“Recordar Eduardo Prado Coelho”, dia 27 de Março, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco

eduardo_prado_coelhoUm ano depois de a Sala Eduardo Prado Coelho ter sido inaugurada e no dia de aniversário do seu nascimento, a Biblioteca Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, dedica-lhe um colóquio, na próxima sexta-feira, intitulado “Recordar Eduardo Prado Coelho”. Recorde-se que o acarinhado professor da Universidade Nova de Lisboa e cronista diário do Público doou o seu espólio bibliográfico ao Município de Vila Nova de Famalicão, porque “acompanhava, com atenção e interesse, a actividade cultural da Câmara Municipal”. A sala com o seu nome reúne um acervo de 12.500 títulos, disponíveis ao público.

 

As informações sobre o colóquio estão disponíveis em http://www.bibliotecacamilocastelobranco.org

Melancolia de uma quarta-feira outonal

eandradeHoje, sinto-me desprovida de estações do ano e de “palavras exactas”. E por isso me recordo do Verão de Eduardo Prado Coelho e do Inverno de Eugénio de Andrade.

 

VEGETAL E SÓ

É outono, desprende-te de mim.

Solta-me os cabelos, potros indomáveis
Sem nenhuma melancolia,
eduardo_prado_coelho1Sem encontros marcados,
Sem cartas a responder.

Deixa-me o braço direito
O mais ardente dos meus braços,
O mais azul
O mais feito para voar.

Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálperas acessas.

Deixa-me só, vegetal e só,
Correndo como rio de folhas
Para a noite onde a mais bela aventura
Se escreve exactamente sem nenhuma letra.

in «As palavras Interditas» (1951)

 

A vantagem de um blogue é podermos partilhar valores sem as amarras dos aniversários, das celebrações e das actualidades.