A.M. Lisboa: Plataforma Transcultural para o séc. XXI?

lisboaE a propósito de Cultura e Economia, na sequência da nova estratégia comunicativa da Feira do Livro de Lisboa, visitem o site Lisboa Transcultural, um novo projecto do galerista Luís Serpa, relacionado com as indústrias culturais e criativas e as respectivas potencialidades da Área Metropolitana de Lisboa como plataforma transcultural para o século XXI,  de que falarei muito em breve aqui.

Como fui seduzida pelo novo conceito da 79.ª Feira do Livro

feira_do_livroPrimeiro, abordou-me subtilmente através do twitter. Depois, convidou-me a visitar o site. E confesso que fui seduzida. A nova imagem da Feira do Livro (de Lisboa e do Porto) tem um conceito criativo forte, uma assinatura simples, mas com carga emocional – “Viver a Leitura” – e um plano de comunicação dinâmico e sem ruído, que assenta numa plataforma online suportada exclusivamente pela actualização do respectivo blogue, do twitter e do facebook.

 

Este é um exemplo de como a cultura deve ser também divulgada através de uma estratégia de comunicação eficaz (desta vez pela lift), por vezes tão desprezada pelos artistas…

 

A 79.ª Feira do Livro decorre no Parque Eduardo VII, em Lisboa, entre 30 de Abril e 17 de Maio. Segundo a APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros), o evento tem várias novidades, entre elas um novo horário, novos pavilhões e mais de 150 iniciativas.

Crise – não desperdicemos esta oportunidade

foliocover_feb09_0A edição de Fevereiro da Folio (uma das revistas mais prestigiadas do mundo especializada no mercado dos media, em particular no das magazines) inverteu o ângulo de abordagem da crise e fez do tema de capa “A recession is a terrible thing to waste”.

 

A revista ouviu 20 nomes de responsáveis de editoras das mais variadas dimensões e “agarrou” nas oportunidades e estratégias que os momentos de crise lhes oferece ou exige em 2009. Transcrevo abaixo alguns excertos que se adequam ao mercado português. Os artigos podem ser lidos na totalidade aqui.

 

 

“The most important thing you can do in a downturn is teach editors and staff how to talk and think about Web sites, as well as the importance of investing in new technologies.”

Deborah Esayian (co-president, Emmis Interactive)

 

“It’s critical how you present yourself during a recession.”

Risa Crandall (VP , Scholastic Parents Media)

 

“Be in even closer contact with readers and customers…This is a time when priorities are shifting–everything is in flux–and you must know and understand what’s going on with them.”

Janet Libert (editor and publisher, Executive Travel SkyGuide)

 

 

“I think the worst thing you can do is announce that you have to save this or that. We try to have good operating practices and we don’t want to waste money during the good times any more than the bad times.”

Jim Prevor (CEO, Phoenix Media Network)

 

 

 “A lot of publishers forget to do the grassroots thing, like  link-share with other Web sites and blogs,” (…). “We need to try to be as creative as possible with our content, whether it’s text or streaming video. We need to be able to package all that together online without overloading our audience.”

Toyin Awesu (publisher and editor-in-chief, AvenueReport.com)

Indústrias culturais – A Perspectiva de David Hesmondhalgh

9781412908085As indústrias culturais passaram por grandes transformações desde os anos 80, revelando uma crescente importância nas sociedades e na economia:

·   já não são consideradas como “actividades secundárias”, estando no centro da acção económica de muitos países;

·   a sua organização mudou radicalmente, pois as empresas mais fortes actuam em diferentes indústrias culturais e não apenas numa específica, como a produção televisiva ou a edição;

·   ao mesmo tempo, crescem as pequenas empresas na área da cultura, estabelecendo-se relações e parcerias entre pequenas, médias e grandes empresas;

·  os produtos culturais circulam além-fronteiras;

·    os conteúdos são marcadamente híbridos, misturando imagens, som e texto;

·   houve uma proliferação de novas tecnologias de comunicação, como a Internet e novas aplicações das tecnologias existentes;

·   a forma como as indústrias culturais entendem os seus públicos mudou, havendo uma preocupação nos inquéritos de consumo, no marketing cultural e na caracterização dos nichos de mercado;

·  há uma crescente preocupação com as políticas culturais e com aquelas relacionadas com os direitos de autor;

·  as audiências e os hábitos culturais são cada vez mais complexos;

·  os textos sofreram alterações radicais, com novos estilos, inserção crescente da criatividade e de materiais publicitários.

Por que são importantes as indústrias culturais? David Hesmondhalgh justifica com três ordens de razão: porque criam e fazem circular textos; porque gerem e fazem circular a criatividade; porque são agentes de mudanças económicas, sociais e culturais. (2007: 4-7).

 

1.        As indústrias culturais criam e fazem circular “textos”

David Hesmondhalgh afirma que, mais do que qualquer tipo de produção, as indústrias culturais criam e divulgam produtos, que o autor designa de textos, que influenciam a nossa percepção do mundo. Os filmes, a televisão, a rádio, a música e os videojogos fazem representações do mundo que contribuem para aquilo que somos, fantasiamos e sentimos; constroem a nossa identidade enquanto mulher, homem, africano, português, europeu, americano, homossexual, punk, etc.

Posto isto, as indústrias culturais têm uma influência decisiva na nossa vida e, consequentemente, nas sociedades contemporâneas. Importa referir que a maior parte dos textos é produzida por grandes empresas que têm em vista o lucro, o que levanta questões sobre as necessidades do público versus as aspirações económicas. Aliás, há uma grande concorrência entre as indústrias culturais, particularmente entre grupos de comunicação, o que influencia decisivamente os produtos culturais que são veiculados.

 

2.        As indústrias culturas gerem e fazem circular a criatividade

Segundo este teórico norte-americano, as indústrias culturais preocupam-se com a gestão e venda da criatividade simbólica. Ao longo da História, a arte foi sendo considerada uma das formas mais nobres da criatividade humana. Ora, a criação de histórias, músicas, imagens, poemas, argumentos, reportagens, etc., envolve um tipo particular de criatividade – a manipulação de símbolos, com os propósitos de entreter, informar e esclarecer. Daí que o autor prefira chamar a estes trabalhos “criatividade simbólica” (em vez de arte) e criadores simbólicos (em vez de artistas). Importa relevar que os jornalistas também são, naturalmente, criadores simbólicos, uma visão importante para compreender os capítulos que se seguem.

Estes criadores simbólicos são os criadores dos textos de toda a espécie das indústrias culturais e estes não existiriam sem eles, mesmo que as indústrias se caracterizem pela reprodução, distribuição e marketing. A forma como as indústrias culturais organizam e divulgam a criatividade simbólica reflecte algumas injustiças e ambivalências presentes nas sociedades contemporâneas, principalmente na forma precária como os criadores simbólicos trabalham e a dificuldade em arranjar audiências para os seus textos.

 

3.        As indústrias culturais são agentes de mudanças económicas, sociais e culturais

Não há dúvida de que as indústrias culturais são fontes de riqueza e emprego em muitas economias: basta pensar na importância da indústria cinematográfica e discográfica nos Estados Unidos da América, no papel dos jornais e das revistas em todo o mundo… O advento das marcas (Coca-Cola, Nike, Disney, entre milhões de outras) fez crescer as indústrias culturais, pela publicidade, pelos filmes, pela influência na forma como entendemos o mundo. As sociedades modernas são sociedades do conhecimento e da informação e isso basta para provar o papel que as indústrias culturais têm na economia e na cultura.

Poesia Incompleta

poesiaincompleta1Chama-se Poesia Incompleta e é a primeira livraria dedicada à poesia. Fica na Rua Cecílio Sousa, n.º 11, entre o Príncipe Real e a Praça das Flores e, pelo que já tive ocasião de comprovar, vivem lá centenas de poetas. No entanto, vale a pena folhear a restante oferta editorial e, sobretudo, ler o respectivo blogue, uma abordagem realmente criativa sobre o dia-a-dia do espaço e dos seus visitantes.

 

 

“A cultura no jornalismo cultural”

“A cultura no jornalismo cultural – Contributos para uma redefinição e ampliação do jornalismo cultural, no contexto das indústrias culturais e criativas” é o título da minha dissertação de Mestrado que irei defender no próximo dia 6, terça-feira, às 14h30, no auditório II da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – UNL. O Júri é constituído pelos Professores Doutores Rogério Santos, Jacinto Godinho e Maria Lucília Marcos.

Uma palavra de apreço a todos os que me apoiaram e, em especial, à minha orientadora, Professora Maria Lucília Marcos.