editeestreladuvidas

O que é um prontuário ortográfico?

Quando dava formação em “Técnicas de Exposição e Expressão Escrita” no Ifilp, era raro o formando que conhecia o prontuário ortográfico da língua portuguesa. Há pouco tempo, apercebi-me de que há jornalistas que não conhecem nem usam estes e outros instrumentos semelhantes, essenciais a uma boa escrita.

Um prontuário ortográfico é um livro que reúne as principais dúvidas da língua portuguesa, sendo concebido para ser de fácil consulta e estar sempre à mão. Particularidades ortográficas, uso correcto das maiúsculas ou do hífen, concordância entre elementos da frase e outras dificuldades da língua são registados com simplicidade e objectividade.

Lembrei-me disto a propósito do lançamento do novo Dicionário de Dúvidas, Dificuldades e Subtilezas da Língua Portuguesa, da autoria de Edite Estrela, Maria José Leitão e Maria Almira Soares, editado pela Dom Quixote, o qual já adquiri. É, como hábito destas autoras, extremamente pertinente e de fácil consulta.

Não gosto de aconselhar nenhum em particular, mas deixo aqui o nome de alguns prontuários que estão na minha estante:

» Prontuário da Língua Portuguesa da Porto Editora, edição de 2010, já com o acordo ortográfico;

» Novo Prontuário Ortográfico, de José Castro Pinto, da Plátano Editora;

» Guia Essencial da Língua Portuguesa para a Comunicação Social, da autoria de Edite Estrela e J. David Pinto-Correia, editado pela Editorial Notícias (pré-acordo ortográfico);

» Saber Escrever, Saber Falar, da autoria de Edite Estrela, Maria José Leitão e Maria Almira Soares, editado pela Dom Quixote (pré-acordo ortográfico);

» Atual – O Novo Acordo Ortográfico, da autoria de José Malaca Casteleiro, editado pela Texto Editora.

jornalismo_freelance1

Seminário “Jornalismo Freelance”

Seminário “Jornalismo Freelance”

Local: Escola Superior de Comunicação Social (Auditório Vítor Macieira)

Data: 9 de Junho, às 14h

Painéis: “Jornalismo Especializado”, “Como vender o seu trabalho?, agências e negócios” e “Redes Sociais”.

Oradores: Vicente Themudo de Castro, Anabela Mota Ribeiro, Ioli Campos, Sara Adamopoulos, José Vegar, Alfredo Maia, Valter Vinagre, António Granado e Paulo Moura.

[dica de Indústrias Culturais]

familia4

Quem é a sua família?

A riqueza cultural do mundo reside na sua diversidade. Quer aquela mais óbvia quer a que se vislumbra. E esta exposição enche-me as medidas, das duas formas. Já tinha lido sobre ela em vários jornais e revistas (a propósito, a Alexandra Prado Coelho escreveu para a Pública uma peça lindíssima acerca da exposição) e visto várias imagens, mas, ao contrário de tantas outras mostras fotográficas, nesta ganha-se muito (aliás, tudo) em ir lá. 

O conceito da exposição “1000 Famílias – O Álbum de Família do Planeta Terra”, promovida pela Aministia Internacional, é simples (daquela simplicidade que a torna tão rica): o fotógrafo alemão Uwe Ommer percorreu os cinco continentes durante quatro anos, entre 1996 e 2000, e ia perguntando às pessoas com quem se cruzava – empregados de escritório no Brunei, marinheiros no México ou membros da cultura amish – se podia fotografar as “suas” famílias, com o propósito de criar um “álbum de família” para o nosso planeta. E é aqui que, na minha opinião, reside a originalidade e valor cultural desta exposição – as diferentes percepções do conceito de família nos vários cantos do mundo.

“1000 Famílias – O Álbum de Família do Planeta Terra” está patente ao público, em Belém, junto ao Museu da Marinha (a exposição é ao ar livre) até 30 de Junho, depois de ter recebido cerca de 10 milhões de visitantes em Paris, Madrid, Berlim, Bruxelas e Nova Iorque.

Este álbum de família existe, naturalmente, em livro, numa edição da Taschen, intitulada Uwe Ommer,Transit: Around the World in 1000 Families.

Foto 187 – Dakar, Senegal, 26 de Abril de 1997

Antigo mecânico de carros, Habdoul é agora o coordenador protocolar presidencial. Organiza a recepção dos convidados de Estado ao mínimo detalhe, desde o momento que chegam ao aeroporto até à sua partida. Na qualidade de Muçulmanos praticantes, dizem-nos: “Nós pregamos à unidade em África e no resto do mundo”.

 

 

 Foto 539 – Montalegre, Portugal, 14 de Maio de 1998
Cinquenta cabras, 20 cavalos, 15 vacas e vinha em todo o redor da casa. “Muito trabalho e pouco dinheiro”, comenta José, de 77 anos, que vive com a sobrinha de 50. No dia da sessão fotográfica, o sobrinho, um estudante de electrónica de férias, estava a ajudá-los a cortar a erva e a cuidar de umas vacas verdadeiramente espectaculares.

 
Foto 958 – Garrni, Arménia. 23 de Agosto de 1999
As pessoas descrevem Garnik como tendo ‘mãos de ouro’. Foi joalheiro até o mercado da joalharia entrar em colapso, tornando-se então sapateiro. “Observei outros sapateiros a trabalhar e folheei catálogos.” Faz sapatos com uma simples máquina de coser e uma grande dose de talento. Naira ensina Arménio na escola secundária e também dá aulas de Inglês e Francês na escola primária. Estão optimistas quanto ao futuro. “Pensam em ter mais filhos?” – “Sim, claro”, respondem. Ambos ajudam os pais, que se reformaram após 25 anos a trabalhar numa fábrica de níquel e que agora cuidam da horta, de um pomar e cultivam uns poucos campos, o seu principal meio de subsistência.

steve_burry

Dicas para conseguir ser jornalista digital (isto é, arranjar mesmo um trabalho)

[dica de Ponto Media]  Steve Butry, director de Community Engagement na TBD, revela no seu blogue quais foram os critérios de escolha de cinco jornalistas digitais para a sua equipa, fornecendo dicas imprescindíveis para aperfeiçoar o currículo e encontrar trabalho nesta área. Estabelecer redes de contactos com profissionais da área, desenvolver um perfil digital e usar as redes sociais são alguns dos conselhos.

obciber

Call for Papers – II Congresso Internacional de Ciberjornalismo

Estão abertas até 15 de Julho as Chamadas às Comunicações para o II Congresso Internacional de Ciberjornalismo, marcado para 09 e 10 de Dezembro de 2010, na Universidade do Porto.

As comunicações deverão versar sobre Ciberjornalismo, com especial preferência pelos tópicos deste II Congresso: Modelos de negócio para o jornalismo na Internet e Redes sociais e ciberjornalismo

As propostas devem ser enviadas para obciber@gmail.com, em português, castelhano ou inglês. Cada proposta deve contemplar uma descrição de 400 a 500 palavras, que inclua, designadamente, o tópico e relevância do mesmo, hipótese ou argumento, moldura conceptual e metodológica, resultados previstos e até 5 palavras-chave. Mais informações aqui.

ensino_jornalismo

Seminário “Ensino do Jornalismo e Identidade Profissional”

Decorre hoje, dia 20, às 18h, no auditório 1 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o 2.º painel do seminário “Ensino do Jornalismo e Identidade Profissional” (o 1.º foi no dia 6 de Maio), com intervenções de Adriano Duarte Rodrigues (“A primeira licenciatura em Ciências da Comunicação”), Adelino Gomes (“Provedor dos ouvintes. Espécie em vias de extinção?”), Fernando Cascais (“O papel do CENJOR no ensino do jornalismo”) e Anabela Neves (“O projecto do jornalismo multimédia Parlamento Global”).


feira_do_livro

O que faz a Feira do Livro de Lisboa especial?

Os livros. Os livros à disposição de qualquer pessoa, para serem tocados e folheados. A disposição dos livros por editoras e organizados de forma díspar das livrarias. O local – bonito e agradável – que acolhe os livros. Os preços dos livros. O passeio que proporciona. Os encontros que proporciona. A partilha de saberes que os livros possibilitam. E tudo tem mais sabor quando é partilhado, não é?

No âmbito da agenda cultural da Feira do Livro, destaco:

  • debate “Quero Ser Autor, e Agora?” (Moderador: Filipa Melo), 7 de Maio, às 19h30, no auditório APEL; 
  • debate “O Jornalismo Português” (Moderadores: Fernando Correia e Carla Baptista), 9 de Maio, às 15h00, no espaço EDP.

A Feira do Livro de Lisboa está no Parque Eduardo VII até 16 de Maio.

premio_jornalismo_economico

Prémio de jornalismo económico – inscrições abertas

Estão abertas até 14 de Maio as pré-inscrições para o prémio Jornalismo Económico 2009. A iniciativa, promovida pelo banco Santander Totta e pela Universidade Nova de Lisboa, visa reconhecer os melhores trabalhos jornalísticos publicados durante o ano passado em imprensa ou em edições electrónicas sobre as áreas de gestão de empresas e mercados financeiros, sendo atribuídos prémios monetários num montante global de 22.500 euros. O vencedor do Grande Prémio recebe 15 mil euros.

Mais informações aqui.

historias_casa_branca

Apresentação do livro “Histórias da Casa Branca” de Germano Almeida

Ao início, poucos acreditavam que era possível. Mas a eloquência invulgar de um jovem senador negro, com um nome esquisito e uma história de vida entusiasmante, começou a dar nas vistas – na América e no Mundo.

Barack Hussein Obama, o primeiro afro-americano a conquistar a Presidência dos Estados Unidos, protagonizou a mais notável caminhada de que há memória numa campanha política.

Partiu como underdog da corrida democrata, mas foi capaz de ultrapassar a favorita Hillary Clinton e de vencer John McCain na eleição geral, graças a uma extraordinária campanha. Antes do Verão de 2004, só era conhecido em Chicago. Depois do brilhante discurso de elogio a John Kerry, nunca mais deixou de ser alvo das atenções mediáticas.

De rock star a líder inspirador, Barack Obama conheceu ascensão meteórica que o levou, em apenas quatro anos, de mero desconhecido a titular do mais influente cargo político do Mundo. Só mesmo na América.

Germano Almeida começou, em 2008, o blogue “Casa Branca”. A iniciativa rapidamente evoluiu para meia centena de artigos publicados no jornal Sexta e, mais recentemente, na rubrica “Histórias da Casa Branca” do site de A Bola. Agora, as “Histórias da Casa Branca” deram corpo a um livro, no qual este jornalista explora os dois pólos do fenómeno Obama: a dimensão histórica e o lado “lunar”.

A apresentação da obra decorrerá no Porto, dia 5 de Maio, às 21h30, na Fnac MarShopping, e em Lisboa, dia 10 de Maio, às 18h, na Bertrand Picoas Plaza.

Com a chancela da Prime Books e o apoio da Fundação Luso-Americana, “Histórias da Casa Branca” conta com o prefácio do general Loureiro dos Santos e o posfácio do director de A Bola, Vítor Serpa.

premio_nacional_multimedia

Prémio Nacional Multimédia – candidaturas até 21 de Maio

As candidaturas à 5.ª edição do Prémio Nacional Multimédia estão abertas até 21 de Maio e contemplam sete categorias: Plataformas e Suportes Tecnológicos, Informação e Comunicação, Educação e Formação, Entretenimento, Arte e Cultura, Comércio Electrónico e Prémio Sony Escolas (HD).

A iniciativa, promovida pela Associação para a Promoção do Multimédia e da Sociedade Digital (APMP), pretende apoiar projectos híbridos que envolvam as áreas de Web, televisão, música, vídeo, telemóveis, entre outras.

Mais informações aqui.

fcsh-b

Call for Papers – II Seminário Internacional de Media, Jornalismo e Democracia

Estão abertas até 31 de Maio as chamadas de trabalho para o II Seminário Internacional de Media, Jornalismo e Democracia, organizado pelo Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) que terá lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, nos dias 8 e 9 de Novembro de 2010.

Poderão ser submetidas propostas de comunicação relacionadas com todas as áreas dos estudos dos media e do jornalismo, mas um dos factores de selecção será a conexão dos trabalhos propostos com o tema central do seminário – Media, Jornalismo e Democracia.

Mais informações aqui.

jornalismo

Como criar um negócio na área do jornalismo

É um mini-curso da Escola de Verão da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e há, sobretudo, duas razões para frequentá-lo: a relevância do tema é indiscutível (um jornalista pode e deve ser empreendedor) e é ministrado pelo Prof. António Granado.

O curso é composto por cinco sessões, de quatro horas cada, programadas para os dias 6, 8, 10, 15 e 17 de Setembro de 2010, entre as 18h e as 22h. As inscrições podem ser feitas aqui.

Premios_Gazeta1

Prémios Gazeta de Jornalismo – inscrições até 30 de Abril

Estão abertas até 30 de Abril  as candidaturas aos prémios Gazeta de Jornalismo 2009, instituídos pelo Clube dos Jornalistas, em três categorias: Grande Prémio Gazeta (20.000 Euros), Prémio Revelação (5.000 Euros) e Prémio Nacional de Imprensa Regional.

Todas as informações referentes às inscrições e aos prémios estão disponíveis aqui.

premiovalorsul2010

Prémio Valorsul “Jornalismo por um Melhor Ambiente” – inscrições até 15 de Junho

Estão abertas as inscrições para a edição de 2010 do Prémio Valorsul – Jornalismo por um Melhor Ambiente. Em parceria com o Clube de Jornalistas, o Prémio Valorsul destina?se a destacar trabalhos jornalísticos que, pela sua qualidade e relevância, representem uma importante contribuição para boas práticas ambientais e um desenvolvimento sustentável.

Uma das novidades da edição deste ano é a criação de um blogue que permite uma maior interacção entre os interessados nos temas de jornalismo e ambiente, partilha de informação útil e um veículo de transmissão de notícias sobre o Prémio. O blogue está disponível no endereço http://premiojornalismovalorsul.blogs.sapo.pt.

O melhor trabalho será premiado com 10 mil euros, podendo ainda ser atribuídas menções honrosas a outros trabalhos considerados relevantes, cada uma com o valor de 2.500 euros. As candidaturas devem ser entregues na sede da Valorsul até 15 de Junho de 2010 (data da recepção), dirigidas ao presidente do júri. Mais informações aqui.

Curso “Indústrias Criativas: Arte, Tecnologia e Empreendedorismo”

Coordenado pelo arquitecto Luís Serpa, fundador da Induscria (Plataforma para as Indústrias Criativas), o curso é dirigido a agentes de equipamentos e eventos culturais e é composto por três módulos: “As indústrias criativas: da inovação à competitividade”, “Inovação e competitividade” e “A liderança é uma escolha, não um título”. Decorre em Lisboa, no Museu da Presidência, dia 10 de Março, entre as 10h00 e as 17h30, e tem um valor de inscrição de 50 euros. Mais informações aqui.

rebeliao

“Rebelião dos Signos. A Alma da Letra.” – Entrevista aos autores do livro

Trata-se de um livro sobre design, mas ultrapassa em larga escala a mera análise estética comum nas obras desta área. Trata-se de um livro sobre design, mas foi escrito por um português e um espanhol, rompendo com o monopólio anglo-saxónico.

Porque as letras são cultura e estão em toda a parte, os autores da obra “Rebelião dos Signos. A Alma da Letra.”, recentemente lançada no mercado português, fazem questão de defender as suas almas. A entrevista a Daniel Raposo, designer e professor universitário português, e Joan Costa, designer espanhol e autor da primeira enciclopédia de design do mundo, também serviu para isso.

As letras têm alma? É por isso que os signos linguísticos se revoltam? As letras têm alma. Sentem. Palpitam. Estão vivas, porque nós, quando as desenhamos, escrevemos ou lemos, lhes damos alento. Pobre do designer que pense que as letras são coisas mortas! Se aceitarmos esta metáfora, todos os signos de escrita da história humana sentem verdadeiramente o instinto da rebelião. Não se esqueça de que as letras foram criadas individualmente, desenhadas com minúcia uma por uma, e que no seu interior ambicionam fortemente a independência original que as torna símbolos, todos eles bem diferentes. A sujeição imposta a estes signos face a um código tão rigoroso e dominante como o da escrita e a submissão das letras ao totalitarismo da linha tipográfica implicam a escravidão do seu destino funcional.

No entanto, se a subordinação das letras conduz à diluição da identidade formal de cada signo é também motivo para um impulso imparável na direcção da liberdade absoluta.  Assim, a letra sente, fere, é formal ou informal, silenciosa ou ruidosa no testemunho dos desejos e pensamentos humanos, ingredientes essenciais para a sua liberdade como signo plástico e linguagem própria.

O livro reflecte sobre a evolução da letra e a sua influência na vida quotidiana. Podem dar alguns exemplos? É evidente que a letra cumpre uma função social. A letra é cultura. É por isso que está em todas as partes, que é omnipresente, ubíqua e intemporal, enquanto se transmuta constantemente como todos os seres vivos. Por vezes fá-lo de modo subtil, discreto, enquanto outras se torna divertida, vistosa, e até vociferante, como nos anúncios ou nos graffiti urbanos. Há letras lapidárias e solenes que invocam a história; outras são gráceis como as de escrita manual ou caligráfica; por vezes, formam páginas e páginas de texto literário, enquanto noutras ocasiões são meras abreviaturas repletas de significado como SOS, IA, SMS, FM, ADSL, PDF, JPG, etc.; podem ainda ser puras siglas comerciais nas quais dois ou três signos mínimos são capazes de invocar mundos bem diferentes e diversos como IBM, TAP, GALP, BMW, M&M, A&T, etc…

Como surgiu esta vossa parceria, Daniel? O Daniel mora em Castelo Branco, o Joan Costa em Barcelona…   Quem já conheceu o Joan Costa pode atestar que é uma pessoa extremamente generosa e sempre pronta a partilhar a sua experiência e conhecimentos. Tem ainda a particularidade de ser uma pessoa bastante culta, perspicaz, experiente e atenta ao mundo. É importante ter esta questão esclarecida para entender como surge este livro. Comecei por conhecer e admirar o Joan Costa pelo seu trabalho e sobretudo pelos livros que tem escrito ao logo de anos. Foi na qualidade de entusiasmado estudante de mestrado que o contactei e questionei. Aliás, tal como fiz com outras pessoas portuguesas ou estrangeiras. Não só o Joan Costa me respondeu como foi dos poucos que me disponibilizou tempo para pensar e debater temáticas da área do design, mesmo que por via e-mail.

Enquanto terminava a dissertação de mestrado, fui um dos formandos do curso online “Diplomado internacional de Diseño, Creación y Gestión de Marcas”. Creio que terá sido a minha forma de estar, o trabalho de dissertação e o meu desempenho no curso referido que motivaram o Joan Costa a estender-me o convite para um livro conjunto.

Neste processo, a internet foi fundamental e permitiu que duas pessoas com cerca de cinquenta anos de diferença de idade partilhassem e debatessem ideias. As fronteira deixaram de existir ao primeiro e-mail e em vez disso cimentou-se uma amizade que perdura, muito embora a distância. 

Como decidiram quem escrevia o quê? Ao iniciarmos o projecto, o Joan Costa apresentou-me um esboço de uma estrutura geral composta por sugestões de capítulos em redor do tema da letra. Fomos trocando impressões até chegar a uma proposta de índice bem diferente da inicial e que mesmo ao longo do tempo se foi ajustando. Começámos por dividir os capítulos em função da facilidade no acesso a recursos bibliográficos ou dos nossos interesses particulares.  Já redigidos, os capítulos deveriam trocar-se para correcções, acrescentos ou melhorias. Mas, na verdade, os contributos e partilha de ambos foi de tal ordem, que é difícil dizer o que escreveu cada um de nós. Por exemplo, eu comecei por escrever em português e traduzir em paralelo para espanhol, mas depois de alguns meses passei a escrever directamente em castelhano. No geral, a elaboração dos conteúdos seguiu um método fluido e construtivo repleto de conversas, partilha de pontos de vista e conhecimentos.

Esta obra saiu há um ano no mercado espanhol e argentino. A adesão dos leitores foi positiva?  Sim, na verdade, para o mercado de língua espanhola o livro foi uma surpresa, tanto na América Latina como em Espanha, e estamos convictos de que o êxito se deve à originalidade do enfoque e pertinência do conteúdo, já que, de modo geral, a letra tem sido encarada da perspectiva da tipografia (caracteres) e não da forma ou da vida social dos símbolos. O rigor da investigação desenvolvida por mais de três anos foi também um contributo essencial.

Contudo, falta outro facto: o elemento gráfico, quer ao nível da selecção das ilustrações quer da sua abundância na obra. Ainda neste capítulo, o design editorial teve um contributo de primeira ordem.

Curiosamente, na sua versão espanhola, editada na Argentina, o livro foi o primeiro de uma colecção original dedicada ao design, facto que volta a repetir-se na versão portuguesa, já que é o título inaugural da colecção de design editada pela Dinalivro.  

Próximas reuniões científicas na área do jornalismo

Local: Palácio de Congressos de Huesca, Espanha.

Data: 11 e 12 de Março de 2010.

Grandes temas: desaparecimento do jornalismo, novas narrativas, jornalismo integrado (ou de convergência) e jornalismo on-line em Portugal (com a participação do professor universitário e editor on-line do Público, António Granado).

 

Local: Universidade de Westminster, Londres.

Data: 25 e 26 de Março de 2010.

Grandes temas: dimensões dos media minoritários em África, relação entre media e direitos humanos, implicações dos media na identidade política, nos dialectos, no racismo e conflitos. 

 

Local: Tartu, Estónia.

Data: 14 a 16 de Abril de 2010.

Grandes temas: Papel do indivíduo na transformação cultural, património cultural e linguagens da arte.

 

Local: Universidade de Austin, Texas.

Data: 23 e 24 de Abril de 2010.

Grandes temas: jornalismo on-line e novo papel do jornalista.

 

Apresentação do livro “Memórias Vivas do Jornalismo”, dia 11 de Fevereiro, na livraria Barata

Da autoria de Fernando Correia e Carla Baptista, o livro “Memórias Vivas do Jornalismo” será apresentado por José Rebelo e Miguel Gaspar, no dia 11 de Fevereiro (quinta-feira), às 18h30, na livraria Barata (Avenida de Roma, 11-A) em Lisboa.

Os autores utilizam a entrevista em discurso directo (género que tem sido, aliás, privilegiado em obras semelhantes lançadas nos últimos tempos) para criar um retrato da profissão de jornalista nas décadas de 40, 50 e 60, a partir do contributo de 17 profissionais da área.

Prémio Europeu para Jovens Jornalistas 2010

A Direcção-Geral para o Alargamento da União Europeia lança, pelo 3.º ano consecutivo, o Prémio Europeu para Jovens Jornalistas. As candidaturas estão abertas até 28 de Fevereiro de 2010.

A iniciativa visa premiar jornalistas e estudantes de jornalismo, entre os 17 e os 35 anos, que tenham publicado na imprensa online e escrita ou transmitido na rádio peças sobre o alargamento da União Europeia, entre 1 de Outubro de 2007 e 28 de Fevereiro de 2010. Os candidatos devem ser oriundos de cada um dos Estados-Membros, países candidatos, potenciais candidatos e Islândia.

Serão seleccionados, numa primeira fase, 36 vencedores nacionais que visitarão Istambul em Maio de 2010. Desses 36, serão seleccionados os três melhores trabalhos nas categorias de “Mais Original”, “Melhor Investigação” e “Melhor Estilo Jornalístico”. Os vencedores ganham uma viagem  cultural a uma capital europeia à sua escolha.

Mais informações aqui.

Prémio de jornalismo económico Citi – candidaturas abertas

A terceira edição do Prémio de Jornalismo Económico Citi (Citi Journalistic Excellence Award) aceita candidaturas até 31 de Janeiro. Os candidatos devem ter uma experiência mínima de dois anos em jornalismo financeiro, empresarial ou económico e um bom nível de inglês, podendo participar com dois trabalhos publicados durante 2009. O prémio inclui a participação num seminário promovido pela Columbia´s Graduate School of Journalism e uma acção de formação com visitas a instituições financeiras e governamentais.

O boletim de inscrição está disponível aqui (página em inglês do Citibank)

Abertas candidaturas a bolsas de jornalismo nos EUA

No âmbito do Programa José Rodrigues Miguéis 2010, a Fundação Luso-Americana vai atribuir a 10 jornalistas portugueses bolsas de estudo de curta duração nos EUA. As candidaturas estão abertas até 10 de Fevereiro e devem ser submetidas on-line aqui.

Os candidatos devem ser jornalistas profissionais portugueses ou cidadãos da UE com residência no nosso país, ter até 40 anos, mínimo de 5 anos de carreira profissional com carteira de jornalista e bom domínio das línguas portuguesa e inglesa. Funcionarão como critérios preferenciais o vínculo a um órgão de comunicação social e habilitações ao nível do ensino superior.

Os seleccionados terão acesso a um programa de aperfeiçoamento profissional durante duas semanas (entre 21 de Junho e 2 de Julho de 2010) no Committee of Concerned Journalists, em Washington DC.

Mais informações aqui.

Próximos Call for Papers na área do jornalismo

Revista Comunicação & Cultura

Organização: Universidade Católica Portuguesa

Tema: Pós-género

Data para envio de papers: 30 de Dezembro de 2009

Mais informações: aqui 

 

Congresso da International Association for Media and Communication Research (IAMCR)

Tema: Communication and Citizenship: rethinking crisis and change

Local: Braga (Universidade do Minho)

Data: 18 a 22 de Julho de 2010

Data para envio de propostas de comunicação: 31 de Janeiro de 2010

Mais informações: aqui

 

Revista Comunicação e Sociedade

Organização: Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho

Tema: Screens and Sociotechnical Attachments

Data de submissão dos artigos: 31 de Janeiro de 2010

Mais informações: aqui

 

Livro "Media, Redes e Comunicação: Futuros Presentes" é apresentado hoje

 

É apresentado, hoje, às 18h30, no Palácio Foz, o livro “Media, Redes e Comunicação: Futuros Presentes”, editado por Gustavo Cardoso, Francisco Rui Cádima e Luís Landerset Cardoso, presidentes do Obercom nos últimos dez anos. A apresentação do livro é feita por Teresa Ribeiro.

Fonte: Indústrias Culturais

“Jornalismo em Liberdade” agora e no futuro

De modos diversos, Francisco Sena Santos, Joaquim Letria, Vicente Jorge Silva, Emídio Rangel, Henrique Cayatte e Maria Elisa modificaram a minha vida e a visão do país e do mundo de milhares de portugueses. Cada qual à sua medida e dimensão e também em tempos diferentes alteraram a forma de fazer informação em Portugal. Como eles outros haverá – e há – mas os que aqui aparecem, para citar o final de um conhecido poema de Brecht que nos fala dos que lutam pela mudança, “são os imprescindíveis”.
Talvez este livro seja, nessa perspectiva, uma forma modesta de agradecer e fixar o trabalho – controverso, contraditório, incompreendido, criticado, aplaudido – e as marcas profissionais que os percursos de cada um tiveram e assumiram.

Lançado no passado dia 24 de Novembro, na livraria Almedina do Saldanha, o livro “Jornalismo em Liberdade”, da autoria de João Figueira, professor de Comunicação da Universidade de Coimbra e ex-jornalista do Diário de Notícias, reúne entrevistas com seis personalidades que, na opinião do autor, influenciaram de forma decisiva a informação e a forma de fazer jornalismo no período pós-25 de Abril. A obra reflecte também sobre os desafios que o futuro irá impor aos media.

Conferência “A Arte Comunicante”, dia 26, no CNC

A comunicação afirmou-se como espaço essencial que determina tanto a criatividade como a inovação. As tecnologias de informação e do conhecimento definiram uma nova forma de comunicar transversal aos vários campos do saber. Como resultado, as artes, bem como as ciências, reconfiguraram-se integrando esta necessidade comunicativa na sua identidade criadora.

Integrada no projecto de reflexão “Metamorfoses da Criatividade”, organizado pelo Centro Nacional de Cultura e a Universidade Católica, a conferência “A Arte Comunicante” visa discutir as influências das tecnologias de informação nas artes e na criação em geral. O evento terá lugar na Galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultural, às 18h00, é moderado por Rogério Santos e conta com a participação de António Pinto Ribeiro, João Salaviza e Maria Teresa Cruz.

A terceira e última conferência deste projecto é subordinada ao tema “A Natureza da Criatividade” e decorrerá no dia 14 de Janeiro de 2010, na Universidade Católica.

Livros # Futuretainment – guia para entender a revolução dos media digitais

Movies, TV programs, music, books and newspapers – nothing will ever be the same. Understanding the new rules of engagement will be essential for both success and survival. 

Futuretainment: Yesterday the World Changed, Now It´s Your Turn, editado pela Phaidon,  não é um livro sobre a tecnologia dos media, mas, sim, sobre como a revolução dos novos media afecta os nossos comportamentos, o que o torna muito mais interessante. Escrita por Mike Walsh, analista de tendências e conhecido comentador sobre media, a obra reúne 23 “insights”  transversais aos mundos da música, dos filmes, da televisão, da edição e dos videojogos. Inspirador.

 

2.ª edição do Prémio Nacional de Indústrias Criativas – candidaturas até 8 de Dezembro de 2009

premio_industrias_criativasAs inscrições para a segunda edição do Prémio Nacional de Indústrias Criativas decorrem até ao próximo dia 8 de Dezembro. A iniciativa promovida pela Unicer, em parceria com a Fundação de Serralves, tem por objectivo estimular, apoiar e acompanhar a concretização de modelos de negócio na área das indústrias criativas (artes visuais, design, publicidade, arquitectura, rádio, artes performativas, software, música, cinema, televisão, editorial, vídeo e  património) e potenciar a cooperação entre os sectores empresarial e criativo. O vencedor receberá um prémio pecuniário de 25.000 euros e a oportunidade de ver o seu projecto de negócio desenvolvido e concretizado.

 

Aceda a todas as informações no site do concurso, www.premioindustriascriativas.com.

A herança antropológica e o “único desejo” de Claude Lévi-Strauss

foto_eric_brochu

Foi com a publicação da sua tese sobre “As estruturas Elementares do Parentesco” (1949), que coloca o “parentesco” no centro da Antropologia, estudando o Homem na sua dimensão social, que o antropólogo francês Lévi-Strauss (falecido na madrugada de Sábado para Domingo) lançou as bases da antropologia moderna e do estruturalismo, método por ele usado para estudar o comportamento dos índios americanos, ao qual dedicou grande parte da sua vida. À eterna questão “Em que diferem as culturas?”, Lévi-Strauss respondeu que há uma estrutura, uma ordem que suporta as diferenças culturais.

Lévi-Strauss tinha também um lado muito pessimista, nomeadamente em relação à população excessiva do mundo, manifestando-o regularmente em público. Em 2005, com 97 anos, disse, ao receber o 17.º Prémio Internacional Catalunha: “O meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele – isso é algo que deveríamos ter presente”.

Artigos importantes para conhecer Lévi-Strauss

Foto: Éric Brochu (Paris, 1998)

Livros # T-shirts and Suits – A Guide to the Business of Creativity

david_parrishDa autoria de David Parrish, consultor britânico em economia criativa, este livro é fundamental para todos os criadores que têm (ou pretendem ter)  projectos ou empresas na área das indústrias criativas. Escrito de uma forma muito clara, é, ao mesmo tempo, um guia de boas práticas e uma fonte de recursos sobre as temáticas mais importantes a ter em conta. Contém também boas definições de termos relacionados com a área.

Mais: a versão ebook do livro “Tshirts and Suits – A guide to the business of creativity” está disponível aqui.

“Novos modelos de negócio e cobertura do jornalismo cultural” – 2 de Outubro, em directo, via web

logo_nationalsummitNuma altura em que se discutem novos modelos de negócio e cobertura no jornalismo cultural, o NAJP (National Arts Journalism Program) levou a cabo o projecto A National Summit on Arts Journalism, que culminará dia 2 de Outubro, entre as 09h00 e as 13h00 (hora portuguesa: entre as 17h00 e as 21h00), com a apresentação em directo via web dos melhores projectos submetidos a concurso, além de outros que representam as últimas tendências do jornalismo cultural. O evento contará também com duas mesas-redondas sobre a “Arte do Jornalismo de Artes” e “O Negócio do Jornalismo de Artes”.

Esta iniciativa, de que falei há uns tempos aqui, num artigo intitulado “Um futuro para o jornalismo de artes”, começou com a abertura de um concurso para premiar os três melhores projectos de jornalismo cultural. Cinco foram pré-seleccionados entre os 109 submetidos, todos disponíveis aqui, oferecendo dados valiosos sobre os seus modelos de negócio, angariação de receitas e práticas editoriais. Os vencedores serão agora conhecidos.

Com transmissão em directo a partir da Universidade da Califórnia do Sul, o que significa que se prolongará pela noite em Portugal, esta ficará, no entanto, disponível em arquivo, podendo ser consultada a qualquer hora.

Agenda_national_summit

Workshop “Planificação e Organização de Exposições: o Papel do Curador”

museuA AntiFrame – Independent Curating Project promove o workshop “Planificação e Organização de Exposições: o Papel do Curador”, nos próximos dias 12 e 13 de Setembro, no Museu da Cidade, em Aveiro.

Da responsabilidade de Cláudia Camacho, curadora independente e comissária de diversas exposições, o workshop irá abordar quatro temáticas em torno dos projectos de exposição: a sua criação, organização e divulgação, e o papel do curador nestas fases.

O programa e a ficha de inscrição estão disponíveis em http://antiframe.wordpress.com.

Livro “Estudos sobre os Jornalistas Portugueses”, organizado por José Luís Garcia, é apresentado hoje, às 18h30, na Fnac do C. C. Colombo (Lisboa)

estudos_jornalistas_portugueses“Estudos sobre os Jornalistas Portugueses – Metamorfoses e encruzilhadas no limiar do século XXI”, organizado por José Luís Garcia (também co-autor), é apresentado hoje, 7 de Julho, às 18h30, na livraria Fnac do Colombo.

O livro é composto por artigos do próprio organizador e de outros investigadores da área, nomeadamente Filipa Subtil, Manuel Correia, Pedro Alcântara da Silva, Sara Meireles Graça. Hugo Mendes, Fernando Correia e Telmo Gonçalves.

A obra será apresentada por José Pacheco Pereira e Adelino Gomes que já afirmou não conhecer “olhar mais rigoroso sobre a reconfiguração em Portugal do jornalismo e da profissão de jornalista na viragem do século”. 

José Luís Garcia é professor e investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Melhor Curta de Terror Portuguesa 2009 – inscrições até 15 de Julho

premio09O MOTELx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa vai ter na sua 3.ª edição uma grande novidade: trata-se do prémio para a Melhor Curta de Terror Portuguesa, no valor de 1.500 euros. As inscrições estão abertas até 15 de Julho. O regulamento pode ser consultado em www.motelx.org.

O Motelx vai “aterrorizar” novamente o Cinema São Jorge, em Lisboa, entre 2 e 6 de Setembro de 2009.

Sobre a definição de cultura V – os "Cultural Studies"

Factory%20Birmingham%201960sNos anos 50 e 60, surge em Inglaterra um projecto que procura estudar as práticas culturais quotidianas, no contexto do protagonismo dos media. Nascido no Center of Contemporary Cultural Studies (CCCS) em Birmingham, é conhecido actualmente por Cultural Studies ou Estudos Culturais. Em parte, os Cultural Studies surgem, precisamente, como resposta intelectual às mudanças preconizadas por Walter Benjamim, em 1930, e por Adorno e Horkheimer, nos anos 40 do século XX: ao impacto da televisão, dos jornais, das revistas e da publicidade, e ao advento das subculturas e das novas formas de cultura popular, que começaram a ter protagonismo enquanto mediada pelos meios de comunicação de massa e novas tecnologias. É neste período que é abandonada a “Cultura” para se afirmarem várias culturas e práticas culturais.

No entanto, não podemos desprezar as políticas culturais desenvolvidas por Mathew Arnold (1822-1898) e Frank Raymond Leavis (1895-1978) que predominaram nos estudos ingleses até metade do século XX e que estiveram na origem dos Cultural Studies. Mathew Arnold foi dos primeiros teóricos a falarem de “cultura popular”, mesmo que o tenha feito de um modo radicalmente negativo, oposta à “verdadeira” cultura e emergente da desordem social e política que se vivia então na Inglaterra. Cultura era para este teórico “o melhor que se tenha pensado e dito no mundo” por uma minoria intelectual, que assentava nos clérigos. Frank Raymond Levis continua com esta concepção arnoldiana de cultura, opondo-se veementemente à cultura de massa. A cultura popular é sinónimo de mau gosto, superficialidade e declínio. São os cânones da literatura e das artes que devem salvar a humanidade. (Sousa, 2004: 20).

São considerados fundadores dos Cultural Studies Richard Hoggart (“The Uses of Literacy”, 1957), Raymond Williams (“Culture and Society”, 1958) e Edward Thompson (“The Making of the English Working Class”, 1963). Mais tarde, junta-se Stuart Hall, que tem também um papel decisivo na emergência deste projecto. Estes teóricos pegam de forma definitiva nos temas de cultura popular, cultura do operariado e cultura de massa, dando-lhes importância enquanto objectivo de estudo, o que constitui, de facto, uma ruptura com o passado. Richard Hoggart foi o primeiro a elevar a cultura popular a objecto de investigação científica, pesquisando no seio das classes operárias britânicas sobre os hábitos e estilos de vida dessas pessoas, ou seja, a sua cultura. Também Thompson e Williams estudam a cultura a partir dos exemplos populares.

O traço distintivo dos Cultural Studies é o papel central que atribuem aos media nas mudanças sociais e culturais; nesse sentido, estes estudiosos defendem que a análise cultural deverá integrar tanto a cultura idealista, que se focaliza no ideal de perfeição intelectual e artística, como a cultura patrimonial, centrada nos registos, memórias e documentos produzidos pela humanidade e a cultura de práticas quotidianas. No entanto, a cultura de massas não é somente um produto dos media – é o resultados das sociedades policulturais modernas.

Num dos seus livros mais importantes, “The Sociology of Culture”, Raymond Williams relembra a dificuldade em definir o termo “cultura”, traçando uma curta cronologia da evolução deste conceito quanto ao seu significado, desde o sinónimo “cultivo” e a partir do século XVIII como cultivo do espírito e uma forma de vida dos iluminados. Williams distingue ainda três significados comuns do termo “cultura”: como estado mental diferenciado (uma pessoa culta); como processos do seu desenvolvimento (“interesses culturais”); e meios desses processos (cultura como artes e trabalhos intelectuais). Estes significados coexistem com a definição antropológica de “uma forma de vida” de um grupo ou pessoa.

Segundo este sociológico, usa-se a palavra “cultura” em dois sentidos: para designar todo um modo de vida, reflectido nas actividades culturais, como linguagem, estilos artísticos e trabalho intelectual, e numa perspectiva de “ordem social” (“a whole social order”) no seio de uma cultura específica, em que os estilos artísticos e trabalhos intelectuais derivam de outras actividades sociais. Estas duas vertentes integram-se na perspectiva idealista e materialista, respectivamente (Sousa, 2004: 39).

 

Esta definição de cultura tem uma relação directa com o seu carácter “ordinário”, isto é, algo usual e comum a todas as pessoas, sejam elas de classe alta sejam de baixa. Deste modo, rompe também com a classificação da cultura de “elite” ou “popular”. A cultura não se restringe à produção artística, mas inclui todas as expressões e significações de valores de um povo. Parte do seu projecto é, precisamente, estudar a “cultura comum” em oposição à de massa ou à de “elite”, uma divisão que, segundo Williams, não existe.

Até hoje, foi criado e desenvolvido um espaço de discussão variada sobre as várias dimensões da cultura (seja ela alta ou baixa, de elite ou popular) e das suas vertentes sociológica, antropológica e até económica. Mas o importante é que todos os estudos se centram nos media e nos novos media para compreender os diversos fenómenos culturais são só a nível local como global.