A "melhor" e a "pior" capa dos jornais de hoje

A escolha da capa de um jornal diário depois de um acontecimento como o das eleições legislativas é crucial e merece muita estratégia editorial. Sendo óbvio que todos os diários escolhem o mesmo tema de capa, a forma como este é abordado – a imagem, a manchete e a restante mancha de texto – torna-se no factor diferenciador. Neste caso, este processo assemelha-se muito a uma estratégia criativo-publicitária: o jornal com o melhor conceito e headline vence. Contudo, isso não aconteceu hoje.

 Com poucas diferenças entre si, as manchetes dos principais jornais não foram satisfatoriamente criativas: “PS não absoluto” (Público), “Vitória limitada do PS” (DN), “Maioria relativa” (Correio da Manhã), “Negociação absoluta” (Jornal de Notícias) e “Sócrates obrigado a fazer acordos parlamentares” (i). Curiosamente, o 24 Horas e O Primeiro de Janeiro colocam a mesma pergunta na capa “E agora, Sócrates?” (O Primeiro de Janeiro foi um pouco mais longe, acrescentando um ponto de exclamação e retirando, mal, a vírgula a seguir a “agora”).

No entanto, foi na imagem escolhida e no plano criado para a suportar que os jornais se distanciaram. Um olhar mais atento às expressões de Sócrates captadas pelos fotojornalistas e escolhidas pelos editores é determinante para posicionar todos os jornais em diferentes filosofias editoriais. De todas, a pior é mesmo a d’O Primeiro de Janeiro. O Público ganhou desta vez a campanha.

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