas pela Knight Foundation, são de leitura obrigatória para quem quer lançar um projecto na área do jornalismo.

 “Reinventing Journalism – An unexpected personal  journey from journalist to publisher” relata a experiência de Robert J. Rosenthal, que, após 40 anos como jornalista e editor, se viu obrigado a lidar com “números” e a vertente do negócio, ao assumir a liderança do Center for Investigative Reporting e ao lançar o  “California Watch”. O testemunho termina com 10 lições essenciais para jornalistas empreendedores.

Getting local: how nonprofit news ventures seek sustainability” analisa algumas das news ventures sem fins lucrativos mais bem-sucedidas dos EUA, fornecendo dados sobre as estratégias que têm usado para envolver os leitores, angariar patrocinadores e alcançar a auto-sustentabilidade.

10 conselhos para estudantes (e profissionais) de comunicação

1. Especializa-te em temas, não em medias específicos
2. Aprende a converter as tuas ideias em projectos
3. Aprende a converter os teus projectos em negócios
4. Concentra-te nas linguagens e na narrativa, não na tecnologia
5. Começa a construir a tua identidade profissional agora
6. Aprende a trabalhar com outras pessoas
7. Aprende a pensar criativamente
8. Aprende a trabalhar rapidamente e bem
9. Começa um blogue
10. Pergunta
 
Estes são os 10 conselhos de Orihuela para os seus novos alunos de Comunicação. Como aluna e profissional, admito que são conselhos preciosos, em particular o 2.º, o 3.º, o 6.º, o 7.º e o 9.º.  Quanto à questão dos temas vs. media específicos, penso que o melhor é mesmo apostar nas duas vertentes.
 
No contexto de começo de aulas, revejo-me também na carta que António Granado (orientador da minha tese de doutoramento) endereçou aos seus novos alunos da licenciatura em Ciências da Comunicação (fazendo dele as palavras de Gideon Borton).

11 competências dos jornalistas do futuro

Headline Optimizer, Social Media Reporter / Aggregator, Story Scientist, Data Detective, Curator in Chief, Explanatory Journalist, Viral Meme Checker / Viral Video Maker, Slideshow Specialist, Networker, E-book Creator, Web Developer são 11 das novas funções que começam a surgir agora no seio do jornalismo. Reflictam bem sobre este artigo, se não quiserem ficar pelo caminho no futuro (muito breve)…

Fonte: Sustainable Journalism

 

Os tempos difíceis do português na imprensa

É o tema de capa da última edição da revista “Jornalismo & Jornalistas“, que recupera uma figura cada vez mais rara nos jornais – o revisor -, responsável por detectar os erros formais de português que estão cada vez mais presentes, defende o artigo, nos jornais e nas revistas. Recomendo também, nesta edição, a entrevista a Steve Doigt, por Carla Baptista, e as análises de Catarina Rodrigues e Pedro Jerónimo, ambas sobre as redes sociais.

Emídio Rangel tem novo projecto de media

(24/01/2011) “Os projectos de Emídio Rangel para a fundação de um semanário, uma rádio de informação e um site na Internet vão arrancar em simultâneo a partir de Abril. Trata-se de um investimento de cinco milhões de euros, que exigirá a contratação de mais de cem jornalistas que, no futuro, irão também trabalhar para um canal de televisão da responsabilidade do antigo homem forte da SIC.”

Ler a notícia completa do Público aqui.

Foto: Miguel Silva (Público).

Guia de sobrevivência do jornalista freelancer

[via Ponto Media]

São dez conselhos de quem passou “pelo deserto” e está a conseguir sobreviver através do jornalismo freelance. Concordo com nove deles, até porque me revejo nos erros e nas frustações iniciais. Também colaboro com publicações em regime freelancing, mas (feliz ou infelizmente, porque acredito que é um lápis de dois bicos) não o faço a tempo inteiro.

A propósito deste tema, houve, há uns meses, um seminário sobre jornalismo freelance, organizado pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. Podem aceder aqui a algumas conclusões do evento.

magazine

Em que formato iremos ler revistas em 2020?

Há cerca de uma década, estas eram algumas das previsões da Microsoft em relação ao futuro das publicações digitais:

  • em 2004, os tablets PC seriam uma ferramenta comum de leitura;
  • em 2006, os e-quiosques de notícias estariam em cada esquina;
  • em 2008, os e-books começariam a gerar um grande volume de negócios na maior parte dos países;
  • em 2010, as empresas iriam oferecer leitores de e-books;
  • em 2020, a definição de “livro” será “escrita no ecrã de um computador”.

Agora,a Exact Editions está a promover aqui um inquérito mundial para descobrir que formatos de revista – de uma lista de 11 – serão os mais populares em 2020.

A minha escolha recaiu sobre dois: “on a e-ink device” e “on a tablet”. No entanto, penso que as revistas impressas (gosto do termo “magbook”)  irão sempre existir, pelo menos aquelas cuja experiência de folhear, sentir a gramagem do papel e coleccionar fisicamente como um livro são uma mais-valia.

take care

Finalistas dos Online Journalism Awards

Já são conhecidos os finalistas dos Prémios de Jornalismo Online (Online Journalism Awards), promovidos pela Online News Association, em parceria com a Escola de Comunicação da Universidade de Miami. É uma boa oportunidade para ficar a conhecer alguns dos melhores exemplos desta área.

Finalistas

Knight Award for Public Service
The Las Vegas Sun and the Greenspun Media Group: Do No Harm
Sarasota Herald-Tribune: Flipping Fraud

The Roanoke Times | roanoke.com: I-81: Fear, Facts and the Future

Gannett Foundation Award for Technical Innovation in the Service of Digital Journalism
AP Stylebook Application, site, Twitter feed (1, 2, 3)
CNN iPhone App with iReport integrated
NPR API

General Excellence in Online Journalism, Micro Site
California Watch and the Center for Investigative Reporting
Gotham Gazette

St. Louis Beacon

General Excellence in Online Journalism, Small Site
ProPublica
The Texas Tribune | texastribune.org
voiceofsandiego.org

General Excellence in Online Journalism, Medium Site
The Las Vegas Sun and the Greenspun Media Group
Army Times Publishing Company: Military Times
Mother Jones
Salon Media Group: Salon.com

General Excellence in Online Journalism, Large Site
msnbc.com
NPR: NPR.ORG
New York Media: Nymag.com
The New York Times

General Excellence in Online Journalism, Non-English, Small Site
Cyberpresse.ca
OWNI
Local Foods Yahoo!Taiwan

General Excellence in Online Journalism, Non-English, Large Site
EL PAÍS
SA LA NACION
G1 – TV Globo

Breaking News, Small Site
The Oklahoman / NewsOK.com Staff: May 10 Tornados
The Tennessean: Nashville Flood

Breaking News, Large Site
Boston.com: The death of Edward M. Kennedy
CBC News: G20 Summit
CNN.com: Haiti Earthquake
The Seattle Times: Four Police Officers Slain
The New York Times: Haiti Earthquake Coverage

Specialty Site Journalism, Affiliated
BBC News: Election 2010
CHOW.com

NPR: NPR Music

Specialty Site Journalism, Independent
Curbed Network: Curbed.com
Design Observer Group: Design Observer
theheart.org by WebMD

Gannett Foundation Award for Innovative Investigative Journalism, Small Site
The Center for Public Integrity: Sexual Assault on Campus: A Frustrating Search for Justice
ProPublica, the New Orleans Times-Picayune and Frontline: Law and Disorder
Vancouver Sun: Vanishing Point: A five-part investigative series
voiceofsandiego.org: Out of Reach

Gannett Foundation Award for Innovative Investigative Journalism, Large Site
The Las Vegas Sun and the Greenspun Media Group: Do No Harm
The Los Angeles Times: Toyota: Road to Recall
The Philadelphia Inquirer: Justice Delayed, Dismissed, Denied

NPR, ProPublica, Frontline: Brain Wars: How the Military is Failing the Wounded
The New York Times: Toxic Waters

Multimedia Feature Presentation, Small Site
ABC (Australian Broadcasting Corporation) Innovation: Black Saturday
National Film Board of Canada: This Land

News21: Powering a Nation

Multimedia Feature Presentation, Medium Site
The John F. Kennedy Presidential Library & Museum, Domani Studios, The Martin Agency, AOL, AOL News, AOL SHOUTcast: We Choose the Moon
The Denver Post: American Soldier
The Las Vegas Sun and Greenspun Media Group: Bottoming Out

Multimedia Feature Presentation, Large Site
NPR: Grand Trunk Road
Reuters, Online News and the Thomson Reuters Foundation: Surviving the Tsunami – Stories of Hope
The New York Times: Held by the Taliban
USATODAY: Vancouver Olympics

Multimedia Feature Presentation, Student
S.I. Newhouse School of Public Communications, Syracuse University: SyracuseDiners.com
UC Berkeley Graduate School of Journalism: A Seed is Forever

UNC School of Journalism: Living Galapagos
Western Kentucky University Fleischaker-Greene Scholars: Farm to Fork: Investigating Agriculture

Online Topical Reporting/Blogging, Small Site
The Center for Public Integrity: Disaster in the Gulf (1, 2)
FLORIDATODAY: The Flame Trench space blog (1, 2)
Radio Free Europe/Radio Liberty: Persian Letters (1, 2)
voiceofsandiego.org: Building a Community around Education Coverage (1, 2)

Online Topical Reporting/Blogging, Medium Site
CBC News: Inside Politics Blog (1, 2)
Mother Jones: Team Coverage of BP Oil Spill (1, 2)

Online Topical Reporting/Blogging, Large Site
AOL News: Haiti, Life After Death (1, 2)
CNN.com: Technology (1, 2)
CNN.com: Afghanistan Crossroads (1, 2)

Online Commentary/Blogging, Small Site
Caring.com: Dad Has Dementia (1, 2)
Forward.com: The Sisterhood
Truthdig: Chris Hedges (1, 2)

Online Commentary/Blogging, Medium Site
Salon.com: Glenn Greenwald (1, 2)
Mother Jones: Kevin Drum (1, 2)

Online Commentary/Blogging, Large Site
ESPN.com: Howard Bryant (1, 2)
Politics Daily: Jill Lawrence (1, 2)

The Los Angeles Times: Christopher Knight, Culture Monster (1, 2)

Outstanding Use of Digital Technologies, Professional
CNN.com: Home and Away: U.S. & Coalition Causalities
The Las Vegas Sun and Greenspun Media Group: Bottoming Out
The New York Times: Oil Spill Tracker
The Texas Tribune Data Apps

Outstanding Use of Digital Technologies, Student
(sem prémio)

Outstanding Use of Emerging Platforms
NPR.ORG Mobile Applications
USATODAY for iPad

Online Video Journalism, Small Site
Huffington Post Investigative Fund: Tapped Out: How an Unpaid Water Bill Cost a Baltimore Woman Her Home
MediaStorm: Take Care

Minnesota Public Radio News: Explaining Instant Run-off Voting
Yale Environment 360: Leveling Appalachia: The Legacy of Mountaintop Removal Mining

Online Video Journalism, Medium Site
The Las Vegas Sun and the Greenspun Media Group: Bottoming Out (1)
Knoxville News Sentinel / knoxnews.com: Death on Chipman Street
The Dallas Morning News: Choosing Thomas

Online Video Journalism, Large Site
NPR: Krulwich on Science (1, 2)
NPR and ProPublica: Traumatic Brain Injury – The Battle For Care
TIME.com: Sudan Stories
The Toronto Star: William and the Windmill
The Washington Post: Scene In Video Series (1, 2)

Online Video Journalism, Student
S.I. Newhouse School of Public Communications, Syracuse University: The Fall Workshop (1, 2)
Knight Center for International Media, School of Communication, University of Miami: My Story, My Goal

Community Collaboration
CBC News: G20: Street Level
CNN.com: Haiti: The Missing, The Found, The Victims
The Los Angeles Times: Westside Debate
West Seattle Blog: West Seattle’s only 24/7 news source

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“De que conteúdos estamos a falar?”, pergunta Manuel Falcão

Manuel Falcão é o segundo convidado do projecto online “Onze Nomes” (depois de António Granado, referenciado aqui). Antigo jornalista do Expresso e da Visão, fundador do Blitz, e agora director da Nova Expressão, agência de planeamento de meios, Manuel Falcão afirma que, mais importante do que a forma de distribuição dos conteúdos, é essencial pensar nos tipos de conteúdos que o futuro irá exigir.

Aqui ficam algumas citações que retirei do visionamento do vídeo.

“Eu acho que os suportes [de papel e digital] ainda vão coexistir durante algum tempo.”

“O que é relevante não é propriamente a forma de distribuição… é mais de que conteúdos estamos a falar. (…) Quando falávamos em imprensa há uns anos, falávamos de escrita. Hoje em dia, a imprensa na sua versão digital já tem imagens em movimento e som. (…) É  a coexistência destas duas que vai moldar a cultural num futuro próximo.”

“É essencial preservarmos um conteúdo audiovisual da cultura e da literatura portuguesa. É essa a aposta que tem de ser feita.”

“O paradigma do instantâneo da notícia já vem detrás e era o inimigo da imprensa (…) mas precisamos de alguma distância e alguma análise. A imprensa consegue fazer isso melhor do que a generalidade dos outros meios.”

“O que vai fazer permanecer algumas publicações escritas é esse valor acrescentado da reflexão.”

“É muito importante fazer uma transição do serviço público (…). Está numa fase de mudança.”

“Acho que os leitores portugueses são muito pouco participativos. São mais opinativos do que participativos.”

Veja a entrevista aqui.

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Jornalismo online – os desafios da experimentação

“Jornalismo online – Os desafios da experimentação”, de Valério Brittos e Aléxon João,  é um artigo aparentemente simples, com mensagens que exigem uma reflexão complexa. Sublinho as seguintes passagens:

“Neste quadro, a experimentação ganha novo papel, essencial em toda atividade econômica, em especial àquelas vinculadas à cultura, como o jornalismo.”

É, de facto, indispensável inovar no jornalismo para vingar. Por outro lado, gostei que os autores usassem a palavra “cultura”, porque, por qualquer razão, há quem pense que o jornalismo não é uma actividade cultural. Não tenho dúvida de que, no seio das indústrias culturais, o jornalismo (ou, melhor, toda a indústria de conteúdos) é a principal actividade e merece ser analisada de três pontos de vista: comunicacional, cultural e económico.

“Qualidade parece ser a palavra-chave nessa era tecnológica, relativizando-se valores seculares do jornalismo, como objetividade, transparência, atualização, veracidade, imparcialidade, fidelidade e isenção, por motivações que passam por condicionamentos econômico-políticos.”

Claro. Sem qualidade, os media online não sobreviverão. E não argumentem com aquelas balelas usadas na televisão, como “o público consome o que lhes dão”. Os leitores não são palermas. Principalmente os que consomem informação (na verdadeira acepção da palavra) online.

“Para isso, é necessário investimento e capacidade de inovar, não o tradicional uso das tecnologias para reduzir o tamanho das redações.”

António Granado di-lo em “Onze Nomes”: com menos, não se pode fazer mais. Eu diria “melhor”.

O artigo está disponível aqui na íntegra.

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António Granado em “Onze Nomes”

É absolutamente indispensável ver a primeira entrevista do novo projecto on-line “Onze Nomes”, lançado pela Vitrimedia, produtora de Diogo Queiroz de Andrade. Trata-se de um conjunto de 11 entrevistas sobre conteúdos em português na internet a várias personalidades do mundo da comunicação.  A primeira dispensa apresentações: António Granado, ex-editor do Público, professor de Jornalismo na Universidade Nova de Lisboa e autor do blogue “Ponto Media”.

Algumas frases que retive da entrevista

“As edições on-line ainda não atingiram o estatuto de edições principais dos órgãos de comunicação social porque as pessoas responsáveis por essas edições ainda não perceberam que estamos numa revolução.”

“Os jornais não vão viver durante muito tempo.”

“Com menos pessoas faz-se tudo com muito menos qualidade.”

“As técnicas essenciais do jornalismo são fundamentais. (…) Os estudantes de jornalismo têm de saber contar uma história (…) e em vários meios melhor.”

“Não acredito muito neste jornalista dos sete instrumentos.”

“Há espaço para que os jovens criem novos projectos de jornalismo em áreas específicas.”

“Muitos destes nichos [ciência e ensino superior] não estão cobertos agora.”

24horas

O fim do 24 horas

Foi inteligente a forma como o 24 horas se despediu dos seus leitores: sem abandonar o seu posicionamento e foco editorial, do princípio ao fim. A capa diz tudo. Embora nunca tenha sido fã do jornal (acho mesmo que nunca o comprei, com excepção de hoje), gostei de ler algumas páginas. Espero, sobretudo, que os jornalistas sejam bem reintegrados.

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Documentário “Triângulos Imperfeitos” (perfeito de tão simples)

Realizado por Paulo Nuno Vicente, o documentário “Triângulos Imperfeitos” faz jus a este género cinematográfico e jornalístico. Gostei do ângulo de abordagem, gostei da simplicidade (uma qualidade tão rica e tão mal explorada hoje), gostei da selecção de entrevistados e, sobretudo, gostei da forma como o tema – tão pertinente na actualidade – foi explorado: sem malícia, sem devaneios e sem arrogância.

Aconselho a vê-lo na totalidade.

 

Triângulos Imperfeitos from pixeltreze on Vimeo.

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Leituras sobre novos modelos de negócio no jornalismo

O jornalista tem de sair do pedestal e assumir o perfil de empreendedor, ou seja, correr riscos,  conhecer os princípios de gestão de uma empresa e ter noção da multidisciplinaridade que envolve um negócio do jornalismo. Isto se quiser, naturalmente, vingar. Não poderia concordar mais com Rosental Alves, um gigante do jornalismo, professor da Universidade de Austin e docente do workshop “Digital Journalism for a Network Society” que está a decorrer na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (e o qual tenho o privilégio de estar a frequentar).

 

Enumero abaixo algumas leituras essenciais sobre novos modelos de negócio do jornalismo:

 

(Oportunamente, irei acrescentando mais links úteis.)

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ALF promove prémio de jornalismo

A Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting (ALF) está a promover a primeira edição do ALF de Jornalismo 2010/2011. O mesmo visa “incentivar, reconhecer e valorizar os jornalistas portugueses que durante um ano publicam trabalhos sobre as áreas do leasing, do factoring e do renting”, informa o organismo em nota enviada às redacções. A concurso estarão os trabalhos publicados entre 1 de Julho de 2010 a 30 de Junho de 2011, fechando o prazo de inscrições e de envio de peças até 30 de Junho de 2011.

O autor do melhor trabalho recebe um prémio pecuniário no valor de 2.500 euros, podendo ainda acompanhar a ALF no encontro anual da Leaseurope – Federação Europeia de Associações de Leasing. O órgão de comunicação social recebe uma menção honrosa.

Fonte: Meios e Publicidade

democracia

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa – os factos

Naquele que é um dos dias mais importantes para a democracia – o da Liberdade de Imprensa, assinalado hoje, 3 de Maio – a Freedom House publica a edição 2010 do “Freedom of Press Index”, um extenso dossier com reportagens e estatísticas mundiais relacionadas com a liberdade dos media.

Alguns factos:

  • apenas 17% dos cidadãos usufrui da liberdade de imprensa, em todo o mundo;
  • a liberdade de imprensa diminuiu em 2009, em particular nos países africanos, como a Namíbia e a África do Sul, e nos latino-americanos, nomeadamente o México e as Filipinas;
  • os governos da China, Rússia e Venezuela aumentaram os mecanismos de bloqueio de acesso aos conteúdos da Internet e novos media;
  • Bielorrússia, Birmânia, Cuba, Guiné Equatorial, Eritreia, Irão, Líbia, Coreia do Norte, Turquemenistão e Uzbequistão são os 10 países com a pior cotação mundial, onde a liberdade de imprensa simplesmente não existe ou enfrenta grandes dificuldades.

 Imagem: cartoon de Ed Stein

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Artigos por 5 dólares? Não, obrigada.

Não é recente a discussão que envolve a qualidade do jornalismo versus a proliferação de sites de “notícias”, muitos deles sem… notícias (os colunistas da magazine Folio têm-na acompanhado muito bem). Agora, a polémica envolve empresas de licenciamento de conteúdos, como a Associated Content, que vende artigos a preços irrisórios para grandes grupos de media que, por sua vez, procuram conteúdos cada vez mais baratos, em particular para os seus sites.

 A Associated Content, que fornece conteúdos para a Cox Newspapers, a Hachette Filipachi ou a Thomson Reuters, entre outras, paga a quantia ridícula de 5 dólares por artigos aos seus freelancers.

Não é preciso ir mais longe. Cinco dólares por artigo é um atentado aos jornalistas (não me parece que todos os freelancers da Associated Content o sejam), ao jornalismo e aos media on-line que, a longo prazo, perderão a sua credibilidade.

 

  1. Mais do que uma questão económica, trata-se de uma questão editorial. A ideia de que os leitores procuram histórias rápidas, sem originalidade, nos meios on-line já está um pouco ultrapassada. E esses meios, ao perderem credibilidade editorial, irão perder leitores a longo prazo (o que os diferenciará dos milhares de blogues e sites agregadores de conteúdos?).
  2. Os conteúdos a metro afectam, por consequência, a percepção que os leitores têm dos meios on-line – a de que têm muito menor qualidade do que os impressos. De facto, a prática corrente dos grupos de media só ajuda a fortalecer esta percepção (e não me parece que a Hachette Filipachi coloque artigos de 5 dólares nas suas revistas impressas).
  3. Sejamos lógicos: um artigo de 5 dólares nunca poderá ser um bom artigo. A menos que seja um pedaço de escrita feito com base noutro pedaço de conteúdo e que não demore mais de 60 minutos a construir. Porém, aí regressamos ao problema inicial: como fica o bom jornalismo on-line?
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Prémio de jornalismo económico – inscrições abertas

Estão abertas até 14 de Maio as pré-inscrições para o prémio Jornalismo Económico 2009. A iniciativa, promovida pelo banco Santander Totta e pela Universidade Nova de Lisboa, visa reconhecer os melhores trabalhos jornalísticos publicados durante o ano passado em imprensa ou em edições electrónicas sobre as áreas de gestão de empresas e mercados financeiros, sendo atribuídos prémios monetários num montante global de 22.500 euros. O vencedor do Grande Prémio recebe 15 mil euros.

Mais informações aqui.

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Call for Papers – II Seminário Internacional de Media, Jornalismo e Democracia

Estão abertas até 31 de Maio as chamadas de trabalho para o II Seminário Internacional de Media, Jornalismo e Democracia, organizado pelo Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) que terá lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, nos dias 8 e 9 de Novembro de 2010.

Poderão ser submetidas propostas de comunicação relacionadas com todas as áreas dos estudos dos media e do jornalismo, mas um dos factores de selecção será a conexão dos trabalhos propostos com o tema central do seminário – Media, Jornalismo e Democracia.

Mais informações aqui.

jornalismo

Como criar um negócio na área do jornalismo

É um mini-curso da Escola de Verão da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e há, sobretudo, duas razões para frequentá-lo: a relevância do tema é indiscutível (um jornalista pode e deve ser empreendedor) e é ministrado pelo Prof. António Granado.

O curso é composto por cinco sessões, de quatro horas cada, programadas para os dias 6, 8, 10, 15 e 17 de Setembro de 2010, entre as 18h e as 22h. As inscrições podem ser feitas aqui.

Próximas reuniões científicas na área do jornalismo

Local: Palácio de Congressos de Huesca, Espanha.

Data: 11 e 12 de Março de 2010.

Grandes temas: desaparecimento do jornalismo, novas narrativas, jornalismo integrado (ou de convergência) e jornalismo on-line em Portugal (com a participação do professor universitário e editor on-line do Público, António Granado).

 

Local: Universidade de Westminster, Londres.

Data: 25 e 26 de Março de 2010.

Grandes temas: dimensões dos media minoritários em África, relação entre media e direitos humanos, implicações dos media na identidade política, nos dialectos, no racismo e conflitos. 

 

Local: Tartu, Estónia.

Data: 14 a 16 de Abril de 2010.

Grandes temas: Papel do indivíduo na transformação cultural, património cultural e linguagens da arte.

 

Local: Universidade de Austin, Texas.

Data: 23 e 24 de Abril de 2010.

Grandes temas: jornalismo on-line e novo papel do jornalista.

 

Apresentação do livro “Memórias Vivas do Jornalismo”, dia 11 de Fevereiro, na livraria Barata

Da autoria de Fernando Correia e Carla Baptista, o livro “Memórias Vivas do Jornalismo” será apresentado por José Rebelo e Miguel Gaspar, no dia 11 de Fevereiro (quinta-feira), às 18h30, na livraria Barata (Avenida de Roma, 11-A) em Lisboa.

Os autores utilizam a entrevista em discurso directo (género que tem sido, aliás, privilegiado em obras semelhantes lançadas nos últimos tempos) para criar um retrato da profissão de jornalista nas décadas de 40, 50 e 60, a partir do contributo de 17 profissionais da área.

“Jornalismo em Liberdade” agora e no futuro

De modos diversos, Francisco Sena Santos, Joaquim Letria, Vicente Jorge Silva, Emídio Rangel, Henrique Cayatte e Maria Elisa modificaram a minha vida e a visão do país e do mundo de milhares de portugueses. Cada qual à sua medida e dimensão e também em tempos diferentes alteraram a forma de fazer informação em Portugal. Como eles outros haverá – e há – mas os que aqui aparecem, para citar o final de um conhecido poema de Brecht que nos fala dos que lutam pela mudança, “são os imprescindíveis”.
Talvez este livro seja, nessa perspectiva, uma forma modesta de agradecer e fixar o trabalho – controverso, contraditório, incompreendido, criticado, aplaudido – e as marcas profissionais que os percursos de cada um tiveram e assumiram.

Lançado no passado dia 24 de Novembro, na livraria Almedina do Saldanha, o livro “Jornalismo em Liberdade”, da autoria de João Figueira, professor de Comunicação da Universidade de Coimbra e ex-jornalista do Diário de Notícias, reúne entrevistas com seis personalidades que, na opinião do autor, influenciaram de forma decisiva a informação e a forma de fazer jornalismo no período pós-25 de Abril. A obra reflecte também sobre os desafios que o futuro irá impor aos media.

Sobre as mudanças no Público e a nova filosofia dos editoriais – o editorial de 1 de Novembro

A nova Direcção do jornal Público disseminou por e-mail o editorial publicado na edição de 1 de Novembro de 2010, como forma de marcar o seu novo (velho) posicionamento. Sublinhei abaixo as frases que merecerão reflexão futura, em particular sobre o papel dos editoriais nas publicações periódicas.

O PÚBLICO inicia hoje uma nova etapa da sua história. Quase 20 anos depois do primeiro dia, uma nova direcção, um novo começo. Um tempo mais difícil, também.

Há 20 anos, tivemos a ousadia de em Portugal seguir os paradigmas da grande imprensa europeia e conseguimos ser hoje uma referência sem paralelo na imprensa diária portuguesa.

Os ideais originais estão vivos – qualidade e rigor, distanciamento, independência e integridade. Olhamos para o jornalismo como parte nuclear da democracia e da liberdade e vamos exercê-las informando, questionando e investigando. Podemos escolher as palavras justas em nome da convicção com que as sustentamos – convicção num jornalismo forte, profundo e livre. Isso é fácil. A confiança no jornalismo, no entanto, já viveu melhores dias.

O fundador deste jornal, Vicente Jorge Silva, disse num texto recente que a credibilidade da imprensa de referência ficou seriamente afectada pelos incidentes que rodearam a última campanha para as legislativas. Um balanço duro, mas uma conclusão lúcida.

Não temos nada a acrescentar a uma polémica sobre a qual tudo está dito e da qual não ficaremos reféns. A razão de estarmos aqui hoje é anterior a tudo isso. Mas não escamoteamos o facto de ser nossa primeira obrigação repor essa credibilidade ameaçada, conscientes que estamos da percepção pública de um excesso de peso ideológico no jornal. Acreditamos num jornalismo culto e responsável, que desafia o sensacionalismo e as agendas informativas cada vez mais estreitas.

O leitor encontrará a partir de hoje pequenas diferenças através das quais queremos exprimir este novo começo. Não mudaremos a linha gráfica apenas para dizer que chegámos e somos diferentes – acreditamos mais na substância das coisas do que na forma; é pela substância que queremos afirmar-nos.

Os editoriais, a partir de hoje, deixarão de ser assinados. Os editoriais expressarão o pensamento desta direcção e deste jornal sobre o mundo que procuramos descrever, compreender e analisar página a página. Não queremos doutrinar nem vender receitas. Queremos interrogar o mundo. Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos. Os editoriais serão escritos pelo novo Gabinete Editorial, composto pela direcção e mais cinco jornalistas do PÚBLICO – Teresa de Sousa, Jorge Almeida Fernandes, Margarida Santos Lopes, Ricardo Garcia e Vítor Costa. Há 20 anos, quando nascemos, foi decidido que os editoriais seriam assinados com base em duas ideias: seriam mais acutilantes e comprometeriam apenas o seu autor. Hoje sabemos que essa ideia original se tornou utópica e que um editorial compromete todo o jornal – é a cara do jornal – e não pode, por isso, ser veículo da opinião de uma só pessoa. Acreditamos, também, que é possível escrever editoriais incisivos, com pontos de vista corajosos e provocadores, que questionem e mobilizem a sociedade. Os novos editoriais do PÚBLICO, são, portanto, textos de opinião do jornal como instituição. A mesma filosofia será aplicada à secção Sobe e Desce.

Não serviremos governos, nem procuraremos certificados de bom comportamento. Prosseguiremos uma nova etapa do caminho, no respeito pelos valores que nos guiam desde o primeiro dia.

Queremos garantir a sustentabilidade do PÚBLICO como projecto de referência, desenvolver novas plataformas de intervenção editorial, trabalhar para elevar os padrões e sermos líderes no rigor, na reportagem, na análise, na crítica cultural e na opinião. Vamos estar obcecados com a isenção, a investigação, a profundidade e os temas de proximidade (e para isso vamos criar um caderno Cidades, que sairá aos domingos).

Não queremos inflacionar as expectativas, queremos corresponder aos leitores. Sabemos que o PÚBLICO é o jornal dos leitores exigentes, curiosos e atentos, das pessoas que pensam e que querem que o seu jornal seja um instrumento para pensar mais. Os nossos leitores – 250 mil por dia – são pessoas que sabem e que querem saber mais. São os melhores – e os mais severos – leitores.

 

A Comunicação Social num Contexto de Crise e de Mudança de Paradigma – 20 e 21 de Outubro, na Fundação Calouste Gulbenkian

“A Comunicação Social num Contexto de Crise e de Mudança de Paradigma” é o tema da III Conferência Anual da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) que se realiza nos dias 20 e 21 de Outubro, no auditório II da Fundação Calouste Gulbenkian.

Entre os oradores, destacam-se Jeffrey Cole (Center for the Digital Future, USC Annenberg School for Communication) e Roland Berger (consultor estratégico).

Painéis

1. O futuro da mediasfera. Impacto na regulação

2. Que modelo(s) de negócio para a comunicação social?

3. Imprensa tablóide, revistas de sociedade e do “coração” e reserva da vida privada

4. Televisão pública e televisão comercial: o que as distingue, o que as deve distinguir?

5. Sondagens e jornalismo. Práticas e boas práticas

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A "melhor" e a "pior" capa dos jornais de hoje

A escolha da capa de um jornal diário depois de um acontecimento como o das eleições legislativas é crucial e merece muita estratégia editorial. Sendo óbvio que todos os diários escolhem o mesmo tema de capa, a forma como este é abordado – a imagem, a manchete e a restante mancha de texto – torna-se no factor diferenciador. Neste caso, este processo assemelha-se muito a uma estratégia criativo-publicitária: o jornal com o melhor conceito e headline vence. Contudo, isso não aconteceu hoje.

 Com poucas diferenças entre si, as manchetes dos principais jornais não foram satisfatoriamente criativas: “PS não absoluto” (Público), “Vitória limitada do PS” (DN), “Maioria relativa” (Correio da Manhã), “Negociação absoluta” (Jornal de Notícias) e “Sócrates obrigado a fazer acordos parlamentares” (i). Curiosamente, o 24 Horas e O Primeiro de Janeiro colocam a mesma pergunta na capa “E agora, Sócrates?” (O Primeiro de Janeiro foi um pouco mais longe, acrescentando um ponto de exclamação e retirando, mal, a vírgula a seguir a “agora”).

No entanto, foi na imagem escolhida e no plano criado para a suportar que os jornais se distanciaram. Um olhar mais atento às expressões de Sócrates captadas pelos fotojornalistas e escolhidas pelos editores é determinante para posicionar todos os jornais em diferentes filosofias editoriais. De todas, a pior é mesmo a d’O Primeiro de Janeiro. O Público ganhou desta vez a campanha.

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“O jornal podia ter fechado”

539Em entrevista à Meios & Publicidade, José António Saraiva, director do Sol, confessa que o jornal podia ter fechado, devido à instabilidade accionista que viveu antes da entrada da Newshold no capital do semanário que celebra o 3.º aniversário neste mês.

 

Em jeito de balanço, José António Saraiva continua a ter como objectivo liderar o mercado dos semanários (recorde-se que o Expresso ainda tem uma média de circulação superior a 50% em relação ao Sol), o que não aconteceu até agora devido à política agressiva de brindes do Expresso, à instabilidade accionista e à campanha hostil por parte do Governo em casos como o do Freeport. “Com toda a franqueza, neste momento esperava estar acima de 50 mil [venda de exemplares]. É um patamar mínimo abaixo do qual acho que era difícil, inclusive, a minha permanência”, afirma à M&P.

Quanto à instabilidade accionista, Saraiva recorda “momentos terríveis, dramáticos” que puseram em risco o jornal e que só foram resolvidos com a entrada dos angolanos: “houve rupturas de tesouraria, os bancos, a partir de certa altura, sobretudo no período do caso Freepot que coincidiu com o momento mais agudo, fecharam-nos muito as portas – inclusive o Milennium BCP, nosso accionista – à entrada de dinheiro ou aumento da linha de crédito, alguns até nos cortaram linhas de crédito atribuídas. Houve uma pressão política muito grande sobre o BCP no sentido de estrangular o jornal. (…) Felizmente, houve a entrada dos angolanos. Pagaram todas as linhas de crédito – não temos dívidas à banca – a todos os fornecedores e ainda compraram o edifício onde estamos (…)”.

A entrevista integral foi publicada na edição impressa da M&P de hoje, que estará disponível no respectivo site no espaço de algumas semanas.

Livro “Estudos sobre os Jornalistas Portugueses”, organizado por José Luís Garcia, é apresentado hoje, às 18h30, na Fnac do C. C. Colombo (Lisboa)

estudos_jornalistas_portugueses“Estudos sobre os Jornalistas Portugueses – Metamorfoses e encruzilhadas no limiar do século XXI”, organizado por José Luís Garcia (também co-autor), é apresentado hoje, 7 de Julho, às 18h30, na livraria Fnac do Colombo.

O livro é composto por artigos do próprio organizador e de outros investigadores da área, nomeadamente Filipa Subtil, Manuel Correia, Pedro Alcântara da Silva, Sara Meireles Graça. Hugo Mendes, Fernando Correia e Telmo Gonçalves.

A obra será apresentada por José Pacheco Pereira e Adelino Gomes que já afirmou não conhecer “olhar mais rigoroso sobre a reconfiguração em Portugal do jornalismo e da profissão de jornalista na viragem do século”. 

José Luís Garcia é professor e investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Um bom motivo por que as revistas cor-de-rosa interessam…

cs1…Porque permitem (também) ler artigos como este, publicado pelo Prof. Rogério Santos, no blogue Indústrias Culturais, a propósito do cenário e das personagens em torno da jornalista “Clara de Sousa”.

 

Há sempre um certo pseudo-asco em relação a este tipo de revistas, e confesso que não as compro mesmo (embora as folheie sempre que as “apanho”), mas não me esqueço do que o Prof. Rogério Santos me disse quando estava a defender a minha tese de mestrado sobre a cultura no jornalismo cultural: as revistas cor-de-rosa são um veículo importante para estudar os públicos da cultura e a cultura urbana portuguesa (foi mais ou menos esta ideia). O artigo mencionado acima é, precisamente, um bom exemplo disso.

O jornal “i” mudou… Porque “num instante tudo muda”.

De acordo com a Meios & Publicidade, o jornal “i” introduziu mudanças na designação do suplemento de sexta-feira (“O melhor do New York Times” passou a ser “I Reportagem”), na capa da edição de sábado (com a inclusão da mancha gráfica “Edição de Fim-de-Semana”) e na própria revista “Nós”, que aumentou a sua largura. Martins Avillez Figueiredo justifica as alterações: a assinatura da campanha publicitária “I num instante tudo muda” é permanente.

Gostaria de saber as verdadeiras razões porque seriam importantes para um estudo da própria evolução do jornal.

O que ainda não tenho a dizer sobre o jornal “i”

iJORNAL_11MAI09Confesso que estou a comprar os números do jornal “i” desde o primeiro número e fá-lo-ei até quarta-feira. Aí, depois de um ciclo semanal de edições (tendo tido estas muito mais tempo de concepção do que as que vêm aí, como me lembrou muito bem um jornalista meu amigo), terei dados para comprovar as minhas hipóteses:

a)     a de que o jornal não corresponde ao posicionamento divulgado (há muita informação não essencial no jornal e, sobretudo, na capa);

b)     a de que o jornal não aposta, infelizmente, na cultura (tendo tão bons jornalistas culturais a trabalhar lá);

c)     a de que o amarelo e o design editorial em geral (sobretudo algumas montagens e as ilustrações) não me convencem;

d)     a de que a edição de sexta-feira não faz jus ao preço e muito menos faz concorrência ao Público;

e)     a de que a revista Nós promete (o primeiro número deixou-me, de facto, sedenta de mais);

f)       a de que o conceito editorial é uma mistura de Time Out, Correio da Manhã e Diário Económico;

g)     a de que alguns textos são mesmo, mesmo muito bons (não seria de esperar outra coisa da equipa), mas estão arrumados com outros completamente sensacionalistas (“Perca peso com a Al-Qaeda”???).

No entanto, é um produto das indústrias culturais e, em contexto de crise, é mais que bem-vindo. Emprega uma equipa de quase uma centena de jornalistas e criativos. Só tem de encontrar o seu público-alvo e assumir-se como um media complementar e não concorrente de outros diários impressos de referência.

Mas, por enquanto, como disse, ainda são só hipóteses.

Mudanças na revista Sábado e no jornal Público

sabadoA revista Sábado tem a partir de hoje um site, com uma forte componente multimédia, dirigido a um atarget A/B (25/44 anos).

 

As mudanças no jornal Público são mais profundas e passam pela reorganização da direcção da sua edição online e de uma direcção editorial mais flexível e operacional, com vista a posicionar o jornal como “marca de informação”.

 

As duas notícias estão aprofundadas na Meios & Publicidade.