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Artigos por 5 dólares? Não, obrigada.

Não é recente a discussão que envolve a qualidade do jornalismo versus a proliferação de sites de “notícias”, muitos deles sem… notícias (os colunistas da magazine Folio têm-na acompanhado muito bem). Agora, a polémica envolve empresas de licenciamento de conteúdos, como a Associated Content, que vende artigos a preços irrisórios para grandes grupos de media que, por sua vez, procuram conteúdos cada vez mais baratos, em particular para os seus sites.

 A Associated Content, que fornece conteúdos para a Cox Newspapers, a Hachette Filipachi ou a Thomson Reuters, entre outras, paga a quantia ridícula de 5 dólares por artigos aos seus freelancers.

Não é preciso ir mais longe. Cinco dólares por artigo é um atentado aos jornalistas (não me parece que todos os freelancers da Associated Content o sejam), ao jornalismo e aos media on-line que, a longo prazo, perderão a sua credibilidade.

 

  1. Mais do que uma questão económica, trata-se de uma questão editorial. A ideia de que os leitores procuram histórias rápidas, sem originalidade, nos meios on-line já está um pouco ultrapassada. E esses meios, ao perderem credibilidade editorial, irão perder leitores a longo prazo (o que os diferenciará dos milhares de blogues e sites agregadores de conteúdos?).
  2. Os conteúdos a metro afectam, por consequência, a percepção que os leitores têm dos meios on-line – a de que têm muito menor qualidade do que os impressos. De facto, a prática corrente dos grupos de media só ajuda a fortalecer esta percepção (e não me parece que a Hachette Filipachi coloque artigos de 5 dólares nas suas revistas impressas).
  3. Sejamos lógicos: um artigo de 5 dólares nunca poderá ser um bom artigo. A menos que seja um pedaço de escrita feito com base noutro pedaço de conteúdo e que não demore mais de 60 minutos a construir. Porém, aí regressamos ao problema inicial: como fica o bom jornalismo on-line?